Porto Alegre, segunda-feira, 02 de maio de 2022.
Porto Alegre,
segunda-feira, 02 de maio de 2022.
Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Com a palavra

- Publicada em 02/05/2022 às 03h00min.

Inovação na construção civil será meta do Sinduscon-RS

O engenheiro Claudio Teitelbaum foi eleito o novo presidente do Sinduscon-RS e assume no lugar de Aquiles Dal Molin Junior

O engenheiro Claudio Teitelbaum foi eleito o novo presidente do Sinduscon-RS e assume no lugar de Aquiles Dal Molin Junior


CLAITON DORNELLES /JC
Nícolas Pasinato

O setor da construção civil é conhecido como uma das molas propulsoras na economia do Rio Grande do Sul. Em 2021, mesmo com os efeitos da pandemia do novo coronavírus, o PIB da construção civil gaúcha registrou crescimento de 7,4%, conforme dados do Departamento de Economia e Estatística, vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (DEE/SPGG). Também foi um dos motores na geração de novas vagas. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o saldo foi positivo em 5,2 mil postos no Rio Grande do Sul.

O setor da construção civil é conhecido como uma das molas propulsoras na economia do Rio Grande do Sul. Em 2021, mesmo com os efeitos da pandemia do novo coronavírus, o PIB da construção civil gaúcha registrou crescimento de 7,4%, conforme dados do Departamento de Economia e Estatística, vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (DEE/SPGG). Também foi um dos motores na geração de novas vagas. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o saldo foi positivo em 5,2 mil postos no Rio Grande do Sul.

O Sinduscon-RS, entidade que desde 1949 atua em prol dos interesses da construção civil, pensa que para que o setor siga com esse papel de protagonista, é preciso estar preparado para as mudanças e desafios que devem surgir. Seguindo essa linha, a nova diretoria da entidade terá na inovação a sua principal bandeira para os próximos dois anos de sua gestão, conforme relata nesta entrevista o engenheiro Claudio Teitelbaum, que assume como presidente do sindicato hoje à noite.

Empresas & Negócios - O senhor está assumindo o cargo de presidente do Sinduscon-RS. Conte um pouco do seu envolvimento com o sindicato e qual o sentimento em relação a este novo desafio?

Claudio Teitelbaum - Comecei a frequentar o sindicato bem jovem levado pelo meu pai ainda quando estava na faculdade, por volta de 1995. Em 1998, ingressei em uma comissão chamada Comissão de Qualidade e Produtividade, que trabalhava para a busca de ferramentas de gestão e certificação da empresa. Em 2001, o Pedro Tedesco Silber me convidou e fiz parte, pela primeira, vez da chapa da diretoria, quando fui eleito vice-presidente. Desde então, participei de oito gestões como vice-presidente, passei por várias comissões, como Comissão de Materiais e Tecnologia, Comissão de Meio Ambiente, Departamento de Economia e Estatística, Planejamento Estratégico e agora assumirei a presidência. O sentimento é de reconhecimento dos pares, porque, geralmente, o Sinduscon trabalha com uma eleição por consenso, chapa única, e acaba sendo uma grande satisfação por poder representar a união de pensamentos dos associados e de reconhecimento pelo entendimento dos pares de que estamos a altura para representar o setor do empresariado da construção civil.

Empresas & Negócios - Quais serão os pilares de sua gestão no Sinduscon?

Teitelbaum - Fizemos um planejamento em que envolvemos toda a diretoria eleita e estamos buscando trabalhar em alguns objetivos estratégicos. Resumindo, vamos trabalhar muito com inovação. Tanto na forma como o Sinduscon vai atender o seu associado quanto na busca de inovação, seja de materiais, tecnologias, processos de venda, além de uma inovação mais ampla para as empresas associadas. Também iremos trabalhar em prol do fortalecimento da cadeia produtiva. E não apenas com as empresas construtoras, mas junto de loteadoras e incorporadoras. Ou seja, vamos querer fortalecer a cadeia produtiva da construção civil, visando uma maior competitividade e reconhecimento do setor.

Empresas & Negócios - Como avalia o atual momento do setor de construção civil no Rio Grande do Sul e quais são as perspectivas para o futuro desse segmento?

Teitelbaum - O setor da construção civil hoje, junto com o agro, é o que impulsiona o PIB gaúcho. Acumulamos em 2021 um crescimento de aproximadamente 7,5% na construção civil. Um grande exemplo disso é o que aconteceu na época da Covid-19. A construção civil, apesar de ter ficado parada quase 90 dias de uma maneira irresponsável pela forma como se deu, conseguiu ser uma das molas propulsoras do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). O cadastro de empregos foi praticamente todo puxado pela construção civil e isso ajudou muito na retomada da economia gaúcha. Ainda vivemos um momento de turbulência, mas sendo a construção civil um processo de longo prazo, uma vez que um ciclo de um empreendimento imobiliário dura de três a quatro anos, precisamos buscar, sempre, antever o futuro e trabalhar de forma muito responsável, conforme o tamanho da nossa perna e da solidez do solo que há pela frente.

Empresas & Negócios - O período da pandemia teve como alguns de seus efeitos o aumento do custo para a construção civil e a escassez de alguns itens de construção. Esses impactos ainda persistem no setor?

Teitelbaum - Persistem em termos. Alguns materiais aumentaram muito, como o aço, o concreto e as esquadrias. Alguns deles aumentaram mais de 150% em um ano e isso, certamente, provocou uma inflação interna de custos de materiais considerável. Além disso, os prazos de entrega de muitos desses materiais, por falta de matéria-prima, impactaram fortemente o setor, provocando atrasos de obras. Hoje, essa inflação de materiais está um pouco mais estabilizada. Estamos com uma variação do INCC (Índice Nacional da Construção Civil) menor. Porém, ainda não está zerada. Alguns materiais seguem subindo. Temos avisos de alguns fornecedores que pretendem recompor custos. Então isso é um ponto de atenção para as nossas construtoras, incorporadoras e loteadoras. Mas a lição é poder se planejar bem e trabalhar na gestão de contratos de modo que o impacto seja cada vez menor.

Empresas & Negócios - Quais são as tendências que observa para o setor de construção civil em termos de novas tecnologias e debates relacionados ao meio ambiente?

Teitelbaum - Essas duas questões estão na pauta de uma das nossas principais comissões que é a Comat (Comissão de Materiais e Tecnologia), em que vamos incluir um "S" de sustentabilidade neste ano, mesmo já tendo a Comissão do Meio Ambiente. A Comat é uma comissão extremamente inovadora do Sinduscon, onde temos um fórum de inovação e outro sobre o BIM (Building Information Modeling), que é um sistema de gestão de projetos dentro do processo construtivo. Da mesma forma, temos uma série de outros projetos que buscam a inovação em processos de venda, de gestão e na busca de materiais inovadores Tudo isso alinhada à sustentabilidade. Vemos que essa é a forma como as empresas vão conseguir padronizar os seus processos e reduzir custos e variabilidades. Acreditamos que o incentivo de inovação nas empresas será muito forte nesta nossa próxima gestão de dois anos.

Empresas & Negócios - Como o atual cenário macroeconômico tem impactado o setor no Estado e no País?

Teitelbaum - Há dois pontos importantes sobre isso. Um deles são os aumentos previstos para a taxa de juros norte-americana. A imprensa veiculou, recentemente, notícia sobre um eventual aumento de 0,5%, que é o dobro do último aumento. Isso, certamente, impactará o dólar e o dólar acaba impactando as commodities, então é um ponto de alerta que vamos ter nos próximos meses. Outro ponto são as eleições que se avizinham. É outro momento de atenção que teremos. Brasília, assim como os demais estados, ficarão em polvorosa frente a esse cenário de polarização que temos. O que vemos é que as empresas precisam de segurança jurídica e de que todas as reformas previstas sejam levadas a cabo, como a reforma administrativa e a reforma tributária. Isso dará um pouco mais de segurança às empresas. Para isso, precisamos de um País pacificado e de um Congresso que possa trabalhar em prol de um projeto de País e não de um projeto de governo.

Conteúdo Publicitário
Comentários CORRIGIR TEXTO