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Com a palavra

- Publicada em 08/01/2022 às 14h00min.

'Queremos fomentar a transição para uma economia sustentável', diz cônsul dos EUA no RS

Christensen lembra que as ações do consulado norte-americano vão além das atividades relativas ao visto

Christensen lembra que as ações do consulado norte-americano vão além das atividades relativas ao visto


LUIZA PRADO/JC
Daniel Sanes*, especial para o JC
O cônsul dos Estados Unidos no Rio Grande do Sul, Shane Christensen, assumiu a representação em meados de 2020, no auge da pandemia de Covid-19. Na entrevista a seguir, Christensen fala da importância do Rio Grande do Sul como parceiro comercial dos norte-americanos, principalmente em áreas como energia, com foco em produção sustentável. Christensen também conta que já viajou pelo interior gaúcho a fim de estreitar relações.
O cônsul dos Estados Unidos no Rio Grande do Sul, Shane Christensen, assumiu a representação em meados de 2020, no auge da pandemia de Covid-19. Na entrevista a seguir, Christensen fala da importância do Rio Grande do Sul como parceiro comercial dos norte-americanos, principalmente em áreas como energia, com foco em produção sustentável. Christensen também conta que já viajou pelo interior gaúcho a fim de estreitar relações.
Jornal do Comércio - Os EUA estão entre os principais parceiros comerciais do Rio Grande do Sul. Qual o papel do Consulado na promoção do comércio bilateral e na atração de investidores?
Shane Christensen - Nossas relações econômicas são robustas e mutuamente benéficas. O Rio Grande do Sul é um importante estado, já é a segunda maior fonte de investimento brasileiro nos Estados Unidos, e queremos cada vez mais aumentar o comércio e o investimento em ambas as direções. Temos vários especialistas do Departamento de Comércio, focados em diferentes setores. Com o apoio desses especialistas, fazemos a aproximação das empresas gaúchas com empresas dos EUA, identificando potenciais parceiros que procuram importação, representação e distribuição de produtos, tecnologia e/ou serviços norte-americanos, além de planejar e liderar delegações de compradores a algumas das mais importantes feiras comerciais dos Estados Unidos. Também estamos atentos para entender as necessidades do setor público que podem ser oportunidades para que a tecnologia dos EUA proporcione a melhor implementação de projetos no Rio Grande do Sul. O Consulado também é a porta de entrada para gaúchos interessados na internacionalização de suas empresas para o mercado americano. Esse tipo de assistência se dá por meio do programa SelectUSA, que fornece informação, ferramentas e conexões para que os investidores entendam o clima de negócios e as regulamentações para entrar no mercado dos EUA. Além disso, o SelectUSA também auxilia organizações americanas a atrair investimentos de fora dos Estados Unidos.
JC - Quais atividades econômicas envolvem a participação do Consulado? Poderia citar alguma que considere significativa?
Christensen - Nossa visão é de uma parceria baseada na inovação e criatividade, em que empresas, acadêmicos e profissionais trabalhem juntos na ciência, na arte e nos negócios, da agricultura à exploração do espaço, abrindo novas oportunidades e criando novos caminhos para a prosperidade. Os investimentos americanos em energia renovável estão fornecendo fontes limpas de eletricidade para atender às crescentes necessidades de energia do Brasil, e esse investimento está indo em ambas as direções à medida que as empresas brasileiras expandem sua presença no mercado dos EUA. Como exemplos de nosso envolvimento, participamos da Expointer e trouxemos especialistas e representantes de quatro associações norte-americanas: Associação de Exportação de Genética Animal dos Estados Unidos, Associação Nacional de Criadores de Animais, Associação Americana do Cavalo Paint e Associação Americana de Transferência de Embriões. Em outra instância, organizamos um evento com um especialista norte-americano em mitigação de secas para destacar alternativas para produtores rurais do Sul do Brasil, em parceria com os governos dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, Farsul e Faesc (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina). O Consulado também organizou com o Sebrae e a Fiergs um evento que reuniu investidores americanos em um fórum virtual com startups gaúchas. Em outro evento, um empreendedor do Vale do Silício conduziu um workshop virtual sobre planejamento, financiamento e desenvolvimento de negócios para mais de 80 futuros empreendedores, como parte do programa Start Up Garage promovido pelo Tecnopuc. É bom notar que cada empresa americana vai sempre tomar suas próprias decisões sobre onde e como investir. Sabemos que o interesse em encontrar oportunidades para investir no Brasil continua e trabalhamos para garantir que essas empresas entendam o potencial do País. Nosso objetivo é aprofundar o engajamento entre os Estados Unidos e o Rio Grande do Sul em áreas-chave, como a transição para uma economia mais sustentável, baseada nos princípios combinados no COP26, através de iniciativas baseadas em ESG, agricultura sustentável, cibersegurança, energia renovável e transição energética.
JC - O senhor está há pouco tempo em Porto Alegre, mas poderia falar um pouco sobre sua percepção a respeito do potencial econômico, cultural e turístico da Capital e do Estado?
Christensen - Essa região tem um enorme potencial, e isso fica comprovado pelo fato de termos reaberto o Consulado em 2017 e, desde então, temos fortalecido nosso engajamento e parceria com o Estado. Sabemos que o Rio Grande do Sul é um pólo de inovação reconhecido nacionalmente. O Estado possui 22 polos de tecnologia e é a 4ª maior economia do País. Seu PIB está acima da média nacional. O Avança RS do governador Eduardo Leite acelera os investimentos em cultura, saúde, inovação, educação, segurança e reforma penitenciária. Por isso, temos promovido intercâmbios e atividades nas áreas de tecnologia em saúde, cidades inteligentes, indústria 4.0 e tecnologia da informação. Nesse tempo de pandemia, fiquei impressionado com a determinação dos líderes públicos e comerciais em abraçar novas tecnologias e novas formas de fazer negócios para avançar em metas cruciais de desenvolvimento no Estado. Estive em Pelotas (em novembro de 2021) e tive a oportunidade de entregar em mãos um prêmio do governo americano a uma das mais importantes cientistas brasileiras na área da saúde. Em Santa Maria, visitei as instalações da Coordenação Espacial do Sul (Coesu) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), onde a tecnologia está sendo empregada em setores extremamente importantes, como defesa e segurança pública. Espero conhecer muitas outras partes do Estado em 2022. Minha intenção é aprofundar nosso engajamento estratégico com todas as regiões do Rio Grande do Sul.
JC - É um sonho de muitos brasileiros viajar para os EUA não só a turismo, mas também para estudar ou empreender lá, mas sabemos que há várias exigências a serem cumpridas. Como a presença de um Consulado na região torna essa oportunidade mais viável?
Christensen - Quando assumi meu posto aqui em Porto Alegre, em julho de 2020, anunciei quais seriam as minhas prioridades: ajudar o Brasil a combater a pandemia, aprofundar a cooperação econômica e comercial entre os Estados Unidos e o Sul do País e fortalecer os laços entre os dois países. O Consulado-Geral dos EUA em Porto Alegre pode facilitar viagens, fomentar intercâmbio educacional e cultural, oportunidades de treinamento e promover desenvolvimento econômico. Ter nosso Consulado na região oferece não apenas a oportunidade de solicitar o visto, mas também um recurso para ajudar a esclarecer dúvidas sobre vistos e viagens aos Estados Unidos, e nossa equipe consular está pronta para ajudar com essas respostas. Ajudamos dezenas de milhares de brasileiros todos os anos a realizar seus objetivos nos Estados Unidos, seja fazendo bons negócios, estudando, ou visitando a Disney. Vale lembrar que o processo de solicitação de vistos no Consulado em Porto Alegre é bastante ágil: a apresentação de documentos e coleta de impressões digitais são feitas quando o solicitante vai ao consulado para a entrevista de visto, numa única visita.
JC - Antes de ingressar no Departamento de Estado americano, o senhor foi escritor freelancer sobre viagens pela América Latina, Europa e EUA. Poderia falar brevemente sobre essa experiência e o quanto isso influenciou na sua decisão de seguir a carreira diplomática?
Christensen - Estudei Relações Internacionais porque era fascinado por outros países, culturas e idiomas. No entanto, não cresci viajando muito para o exterior e escrever sobre viagens me deu a oportunidade de ver o mundo fora dos Estados Unidos e da Europa, onde estudei. Eu me apaixonei pela América Latina e pelo Brasil quando vim aqui pela primeira vez como escritor de viagens, 25 anos atrás, e sempre tive a esperança de voltar a trabalhar no Brasil. Tenho a sorte de poder fazê-lo agora, desta vez como diplomata! De muitas maneiras, a carreira diplomática foi uma continuação natural da minha primeira carreira como escritor de viagens, o que ajudou a abrir minha mente e despertar minha curiosidade sobre as semelhanças e diferenças entre as pessoas ao redor do mundo e as maneiras de nos aproximarmos em busca de um bem comum.
JC - Em entrevista a um veículo de Santa Catarina no início do ano, o sr. falou que “a transição pacífica para Biden e o apelo à unidade representam novos começos”. Como avalia as relações diplomáticas entre Brasil e EUA atualmente?
Christensen - A relação com o Brasil é sólida e forte, e continuará sendo. Os Estados Unidos e o Brasil têm uma colaboração vibrante que se estende por dois séculos de interesses mútuos e valores compartilhados. Na Embaixada e nos Consulados dos EUA, fazemos o que sempre fizemos – trabalhar em prol do povo norte-americano para avançar a importante relação com o Brasil. Há muitos norte-americanos, brasileiros e organizações de ambos os países que se preocupam em tornar esta relação ainda mais sólida, mais próxima e próspera. A Embaixada e os Consulados têm orgulho de fazer parte dessa história. Estamos trabalhando, a cada dia, para encontrar formas comuns de garantir que tenhamos segurança e prosperidade econômica conjuntas, e que a vida de nosso povo esteja melhor como resultado do trabalho que fazemos juntos. A posse do presidente Joe Biden foi a confirmação da vontade do povo americano. A parceria do Brasil e dos Estados Unidos na COP 26 sinaliza a visão compartilhada e o compromisso para garantir um futuro seguro e sustentável. Meu foco continua sendo levar a aliança entre os Estados Unidos e o Rio Grande do Sul a um novo patamar. A relação dos nossos países é sólida e madura, e temos evidências históricas de que essa cooperação funciona e é positiva para ambos.
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