Porto Alegre, segunda-feira, 13 de setembro de 2021.
Porto Alegre,
segunda-feira, 13 de setembro de 2021.
Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

energia

- Publicada em 03h00min, 13/09/2021.

Governo decide manter térmicas para reforçar sistema elétrico em 2022

Mais cara, energia de térmicas impacta diretamente nas tarifas de luz

Mais cara, energia de térmicas impacta diretamente nas tarifas de luz


PETROBRAS/DIVULGAÇÃO/JC
A Creg (Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética) aprovou, no dia 9 deste mês, a contratação de usinas térmicas para reforçar a recuperação dos reservatórios das hidrelétricas brasileiras entre 2022 e 2025.
A Creg (Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética) aprovou, no dia 9 deste mês, a contratação de usinas térmicas para reforçar a recuperação dos reservatórios das hidrelétricas brasileiras entre 2022 e 2025.
Segundo o MME (Ministério de Minas e Energia), a contratação se dará por "procedimento competitivo simplificado", conforme previsto na MP (medida provisória) que criou a câmara de gestão da crise. Isso significa que não devem seguir as regras de leilões de energia do governo.
O MME, porém, não informou como será esse procedimento e nem o volume das contratações. Especialistas do setor temem ainda mais pressão sobre as contas de luz, já que as usinas térmicas tendem a ser mais caras do que fontes renováveis.
"Já estamos pensando no atendimento para 2022", disse em entrevista ao programa "A voz do Brasil" o secretário de Energia Elétrica do MME, Christiano Vieira da Silva. "A perspectiva é que teremos ao final de novembro os reservatórios em níveis muito baixos e não podemos contar apenas com chuvas."
Na quarta-feira da semana passada, os reservatórios das hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste, a caixa d'água do setor elétrico brasileiro, estavam com 19,59% de sua capacidade de armazenamento de energia. A perspectiva é que terminem setembro em 15,62%.
"Mantém-se o cenário de atenção, com projeção de poucas chuvas em montantes relevantes nos próximos meses", afirmou o MME, em comunicado sobre a reunião da Creg nesta quinta. A opção pela contratação de mais térmicas, diz, foi tomada após avaliação sobre o cenário para os próximos anos.
Atualmente, as usinas térmicas representam cerca de 30% da energia gerada no país. O elevado uso dessa fonte levou a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) a criar uma taxa de escassez hídrica sobre a conta de luz, com a cobrança de R$ 14,20 a cada 100 kWh (quilowatts-hora) consumidos.
Antes, o consumidor estava pagando R$ 9,49 por 100 kWh, valor equivalente à bandeira vermelha nível dois. A Aneel justificou a alta dizendo que o valor anterior não conseguia cobrir todos os custos das térmicas acionadas para enfrentar a crise hídrica.
Como a energia das novas contratações deverá ser entregue em 2022, terá que vir de usinas já prontas, mas ainda sem contrato. O governo já vem acionando algumas dessas usinas, como a William Arjona, a mais cara do país, com tarifa de R$ 2.443 por MWh (megawatt-hora).
Por isso, o temor do mercado com relação aos impactos na conta de luz provocados pela extensão da contratação de usinas disponíveis para além de 2021. A tarifa de energia tem sido um dos principais impulsionadores da escalada inflacionária no país.
Em nota divulgada na sexta-feira, o MME disse que a contratação preventiva e antecipada dessas usinas ajudará a garantir os menores custos e "contribuirá com a garantia do atendimento e elevação estrutural dos níveis de armazenamento dos reservatórios das usinas hidrelétricas".
Na reunião desta quinta, a Creg decidiu também simplificar procedimentos de outorga para a contratação de térmicas ainda este ano e garantir condições para operação da térmica GNA 1, no norte do Rio de Janeiro, que tem capacidade de 1.338 MW.
 

Conta de luz mais cara aumenta a demanda por energia solar

Crescimento ocorreu de forma mais significativa pela energia solar
Alternativa é sustentável, pois é uma fonte infinita e não poluente
Valdir Kappaunn/VR Fotografias/Divulgação/JC

Energias alternativas ganharam ainda mais evidência após os reajustes tarifários, que vem encarecendo a conta de luz dos brasileiros. Uma das opções que tem tido grande procura é o sistema fotovoltaico, que produz energia elétrica a partir da luz solar. O diretor-geral da Ecosul Energias, Alan Eduardo Spier, de Nova Petrópolis, registrou o aumento de 39% nos pedidos de orçamento desde o anúncio das novas tarifas aprovado em junho de 2021 pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Spier explica que essa é uma alternativa sustentável, pois é uma fonte infinita e não poluente. Também é benéfica economicamente, em que o retorno do investimento pode ser percebido logo no primeiro mês após a instalação. Além disso, os equipamentos têm vida útil longa, os inversores possuem garantia que variam de 5 a 12 anos, conforme marca e modelo, já os módulos 25 anos e possuem baixo custo de manutenção.

Uma empresa que gasta, em média, R$ 1 mil em energia elétrica por mês, conseguiria reduzir a conta para aproximadamente R$ 150 com o sistema fotovoltaico, mantendo apenas o pagamento das tarifas mínimas da concessionária. Para atender a esse consumo, seria necessária a instalação de um sistema com cerca de 24 painéis e investimento próximo a R$ 40 mil.

Se esse valor for financiado em 60 vezes com taxa de juros de 1% ao mês, a parcela será de R$ 889,78, que, somada às tarifas mínimas pagas à concessionária, equivale ao gasto médio mensal de R$ 1 mil. Após cinco anos, o financiamento será quitado e o sistema continuará gerando energia limpa e renovável por décadas, exigindo apenas o pagamento das tarifas à concessionária.

Uma das empresas adeptas à energia fotovoltaica é a Cervejaria Edelbrau, também de Nova Petrópolis. Eles se tornaram a primeira cervejaria artesanal brasileira a gerar 100% da energia consumida através de 251 placas fotovoltaicas. O sistema de energia solar tem capacidade de 87 kWp e foi instalado em 2018. Desde então, são 9,25 mil kg de CO2 que deixam de gerar anualmente, o que corresponde à emissão de gases de 61.672 km rodados por automóveis ou 225 árvores preservadas.

Além de produzir uma energia limpa e renovável, as placas solares são vantajosas economicamente. Na época, o investimento total foi de R$ 350 mil, parcelados em 100 meses. O preço atual da parcela é similar ao custo que a Edelbrau teria com energia elétrica, cerca de R$ 7 mil mensais. "Após o término do financiamento, o custo corresponderá apenas às taxas mínimas e de iluminação pública pagas à companhia de energia", comenta o sócio Fernando Maldaner. O valor da manutenção também é reduzido, sendo necessária apenas uma limpeza semestral das placas para garantia de sua eficiência.

Comentários CORRIGIR TEXTO
Conteúdo Publicitário