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Com a palavra

- Publicada em 03h00min, 04/01/2021. Atualizada em 16h30min, 04/01/2021.

Qualicoco deve expandir atividade na região Nordeste

Executivo diz que a empresa está atenta ao mercado dos Estados Unidos

Executivo diz que a empresa está atenta ao mercado dos Estados Unidos


ENGENHO DIGITAL/DIVULGAÇÃO/JC
Carlos Villela
Conciliar o incentivo à alimentação saudável com a acessibilidade econômica é um dos objetivos da Qualicoco. Fundada em 1992, a empresa é especializada em produtos derivados do coco. Dentre eles, estão desde produtos tradicionais, como coco ralado e leite de coco, a inovações crescentes no mercado como açúcar, óleo, manteiga e até molho shoyu.
Conciliar o incentivo à alimentação saudável com a acessibilidade econômica é um dos objetivos da Qualicoco. Fundada em 1992, a empresa é especializada em produtos derivados do coco. Dentre eles, estão desde produtos tradicionais, como coco ralado e leite de coco, a inovações crescentes no mercado como açúcar, óleo, manteiga e até molho shoyu.
A empresa ultrapassou a meta de 30% de crescimento do ano já no mês de outubro, e espera crescer ainda mais em 2021. O diretor comercial nacional e de operações, Litiéri Gomes, afirma que a pandemia trouxe um impacto curioso nos serviços. "Tivemos uma situação que aconteceu com toda a indústria do ramo alimentício: achávamos que os negócios iriam dar uma segurada, mas cresceu muito a venda", diz.
Sediada em Santo Antônio da Patrulha, a empresa tem uma operação também na cidade alagoana de Rio Largo. Gomes explica que ter uma parte da indústria no Nordeste possibilita que mais partes do coco sejam aproveitadas, o que poderia ser perdido no transporte para o Rio Grande do Sul. Por causa disso, a Qualicoco deve triplicar a capacidade industrial em Alagoas no primeiro semestre do ano.
Empresas & Negócios - O que motivou os planos da Qualicoco de expandir as atividades para o Nordeste?
Litiéri Gomes - A ideia de expansão da empresa vem de uma necessidade nossa. A gente está no Rio Grande do Sul e trabalha com coco ralado, e como o Estado não produz a fruta, acabamos trazendo ela de uma região distante, então tínhamos bastante dificuldade logística por causa da distância. A Qualicoco surgiu de uma necessidade de outro negócio que a família tinha há 30 anos: Santo Antônio da Patrulha é polo doceiro, e as pessoas tinham dificuldade de ter o produto in natura para fazer cocada, e aí nasceu a empresa. Então, se começou a comprar frutas na Ceasa, o negócio foi ficando grande e começamos a trazer fruta do Nordeste pra quebrar aqui. Com o passar dos anos foi ficando complicado, porque a gente não tinha o aproveitamento total da fruta aqui no Rio Grande do Sul, então transportava muito insumo e não se conseguia aproveitar outros produtos que poderia tirar da fruta, e foi se vendo a necessidade de ir para o Nordeste. Tivemos outras operações em outros momentos e acabou se terceirizando uma parte do processo, e vimos que estava na hora de voltar. A gente escolheu Alagoas por conta de alguns incentivos que tivemos do Estado, e tem dois anos que estamos operando lá. Hoje a operação alagoana já representa 30% do nosso faturamento, então já conseguimos operar por lá, e agora chegou o momento de fazer os investimentos. Possivelmente não será em Rio Largo que vamos fazer os investimentos, ainda estamos em processo de escolha de área, mas seguirá em Alagoas.
E&N - De onde a empresa adquire o coco para a produção?
Gomes - Compramos de produtores locais. Até temos pretensão de ter fazendas depois para fazer o cultivo, mas isso vai se dar em um segundo momento, um negócio fora da fábrica, porque no momento não tem como fazer dois negócios simultâneos. Mas pensamos, sim, em ter nossas próprias plantações.
E&N - Como foram os resultados da empresa em 2020, e como está o cenário para 2021?
Gomes - No início do ano, tinha-se um planejamento, até por conta da expansão para o Nordeste, de crescer entre 30 a 35%, mas com o fechamento de outubro já estávamos próximos de 40% em relação ao ano de 2019. É acima da nossa expectativa, e isso se dá por uma expansão de mercado da empresa. Grande parte do faturamento da Qualicoco ainda está na região Sul, Sudeste e Centro-Oeste onde estamos nos principais players. Em alguns estados como no Norte, temos uma penetração pequena, ainda temos uma grande oportunidade no canal de distribuição. Projetamos também para o ano que vem um crescimento em torno de 30%. São metas arrojadas de crescimento, e com equipe e trabalho acreditamos que seja possível.
E&N - A pandemia trouxe um debate sobre cuidados com a saúde e de hábitos de consumo. De que maneira os produtos da Qualicoco podem beneficiar quem busca uma alimentação saudável?
Gomes - A Qualicoco é uma indústria de coco ralado, e as pessoas devem imaginar que é para sobremesa e leite de coco. Tem esse foco também, mas nosso foco principal é a alimentação saudável. A população mudou muito o habito de consumo, elas estão vivendo mais, então cada vez mais tanto o público jovem quanto o mais velho busca se alimentar melhor, busca conhecimento para uma dieta saudável, e isso faz todo sentido com o nosso negócio. Nosso top 10 de vendas são produtos voltados para a alimentação saudável, e isso também vai de encontro com a propagação dos benefícios do coco para a saúde. A gente se preocupa com a acessibilidade, com o produto não só estar no ponto de venda, mas que nossos produtos também sejam baratos e se encaixem na alimentação diária das pessoas. E nos preocupamos com o sabor, não adianta ter o produto e não ser saboroso. O nosso produto faz todo sentido dentro dessa mudança de hábito das pessoas, vemos um cenário muito próximo das pessoas. Além disso, também temos acompanhado muitos outros segmentos utilizando o coco, como o mercado de cosméticos e fármacos, então a vemos um cenário bem próspero para nossos produtos.
E&N - Como é feita a criação e o desenvolvimento de novos produtos derivados do coco?
Gomes - Acompanhamos muito o mercado, e temos um setor que é muito atuante e estratégico, então também acompanhamos o mercado externo e o que acontece lá, para trazer ao mercado brasileiro. Por exemplo, nossos chips de coco são snacks saudáveis, para alimentação do dia ao dia. Hoje, temos sete chips diferentes, iniciamos pelo original - é um corte de coco ralado que é desidratado -, e desenvolvemos outros três, o adoçado com açúcar de coco, o queimado e o skin. Aí começou a se trabalhar com esses quatro itens, e começamos a desenvolver chips saborizados, como os sabores chocolate e abacaxi. Vamos inovando, porque quem busca se alimentar de jeito saudável não quer comer sempre as mesmas coisas, quer diversificar. Queremos continuar aumentando nosso portfólio de produtos.
E&N - A Qualicoco tem operações internacionais? Há planos de expansão para outros países?
Gomes - Hoje, exportamos para o Paraguai e Angola, e a venda tem sido bem interessante. Hoje, a exportação representa um percentual bem pequeno dentro do nosso faturamento, mas vemos que tem muitos países que tem alto consumo. Percebemos um mercado gigantesco dos EUA, Europa e Canadá quando se fala de água de coco, por exemplo. Com esse projeto de expansão temos a perspectiva de aumentar essa proporção de negócios. Só que isso não é na velocidade que a gente quer, precisamos estar habilitados para exportar para outros países.
E&N - Com a expansão da unidade em Alagoas, haverá mudanças na operação no Rio Grande do Sul?
Gomes - Vamos continuar com a empresa aqui, até porque ela é uma parte bem estratégica do nosso negócio. Claro que algumas linhas serão produzidas lá, mas a operação aqui segue normal. Em um primeiro momento a unidade de lá será para fazer a parte de industrialização e a parte primária, como a quebra da fruta e extração da água e leite. O que vai ocorrer com o tempo é que vamos mandar alguns produtos prontos de lá, mas também temos alguns projetos futuros para a planta daqui. O setor de desenvolvimento de produtos permanecerá aqui. Para o futuro, ter um Centro de Distribuição em outros estados, mas isso em outro momento.
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