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Opinião

- Publicada em 03h00min, 03/11/2020.

Olhar interssecional para inclusão

Debora Gepp, responsável pelo Diversidade & Inclusão na Braskem e co-fundadora da Rede Brasileira de Mulheres LBTs

Debora Gepp, responsável pelo Diversidade & Inclusão na Braskem e co-fundadora da Rede Brasileira de Mulheres LBTs


BRASKEM/DIVULGAÇÃO/JC
Debora Gepp
O início do século 21 ficará marcado pelo avanço da luta por uma sociedade mais inclusiva. Há décadas os movimentos sociais mobilizam-se por mudanças na esfera pública e pela eliminação de toda forma de preconceito e discriminação, quebrando paradigmas que nos foram ensinados e considerados por séculos como modelo padrão.
O início do século 21 ficará marcado pelo avanço da luta por uma sociedade mais inclusiva. Há décadas os movimentos sociais mobilizam-se por mudanças na esfera pública e pela eliminação de toda forma de preconceito e discriminação, quebrando paradigmas que nos foram ensinados e considerados por séculos como modelo padrão.
As demandas por respeito e valorização da diversidade são transformações que notamos na mídia, no entretenimento e nas grandes empresas. A discussão é pauta constante em muitas esferas do nosso dia a dia. Estamos mudando e é preciso reconhecer avanços, mas não teremos uma sociedade e empresas de fato inclusivas sem um olhar interseccional para a diversidade.
O primeiro passo é diferenciar diversidade e inclusão. Diversidade é um conceito que abrange características culturais, econômicas, sociais, físicas e psicológicas, que tornam um ser único. Já a inclusão, envolve o que chamamos de grupos minorizados, que incluem pessoas com marcadores identitários que as impedem ou dificultam o acesso à educação, emprego e atuação em espaços de poder. No Brasil, estamos falando de mulheres, pessoas negras, refugiadas e com deficiência, LGBTQIAs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgênero, Queer, Intersexo e Assexuais), idosos e pessoas em vulnerabilidade econômica e social.
Considerar a interseccionalidade é transformar em ações a compreensão de que, mesmo entre populações minorizadas, existem camadas de privilégios que exigem um olhar cuidadoso. Um exemplo são ações para aumentar o número de mulheres em cargos de liderança. Mulheres negras, transgênero, com deficiência e periféricas que carregam mais de um marcador identitário minorizante, encontram mais barreiras para ascender profissionalmente. Não pensar nesse conceito ao implantar programas de diversidade e inclusão pode até promover diversidade de gênero, mas não haverá diversidade interseccional com raça, etnia, classe social, orientação afetivo-sexual.
Como responsável pelo Programa de Diversidade e Inclusão em uma multinacional brasileira, percebo na prática a importância do olhar interseccional nas ações. Tenho a oportunidade de acompanhar o progresso em grandes empresas e noto que este é um desafio comum a todas. Para avançarmos é necessário priorizar o assunto com responsabilidade e ambição. É fundamental uma pessoa ou uma área dedicada exclusivamente ao tema para o desenvolvimento de um programa estruturado, com metodologias de gestão de mudança eficazes, que visem transformações efetivas. Esta é uma luta contínua de todas as pessoas e esferas da sociedade, sem deixar ninguém para trás.
 *Responsável pelo Diversidade & Inclusão na Braskem e co-fundadora da Rede Brasileira de Mulheres LBT’s.
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