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Com a Palavra

- Publicada em 03h00min, 03/11/2020.

Cuidado com o público é carro-chefe da Sodexo

Não existe mais divisão entre vida pessoal e profissional e é preciso achar equilíbrio, diz Andreia Dutra

Não existe mais divisão entre vida pessoal e profissional e é preciso achar equilíbrio, diz Andreia Dutra


MARCUS STEINMEYER/DIVULGAÇÃO/JC
Carlos Villela
Enquanto o mundo vivencia a pior crise sanitária desde a Gripe Espanhola de 1918, a saúde do trabalhador passou a ser uma preocupação maior para os empregadores. Por isso, as empresas prestadoras de serviço de conforto precisaram não só se adequar, mas aumentar o escopo de suas atuações - e rapidamente. "Hoje, o curto prazo é dois meses, o médio prazo é três e o longo prazo é seis", diz Andreia Dutra, presidente da Sodexo On-site Brasil, o ramo de planejamento, gerenciamento e execução de serviços de alimentação e facilities da multinacional francesa. Apenas no Brasil, a empresa conta com mais de 40 mil colaboradores.
Enquanto o mundo vivencia a pior crise sanitária desde a Gripe Espanhola de 1918, a saúde do trabalhador passou a ser uma preocupação maior para os empregadores. Por isso, as empresas prestadoras de serviço de conforto precisaram não só se adequar, mas aumentar o escopo de suas atuações - e rapidamente. "Hoje, o curto prazo é dois meses, o médio prazo é três e o longo prazo é seis", diz Andreia Dutra, presidente da Sodexo On-site Brasil, o ramo de planejamento, gerenciamento e execução de serviços de alimentação e facilities da multinacional francesa. Apenas no Brasil, a empresa conta com mais de 40 mil colaboradores.
Natural de Bagé, Andreia começou a carreira na Sodexo como trainee e a partir desse cargo passou por diferentes áreas da empresa, fazendo com que ela tivesse conhecimento próximo das várias frentes de atuação. Ela também é presidente do Instituto Stop Hunger Brasil, uma iniciativa sem fins lucrativos ligada à Sodexo que busca mobilizar clientes, fornecedores, acionistas e colaboradores em ações para combater a fome e a má nutrição. Além disso, integra o conselho da Pronep, empresa especializada em serviços de home care e que foi adquirida pelo grupo Sodexo, visando a expansão da empresa neste setor.
Empresas & Negócios - Como são determinadas as especificidades dos serviços oferecidos pela Sodexo de acordo com o cliente?
Andreia Dutra - Nós nos organizamos por segmentos exatamente para trazer a expertise global e aplicar localmente na região, e dentro de cada segmento temos serviços especializados. No caso de plataformas offshore, por exemplo, tem toda uma questão de hotelaria que a gente aplica as melhores práticas. Conseguimos compartilhar essa expertise de acordo com o que tem o melhor no mundo, e isso acontece no meio corporativo também. A gente atende bancos, então já se tem uma linha de saber a necessidade dos clientes que atuam em banco. A primeira coisa que a gente faz é entender o que o cliente gostaria e o público que o cliente tem, e temos uma ferramenta chamada Personix que identifica o perfil do nosso cliente para levar a melhor oferta. Acabamos sendo consultores do cliente em todos os serviços que a gente pode contribuir. Hoje temos vários clientes que temos serviço de alimentação e também de facilities.
E&N - A Sodexo também trabalha com aceleração de startups. Como é essa experiência? Ela já está dando frutos?
Andreia - Esse projeto começou na Sodexo da Índia, depois na China e aqui. Temos sete startups que estamos acelerando: fizemos o lançamento desse programa de aceleração, teve um número enorme de startups inscritas, e fizemos uma seleção das startups que tinham alguma afinidade com nosso negócio e que poderiam contribuir para esse modelo de food transformation que estamos colocando. As startups são fundamentais para trazer questões como agilidade, testar e errar, buscar soluções tecnológicas... elas nos trazem esse mindset de inovação, e isso proporcionou um link com nossos executivos que estão participando. É um programa que ainda está em andamento, mas já temos alguns bons resultados.
E&N - Qual foi o impacto da Covid-19 para a Sodexo?
Andreia - Essa crise pegou todos nós desprevenidos, mas nós fomos um dos últimos países a ser afetados e, por conta de ter uma expertise multinacional, conseguimos adaptar várias boas práticas e serviços que foram desenvolvidos em outras regiões e já estavam praticamente prontos e implementar para nosso cliente aqui. Nossa primeira preocupação foi a saúde e segurança das pessoas, tanto dos nossos colaboradores quanto dos nossos clientes, e a segunda foi ficar próximo do cliente. Além disso, veio um novo posicionamento, o Rise With Sodexo, para ajudar nosso cliente, que é pensado em cinco etapas: preparar, proteger, habilitar, apoiar e otimizar. O foco é: fazer tudo que se pode fazer para que os clientes tenham uma experiência melhor e esse sintam mais seguros com essa retomada. Falam que é o novo normal e eu brinco que é um novo presente, a gente já está vivendo isso, muitas empresas já retomaram e as pessoas estão lá. Então como a gente vai garantir que elas estejam no ambiente mais seguro possível, se sintam bem se sintam engajadas? Muitas pessoas sentem medo, e a gente procura dar todo o suporte ao cliente e ao seu colaborador. Temos o Mais Saúde, que também é um programa que fazemos de alimentação mais saudável, e as pessoas estão interessadas nisso e melhorar sua imunidade. E o Sodexo Delivery já fazia parte do nosso projeto e a gente acelerou esse projeto em função da pandemia. Nós começamos em Porto Alegre, e tivemos uma boa notícia que o raio de entrega aumentou para 6km a partir da nossa sede próxima ao Aeroporto Salgado Filho, então estamos conseguindo atender nosso consumidor direto.
E&N - Há muita gente que trabalhava presencialmente e hoje está em casa, e segue recebendo o pagamento de tíquete-refeição. O funcionário da empresa em Porto Alegre que recebe esse benefício pode chamar o Sodexo Delivery para utilizar esse valor?
Andreia - Sim. Muitas empresas fizeram uma troca, elas davam vale-refeição, e com as pessoas ficando em casa elas pediram pra gente para migrar do vale-refeição para o vale-alimentação para também usar esse valor no supermercado. No caso do delivery a gente tem cinco pontos no País, então ainda está começando, estamos trabalhando para o crescimento desse novo modelo de negócios. A gente utiliza a cozinha do nosso escritório em Porto Alegre como cloud kitchen para produzir essa alimentação de forma segura e com segurança alimentar para entregar para o cliente. E ainda é feita em uma smart kitchen, que usa equipamentos de última geração e é sustentável, utilizando 40% menos de óleo, menos energia elétrica, menos perda de alimentos. O consumidor está se beneficiando de toda a estrutura de qualidade que a gente tem.
E&N - A Sodexo começou a incentivar projetos com foco em saúde mental nas organizações. As empresas brasileiras estão receptíveis a novidades assim?
Andreia - Foi feita uma pesquisa que apontou que 89% dos diretores de RH estão preocupados em como eles vão manter o senso de engajamento e pertencimento das pessoas no home office. Existe uma preocupação grande em relação à saúde mental das pessoas, e a tendência é que isso aconteça mais. Depressão e afastamento afeta a produtividade, então isso tem que ser preocupação das empresas. Hoje não existe mais vida pessoal e vida profissional, as pessoas precisam trabalhar no próprio equilíbrio entre esses mundos. As empresas tem que ajudar nisso, e isso vai ser fundamental para manter uma produtividade. O home office trouxe esse aumento de produtividade, e a gente sabe que é uma situação que é discutível a longo prazo como manter isso cuidando de verdade das pessoas, e isso passa pela questão da saúde mental por toda a certeza.
E&N - A senhora também preside o Instituto Stop Hunger no Brasil, a iniciativa da Sodexo de combate à fome. Quais os focos das ações do instituto?
Andreia - O Stop Hunger nasceu nos Estados Unidos como um movimento contra a fome e má nutrição, ganhou apoio da Sodexo e acabou se transformando no instituto. Nos 67 países que a gente atua tem ações de combate à fome. A gente tem uma parte que são projetos de assistencialismo, porque a gente entende que existe essa necessidade, e projetos que ensine as pessoas a gerar renda, e esses projetos estão ligados a gerar renda para mulheres. A mulher investe até 90% dos rendimentos dela em saúde e educação, enquanto o homem investe apenas 30%. Se fizer um projeto para que mulheres se tornem autônomas de um ponto de vista econômico, a gente automaticamente melhora a questão de saúde da família.
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