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Porto Alegre, segunda-feira, 28 de setembro de 2020.

Jornal do Comércio

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Empresas & Negócios

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reportagem especial

- Publicada em 03h00min, 28/09/2020.

RS detém 31% das indústrias que fazem o curtimento do couro

RS detém 31% das indústrias que fazem o curtimento do couro


grupo minuano/divulgação/jc
Felipe Faleiro*
Há bastante tempo, o Rio Grande do Sul tem uma relação próxima com a produção de couro. Do Estado, saem muitos dos produtos, beneficiados ou não, que abastecem mercados dentro e fora do País, a uma proporção que o coloca na liderança brasileira do segmento. Também lidera as exportações coureiras no Brasil, graças a uma veia empreendedora que teria iniciado há praticamente dois séculos, segundo é aceito pela maioria dos historiadores, e cuja trajetória se mescla com a de outros importantes produtos feitos aqui e de referência inquestionável.
Há bastante tempo, o Rio Grande do Sul tem uma relação próxima com a produção de couro. Do Estado, saem muitos dos produtos, beneficiados ou não, que abastecem mercados dentro e fora do País, a uma proporção que o coloca na liderança brasileira do segmento. Também lidera as exportações coureiras no Brasil, graças a uma veia empreendedora que teria iniciado há praticamente dois séculos, segundo é aceito pela maioria dos historiadores, e cuja trajetória se mescla com a de outros importantes produtos feitos aqui e de referência inquestionável.
Os curtumes têm importância fundamental nesse sentido, pois não apenas são os locais de produção e beneficiamento do couro, mas lugares onde uma virtuosa parte da história da economia gaúcha foi escrita, e o são até hoje, onde puderam prosperar pelas mais diversas razões. Em sua maioria imponentes pela estrutura, fazem parte do imaginário de muitos profissionais e moradores dos entornos, além de ser o alicerce econômico de cidades e regiões inteiras.
Conforme o relatório de julho de 2020 do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), naquele mês havia exatamente 7.558 trabalhadores na indústria coureira gaúcha. O mais recente levantamento setorial desenvolvido pelo Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) mostrou que, em 2018, o Rio Grande do Sul contava com 76 unidades produtivas em operação, uma queda em relação aos anos de 2016, quando eram 81, e 2012, com 116. Pouco mais de 31% de todos os curtumes brasileiros estavam localizados no Estado em 2018.
"O Rio Grande do Sul, no contexto nacional, tem uma tradição ímpar na indústria curtidora", destaca o presidente executivo do CICB, José Fernando Bello. De acordo com ele, o Estado também possui o maior parque industrial para fabricação do produto acabado, o último estágio de beneficiamento do couro. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia mostram que os gaúchos lideram as exportações do produto com folga, somando, entre janeiro e julho de 2020, US$ 144,7 milhões em receita, 28% da participação nacional no setor. São Paulo está em segundo lugar, com 14,6% do total.
De janeiro a julho do ano corrente, o couro representou 1,7% das exportações do Rio Grande do Sul, mais ou menos o mesmo valor do que foi exportado no período em peças e acessórios de veículos automotivos pelo Estado. Considerando apenas a indústria de transformação, o número sobe para 2,5% do total. As vendas externas gaúchas de couro também tiveram um recuo considerável, com 23,4% de queda no período em relação aos mesmos meses de 2019 e 29,3% sobre janeiro a julho de 2018.
Atualmente, 80% do couro gaúcho é exportado, e apenas 20% permanece no mercado interno. Por isso, o setor acompanha de forma atenta o que está acontecendo além dos limites brasileiros. Ações como o Brazilian Leather, desenvolvida pela CICB, em parceria com a Apex-Brasil, promovem a internacionalização do couro por meio da parceria entre empresas. Hoje, mais de 120 companhias integram o projeto. Em 2019, as exportações brasileiras do produto alcançaram US$ 1,15 bilhão, 51% a mais do que em 2000, quando o primeiro convênio foi assinado. Outra importante medida é a Lei do Couro, mais antiga, de 1965, que padroniza a própria convenção do que é o produto e proíbe chamar de "couro" o material que não seja exclusivamente produzido com pele animal.
O mercado, em si, reconhece a crise existente, especialmente considerando a pandemia, mas observa que o pior pode já ter passado. "Todo o planejamento do setor para o ano de 2020 foi considerado a partir de fevereiro, quando os primeiros sinais de queda no mercado consumidor se fizeram sentir", comenta o presidente executivo da Associação das Indústrias de Curtumes do Rio Grande do Sul (AICSul), Moacir Berger de Souza. De fato, a Covid-19 representou um impacto significativo na maioria dos setores, e não foi diferente na indústria coureira, já que o couro é matéria-prima para outros itens industrializados.
"Fábricas de calçados, artefatos, móveis e, principalmente, a indústria automobilística, pela sua representatividade, acusaram decréscimo nas produções com redução no consumo de matéria-prima", comenta Souza. Os curtumes perceberam a crise antecipadamente em função do movimento no exterior, e puderam readequar os níveis de produção. Desde março, as unidades operam com um nível de ociosidade que diminui aos poucos. "É muito provável que o volume de produção de 2020, considerando mercados interno e externo, não seja muito inferior ao produzido em 2019", projeta Souza.
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