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Empresas & Negócios

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inovação

- Publicada em 03h00min, 31/08/2020.

'Velha economia' se aproxima de startups

Em cinco anos, o volume de acordos fechados cresceu 20 vezes

Em cinco anos, o volume de acordos fechados cresceu 20 vezes


FREEPIK.COM/DIVULGAÇÃO/JC
De olho na agilidade e rapidez para encontrar soluções inovadoras e disruptivas para seus negócios, grandes empresas estão se aproximando cada vez mais de startups para fazer parcerias. Em cinco anos, o volume de acordos fechados entre a "velha economia" e os novos empreendedores cresceu 20 vezes, segundo levantamento feito pela 100 Open Startups, plataforma que conecta esses dois mundos. Só nos últimos 12 meses, 1.635 companhias fizeram contratos com startups.
De olho na agilidade e rapidez para encontrar soluções inovadoras e disruptivas para seus negócios, grandes empresas estão se aproximando cada vez mais de startups para fazer parcerias. Em cinco anos, o volume de acordos fechados entre a "velha economia" e os novos empreendedores cresceu 20 vezes, segundo levantamento feito pela 100 Open Startups, plataforma que conecta esses dois mundos. Só nos últimos 12 meses, 1.635 companhias fizeram contratos com startups.
Para medir esse engajamento entre as empresas, a plataforma criou o ranking das 100 corporações que mais tiveram relacionamento com os empreendedores em 2020. No topo da lista, estão Natura, ArcelorMittal e BMG. "Em 2016, eram 82 empresas com algum tipo de parceria com startups. Neste ano, temos 1.635 companhias com contratos firmados", afirma o presidente da 100 Open Startups, Bruno Rondani.
Na avaliação dele, as startups são hoje a principal fonte de inovação do mercado - espaço antes dominado pelas universidades, que ainda têm papel importante no setor. De 2016 para cá, os negócios entre empresas maduras e aquelas em estágio inicial somaram mais de R$ 1 bilhão, segundo o executivo. "As grandes companhias querem aumentar a capacidade de inovação em todos os níveis."
Com estruturas mais pesadas e complexas, que dificultariam a contratação de uma companhia pequena, essas empresas têm apostado na criação de hubs de inovação ou programas específicos para se aproximarem desse ecossistema e desenvolver soluções para problemas específicos.
"Trazemos essas empresas para que nos ofereçam algum tipo de serviço", diz Agenor Leão, vice-presidente da Plataforma de Negócios da Natura, que, neste ano, ficou em primeiro lugar no ranking da 100 Open Startups. Em 2019, o vencedor foi o BMG e, em 2018, a Accenture.
Leão conta que a aproximação com as startups tem o objetivo de acelerar processos que poderiam demorar muito tempo para serem concluídos. Desde 2016, a empresa vem investindo na transformação digital, sobretudo, com a criação do Natura Startup, um ambiente onde empreendedores podem se conectar com a companhia.
Nesse período, a gigante do setor de beleza analisou 5 mil startups, interagiu de alguma forma com 100 e firmou contrato com 40. Só durante a pandemia, foram 9 parcerias. Uma das soluções resultantes de contratos com startups foi o espelho virtual, um simulador de maquiagem que dá às clientes a possibilidade de "experimentar" os produtos da empresa por meio de realidade virtual.
Outro exemplo, diz Leão, é o investimento recém-anunciado na Singu - um marketplace de serviços de beleza delivery. "Esse é um exemplo de como as startups nos acelera. Poderíamos levar até um ano para desenvolver uma plataforma como a Singu, que já está em operação."
Os modelos de parcerias entre as grandes e as pequenas empresas têm ocorrido por meio de contrato de prestação de serviço, aquisição do produto (caso da Singu) ou apenas o acesso à rede da empresa para o desenvolvimento de ferramentas.
Segundo Rondani, da 100 Open Startups, 54% dos contratos firmados com os empreendedores são de prestação de serviços e envolvem pagamento em dinheiro. O restante compreende parceria de colaboração e projetos-piloto que podem ou não ser pagos. Na produtora de aço ArcelorMittal, segunda no ranking das mais engajadas deste ano, projetos envolvendo startups já somam R$ 30 milhões desde 2018, quando a empresa decidiu apostar nesse ecossistema.
"Percebemos que tínhamos de ser humildes e trazer esse novo universo para dentro da empresa. Queremos ser uma empresa de solução de aço, e não só uma empresa de commodities", diz Paula Harraca, diretora de Pessoas e Inovação Aços Longos e Mineração da ArcelorMittal.
Foi aí que a empresa criou o Açolab, espaço para interação com startups, que permitiu mais de 1.500 conexões com empreendedores em dois anos. O principal objetivo, diz Paula, é desaprender e aprender de forma diferente. Segundo ela, 54% das iniciativas visam ao aumento da produção e redução de custos.
A lista da 100 Open Startups de 2020 inclui ainda Unilever e Raízen entre as Top 10. Em sétimo lugar, a fabricante de açúcar e etanol e distribuidora de combustíveis Raízen criou a Pulse, um hub de inovação que nasceu como uma forma de incentivar a tecnologia no setor de agronegócios.
Hoje, no entanto, a empresa busca soluções também para a área de logística, distribuição comercial, operação e recursos humanos. Pedro Noce, gerente de inovação digital da empresa, afirma que desde sua criação, há três anos, o Pulse já soma 38 startups associadas.

Baseadas em ativos da floresta, empresas nascentes impulsionam a bioeconomia

Região Amazônica deve ser beneficiada e dar um salto em sua participação no PIB, hoje de apenas 8%

Região Amazônica deve ser beneficiada e dar um salto em sua participação no PIB, hoje de apenas 8%


/NELSON ALMEIDA/AFP/JC
O universo de startups que está nascendo na Amazônia com foco em atividades sustentáveis pode ser exemplo para fomentar a bioeconomia que governos, grupos empresariais, investidores e ambientalistas buscam para desenvolver a região e gerar renda para a população sem derrubar ou queimar a floresta. Baseados em produtos e projetos locais, que vão de açaí a cosméticos, pequenos negócios inovadores começam a transformar o cenário regional.
A economia verde, ou de baixo carbono, deve ajudar a Região Amazônica - que representa cerca de 60% do território brasileiro - a dar um salto em sua participação no Produto Interno Bruto (PIB), hoje de apenas 8%, segundo avaliação de especialistas no tema.
O caminho trilhado por um número crescente de startups amazônicas para essa nova economia envolve comunidades ribeirinhas, indígenas, quilombolas e agricultores familiares. A lógica está em aplicar ciência e tecnologia a dezenas de ativos da região, desde o início da cadeia de produção, para aumentar o valor dos produtos e beneficiar as populações locais.
Fabricante de cosméticos com óleos extraídos de plantas da região, a startup Biozer se prepara para exportar seus produtos aos EUA, Emirados Árabes e Europa. Já o Café Agroflorestal de Apuí usa grãos de plantações em áreas sombreadas pela floresta e será enviado para a Alemanha. Os chocolates da De Mendes são feitos com cacau nativo colhido por ribeirinhos e índios e chegam a consumidores de vários Estados e também do exterior.
"Não tem como manter a floresta de pé sem gerar renda para a população local", afirma Mariano Cenamo, engenheiro florestal e diretor de Novos Negócios do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), que promove programas de aceleração de negócios de impacto.
Dono da maior biodiversidade vegetal do mundo, o Brasil possui cerca de 50 mil espécies de plantas, das quais pelo menos 20 mil endêmicas - que ocorrem somente no País. Embora todos os biomas nacionais tenham capacidade de desenvolver uma economia baseada na biodiversidade, é a região da Amazônia que oferece as condições para investimentos imediatos.
Estudo feito pelo WRI Brasil com base em dados do Censo Agropecuário do IBGE mostra que 74% das atividades extrativistas não exaustivas (com sementes, folhas, frutos, óleos, sem levar à derrubada da árvore) estão na Amazônia.
Idealizador do projeto Amazônia 4.0, o pesquisador Carlos Nobre, do Instituto de Estudos Avançados da USP, diz que o conceito de bioeconomia visa a promover sistemas de produção baseados no uso e na conservação dos recursos biológicos da floresta em pé. Segundo ele, atividades extrativistas realizadas na região, apesar da pequena escala, já são mais lucrativas do que desmatar. O valor anual da produção de carne e soja, por exemplo, é de R$ 604 por hectare; no caso do açaí, cacau e castanha, chega a R$ 12,3 mil.
Especialista do WRI no tema, o economista e biólogo Rafael Feltran-Barbieri vai na mesma linha e calcula que o extrativismo não exaustivo é particularmente rentável para os pequenos proprietários. "Para as pequenas propriedades, os produtos nativos cultivados trazem renda média de R$ 3.100 por hectare ao ano. Quem faz rotação de soja e milho, tira cerca de R$ 1.762/ha/ano. Já a pecuária de corte, rende apenas R$ 1.250/ha/ano", afirma.
"Mas a exploração de produtos in natura é só a ponta do iceberg para a bioeconomia. Há uma grande diversidade de substâncias que podem ser produzidas em escala", diz.
 
Para Carlos Nobre, para isso vingar como uma alternativa econômica é preciso investir em uma bioindustrialização local, que possa beneficiar os produtos, gerando mais renda e empregos.
 
Para o economista José Roberto Mendonça de Barros, há aí uma enorme oportunidade. "Com pesquisa, que foi justamente o que transformou o agronegócio brasileiro, é sim possível desenvolver esses projetos e ganhar escala", afirma. O caminho, segundo ele, passa pela transformação de matérias-primas em novos materiais e pelo pagamento por serviços ambientais, como dar a proprietários de terra uma renda para preservar uma nascente.
 
Mendonça de Barros ressalta que a pandemia acentuou a tendência de que a sustentabilidade é indispensável. "Ganha força a ideia de que é possível transformar partes do sistema de produção em direção à sustentabilidade. E isso vai entrar na experiência das grandes empresas."
 
 

Klabin procura parceria para solucionar destino de resíduos sólidos

A Klabin procura parceiro que a auxilie na destinação dos dregs, resíduos sólidos gerados a partir da fabricação de celulose. Na semana passada, a companhia abriu uma nova edição do Pitch Day, um programa de inovação que seleciona startups e centros de pesquisa que ofereçam tecnologias sustentáveis para solucionar desafios enfrentados pela empresa. As inscrições vão até 19 de setembro. A Klabin, grande produtora e exportadora de papéis para embalagens, explica que os dregs são materiais sólidos compostos por agentes químicos, que são gerados no processo de fabricação de celulose nas fábricas de Telêmaco Borba e Ortigueira, no Paraná. Esses resíduos podem ser utilizados em aplicações como agricultura, artefatos de cimentos, cerâmicas, tijolos, olarias, clinquers e pavimentação.
 
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