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Opinião

- Publicada em 03h00min, 31/08/2020.

Como o ESG está impactando o agronegócio

Daniela Coelho é diretora associada de riscos e performance na ICTS Protiviti

Daniela Coelho é diretora associada de riscos e performance na ICTS Protiviti


ICTS PROTIVITI/DIVULGAÇÃO/JC
Daniela Coelho
Representando mais de 20% do PIB, o agronegócio tem grande importância na economia brasileira. Com todo esse peso, o setor não poderia ficar de fora do debate sobre as iniciativas de responsabilidade ESG (Environmental, Social and Governance ou meio ambiente, social e governança), que vem ganhando manchetes e causando mobilização no mundo empresarial.
Representando mais de 20% do PIB, o agronegócio tem grande importância na economia brasileira. Com todo esse peso, o setor não poderia ficar de fora do debate sobre as iniciativas de responsabilidade ESG (Environmental, Social and Governance ou meio ambiente, social e governança), que vem ganhando manchetes e causando mobilização no mundo empresarial.
Para quem ainda não está familiarizado com o tema, os critérios do ESG evoluíram para uma metodologia de investimento que abrange fatores de sustentabilidade como forma de identificar empresas com modelos de negócios superiores, oferecendo uma visão adicional sobre a qualidade da gestão, cultura e perfil de risco de uma empresa, o que vem influenciando a forma como gestores de ativos e investidores avaliam as carteiras de investimentos.
Trazendo para o mundo do agronegócio, as discussões de sustentabilidade consideram como o setor está se preparando, adaptando e respondendo a diferentes questões, como as mudanças climáticas, a valorização da segurança e das condições de trabalho de seus colaboradores e terceiros, de que forma estão enfrentando a escassez de recursos naturais e quão comprometidos estão com valores éticos e de transparência.
No último Relatório Global de Riscos do Fórum Econômico Mundial, os cinco principais riscos listados que envolvem assuntos de longo prazo estão relacionados às questões ambientais. Junto a esse alerta, a pandemia do novo coronavírus trouxe ainda mais luz e reflexões sobre os riscos aos quais muitos não davam o devido foco. Aliás, riscos ambientais e doenças infecciosas já são citados há alguns anos neste relatório.
Pensando que a indústria agropecuária trabalha fortemente com a manipulação de alimentos, questões sobre contaminação, inspeções de qualidade e controle da cadeia produtiva acabam tendo relação com a segurança dos alimentos e, consequentemente, trazem alertas para a introdução de doenças por este meio. E, considerando o momento em que o mundo está com os olhos voltados para a crise da Covid-19, qualquer ameaça à saúde deve ser amplamente considerada nas análises de risco.
Presenciamos um movimento que ocorre no mundo todo. Vemos pressões externas de investidores para a divulgação e o desempenho do ESG, pois as informações contidas apoiam as tomadas de decisão. Em contrapartida, empresas que já fazem uso normalmente se beneficiam de uma forma ampla e contemplam ambientes de controle mais fortes, o que as torna mais atrativas e geram maior retenção de funcionários, que buscam por companhias que impactam positivamente e que tenham um propósito.
Na ponta, clientes estão cada vez mais interessados em comprar de empresas focadas em sustentabilidade e que tenham "produtos verdes", o que significa um aumento da conscientização do público em geral para problemas relacionados à sustentabilidade.
Felizmente, parte do setor já vem abraçando iniciativas para combater os impactos negativos que geram em função das suas atividades produtivas e de negócio. Muitas já são signatárias de pactos e acordos globais e realizam reportes com base em padrões de métricas e indicadores internacionais, além de buscarem certificações ou reconhecimentos, como o Selo Agro Integridade do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Para um setor tão estratégico como o agronegócio, deixar de considerar os aspectos ambientais, sociais e de governança não é uma opção.
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