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Porto Alegre, domingo, 19 de julho de 2020.
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Jornal do Comércio

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Empresas & Negócios

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entretenimento

- Publicada em 03h00min, 01/06/2020. Alterada em 03h00min, 01/06/2020.

Adiar eventos é saída para reduzir prejuízos

Não se sabe ainda quando nem como competições esportivas e espetáculos poderão ser retomados

Não se sabe ainda quando nem como competições esportivas e espetáculos poderão ser retomados


GERD ALTMANN - PIXABAY/DIVULGAÇÃO/JC
Organizadores de megaeventos afetados pela pandemia do coronavírus apostam que conseguirão reduzir perdas provocadas pela crise adiando a sua realização, ganhando tempo para renegociar contratos com patrocinadores e fornecedores à espera do fim do distanciamento social.
Organizadores de megaeventos afetados pela pandemia do coronavírus apostam que conseguirão reduzir perdas provocadas pela crise adiando a sua realização, ganhando tempo para renegociar contratos com patrocinadores e fornecedores à espera do fim do distanciamento social.
Além de evitar custos que teriam com o cancelamento dos eventos, essas empresas também buscam condições para se adaptar às mudanças que certamente serão exigidas pelas autoridades para permitir a retomada das suas atividades.
Não se sabe ainda quando nem como competições esportivas, espetáculos ao vivo e congressos empresariais poderão ser retomados, mas é certo que os organizadores desses eventos terão custos adicionais para atender a novas exigências para reduzir riscos à saúde das pessoas.
Há também incertezas sobre o ambiente que as pessoas encontrarão quando puderem sair de casa, por causa da paralisia da atividade econômica durante a quarentena e do seu impacto sobre a renda e a disposição dos consumidores para voltar a buscar entretenimento nas ruas.
"Estamos no escuro, e o que consigo ver de outubro em diante é um completo nevoeiro", diz o empresário Duda Magalhães, presidente da Dream Factory e vice-presidente do grupo Artplan, responsável por eventos como o Rock in Rio.
Cancelar eventos sai mais caro porque seus organizadores acumulam despesas antes de sua realização para garantir local para a festa, patrocínios e a presença de artistas e atletas - e nem sempre o seguro contratado cobre perdas em caso de cancelamento.
Em abril, os organizadores do torneio anual de tênis de Wimbledon, com início previsto para junho, anunciaram o cancelamento neste ano. O Reino Unido acabara de entrar em quarentena, e a empresa responsável concluiu que seria impossível realizar os jogos.
Os organizadores de Wimbledon deverão receber das seguradoras US$ 142 milhões (R$ 824 milhões), segundo a consultoria britânica GlobalData. É o suficiente para indenizar perdas sofridas por seus patrocinadores, mas o cancelamento do torneio londrino causará ainda uma perda de US$ 212 milhões (R$ 1,2 bilhão) em direitos de transmissão pela televisão e ingressos a torcedores.
O início do torneio de Roland Garros, na França, foi adiado de maio para setembro, sem que se saiba em que condições ele poderá ser realizado e se será possível que o público acompanhe as partidas no estádio. Os responsáveis pela competição temem perdas de US$ 280 milhões (R$ 1,6 bilhão).
No caso da Olimpíada de Tóquio, adiada para 2021, analistas estimam que as seguradoras cobririam cerca de US$ 2,6 bilhões (R$ 15 bilhões) em caso de cancelamento - pouco perto dos US$ 12 bilhões (R$ 69 bilhões) que os japoneses já investiram.
Apólices de seguro para grandes eventos em geral cobrem prejuízos causados por guerras, desastres naturais e doenças infecciosas, mas muitas excluem eventos como a pandemia do coronavírus. Mesmo assim, há garantia de cobertura em muitos casos, afirmam especialistas.
"O mercado reconhece que há cobertura para muitos fatos associados à pandemia, mesmo que ela não seja a causa direta", diz o advogado Ernesto Tzirulnik. Medidas tomadas pelos governos para conter o vírus, como a proibição de aglomerações e eventos, em geral dão direito à cobertura.

Futebol brasileiro segue em standby

Times estão repensando orçamentos e prevendo algum retorno para o segundo semestre

Times estão repensando orçamentos e prevendo algum retorno para o segundo semestre


CAPRI23AUTO - PIXABAY/DIVULGAÇÃO/JC
No Brasil, ainda não há definição quanto à retomada dos campeonatos de futebol. Em abril, o Grupo Globo, que tem os direitos de transmissão dos principais campeonatos, fechou acordo com os maiores clubes para fazer parte dos pagamentos que estavam previstos enquanto a situação não se resolve -serão 40% em abril e 30% em maio e junho.
O arranjo dá algum oxigênio para os times atravessarem a crise e, ao mesmo tempo, evita questionamentos na Justiça que poderiam esgarçar as relações entre a Globo, os clubes e os patrocinadores. Se os campeonatos fossem simplesmente cancelados, haveria prejuízos para todos e disputas judiciais.
"Todo o mundo está conversando e revendo seus contratos", diz o advogado Marcos Motta, com clientes nos mundos dos esportes e do entretenimento. "O objetivo é evitar uma corrida por reembolso e indenização, revendo os formatos dos eventos e oferecendo novos conteúdos para manter os contratos."
Há também preocupação com a concentração de eventos tentando se viabilizar num curto espaço de tempo, no segundo semestre, quando se espera que será possível retomar as atividades econômicas em ritmo mais acelerado. Com desemprego em alta e renda em queda, não haverá público para todos.
"Muitos eventos adiados agora se revelarão inviáveis lá na frente e serão cancelados", diz o economista Luiz Gustavo Barbosa, da Fundação Getulio Vargas (FGV). "Com menos renda disponível para o lazer, as famílias tendem a dar prioridade a eventos maiores e tradicionais, com maior faturamento."
 

Retomada de espetáculos depende de revisão de regras quanto ao distanciamento

O tradicional festival Lollapalooza foi transferido de abril para dezembro

O tradicional festival Lollapalooza foi transferido de abril para dezembro


LOLLAPALOOZABR/DIVULGAÇÃO/JC

No Brasil, a Time For Fun anunciou, em março, que faria o possível para evitar cancelamentos. A empresa adiou o festival Lollapalooza de abril para dezembro. Ela diz que três das atrações principais estão mantidas, mas ainda não definiu a relação completa de bandas que vão tocar no evento.

A maioria dos espetáculos promovidos pela Time for Fun no Brasil foi adiada para agosto e setembro. No começo de maio, a empresa ainda tinha ingressos à venda na internet para shows em julho, em datas que se tornaram duvidosas no cenário atual. Ainda havia discussão com os artistas para remarcar os eventos, segundo a empresa.

Muito dependerá das condições que vierem a ser estabelecidas pelas autoridades para a retomada dessas atividades. Empresas do setor esperam restrições a locais fechados e a eventos muito numerosos, além de medidas de segurança, como controle de temperatura e distribuição de máscaras na porta.

"O desejo das pessoas de voltar às ruas significa que haverá uma demanda reprimida quando isso puder acontecer, mas será necessário tomar medidas, em geral custosas, para reconquistar a confiança do público", afirma Alan Adler, presidente da IMM, que organiza eventos como a São Paulo Fashion Week.

No mundo do entretenimento, o futebol é visto como um laboratório em que várias medidas serão testadas primeiro. Os principais clubes europeus voltaram a treinar em abril, mas a volta dos jogos ainda não tem data certa -a exceção, por ora, é o Campeonato Alemão, reiniciado neste fim de semana. As partidas, como na Bundesliga, provavelmente serão realizadas sem a presença de torcedores.

Haverá perda de receitas com os portões fechados, mas a bilheteria é o que menos contribui para o faturamento dos times. Os direitos de transmissão pagos pelas emissoras de televisão e os patrocinadores que anunciam nas camisas dos jogadores e nos estádios garantem mais da metade do faturamento.

UFC corre para marcar lutas e cumprir contratos

Evento tem um contrato anual de US$ 750 milhões com a ESPN e precisa remarcar as disputas

Evento tem um contrato anual de US$ 750 milhões com a ESPN e precisa remarcar as disputas


DOUGLAS P. DEFELICE/GETTY IMAGES/AFP/JC
O UFC encerrou a maratona de três eventos em uma semana já pensando nos próximos. Tão logo a última luta em Jacksonville, na Flórida, nos Estados Unidos, terminou, o presidente da franquia, Dana White, anunciou que o próximo card da organização acontecerá em Las Vegas. Se o estado de Nevada não reabrir suas atividades, o evento, então, irá para o Arizona.
Mais que um pioneirismo em tempos de crise, a atitude de Dana White é uma resposta à pressão para que o UFC voltasse às atividades. A organização tem um contrato de US$ 750 milhões (R$ 4,1 bilhões) com a ESPN dos EUA para a realização de 42 eventos em 2020, segundo a revista Sports Illustrated. Menos eventos significam menos dinheiro na conta das empresas donas do Ultimate.
A pandemia do novo coronavírus (causador da Covid-19) fez com que as chances que esse acordo fosse cumprido diminuíssem. O UFC chegou a ficar quase dois meses sem realizar lutas por causa da crise sanitária. Ao todo, cinco eventos foram cancelados antes da maratona de três cards em oito dias em Jacksonville.
A pressa para voltar às atividades incomodou até a própria ESPN, quando Dana White fechou um acordo para mandar o UFC 249 em uma reserva indígena na Califórnia. Pela legislação norte-americana, terras indígenas não precisam seguir regulamentações estaduais. "Hoje, recebemos uma ligação dos mais altos escalões da Disney e da ESPN. E os poderosos que estão lá me pediram para desistir e não fazer esse evento no sábado", disse Dana White, na época do cancelamento.
O retorno foi aceito apenas quando a Flórida mudou suas recomendações. Desde 9 de abril, os eventos esportivos passaram a ser "serviços essenciais" no estado. Assim, o caminho do UFC ficou livre para o retorno, mesmo que sem público.
Mesmo com a lei dessa vez ao seu lado, Dana White recebeu críticas por insistir em realizar eventos enquanto os casos de contágios nos EUA aumentam. Em resposta, o chefão anunciou um protocolo de segurança sanitária que teria que ser cumprido nos três eventos.
"As pessoas pensam que eu falo 'não me importo com o coronavírus e vamos fazer isso de qualquer jeito'. Nós sabemos o quão sério é o coronavírus. Saúde e segurança foram as prioridades nas últimas semanas e sempre foram uma prioridade para nós nesses últimos 20 anos", disse na época.
A pressão sobre o UFC aumentou um dia antes do primeiro evento em Jacksonville. Escalado para o card preliminar contra Uriah Hall, Ronaldo Jacaré e mais dois membros de sua equipe foram diagnosticados com o coronavírus, mas nem assim o UFC 249 foi cancelado.
"Realizamos 1.200 testes essa semana em 300 pessoas. Não é algo inesperado uma pessoa ter seu teste como positivo. O sistema funciona. E o bom disso é que agora que sabemos que Jacaré foi diagnosticado, ele está fazendo o que é preciso e estamos aqui para ajudá-lo no que for preciso", disse Dana White à ESPN no dia em que o brasileiro foi diagnosticado com a doença.
Desde então, não houve mais nenhum caso confirmado entre os lutadores que participaram dos três eventos em Jacksonville.
"Estou feliz que acabou. Isso tudo foi um sucesso em todos os sentidos. Ninguém ficou doente. Não há garantias na vida, mas aqui estamos e vamos agora para casa. Foram grandes eventos. Uma grande semana", comemorou Dana White.
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