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Porto Alegre, quarta-feira, 22 de julho de 2020.

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sistema financeiro

- Publicada em 03h00min, 27/01/2020. Atualizada em 09h27min, 27/01/2020.

Fintechs apostam no saque

Papel-moeda é utilizado por 60% dos brasileiros como principal meio de pagamento

Papel-moeda é utilizado por 60% dos brasileiros como principal meio de pagamento


JOÃO MATTOS/ARQUIVO/JC
O crescimento das fintechs - como são chamadas as startups financeiras e os bancos digitais - fez com que uma necessidade antiga dos clientes precisasse ser atendida: um local para sacar dinheiro.
O crescimento das fintechs - como são chamadas as startups financeiras e os bancos digitais - fez com que uma necessidade antiga dos clientes precisasse ser atendida: um local para sacar dinheiro.
Mesmo com a não cobrança de tarifas em cartões de débito e crédito, 60% dos brasileiros ainda utilizam o papel-moeda como principal meio de pagamento. Visando a esse público, fintechs estão utilizando supermercados, padarias e lojas como caixa.
Em vez de ir ao terminal de autoatendimento e pagar taxas que podem chegar a R$ 6,50 por saque, o cliente pode retirar dinheiro em uma loja, com custos mais vantajosos. A ideia é que os comerciantes utilizem recursos do seu estabelecimento para a concessão dessas retiradas, reduzindo o volume de dinheiro no caixa que precisará ser depositado em um banco no fim do dia, a chamada sangria diária. Tudo é feito por meio de um aplicativo no celular, com QR Code. Não há sequer cartões envolvidos na operação.
A Saxperto é uma startup que foi lançada em dezembro de 2019 para intermediar o saque entre fintechs e lojas, após seus fundadores, com experiência no mercado financeiro virtual, perceberem a dificuldade que era para o consumidor conseguir retirar dinheiro sem pagar tarifas elevadas.
Sem os custos de instalação de um terminal, é possível oferecer taxas mais baixas. Ao abrir o aplicativo da Saxperto, que já está integrado a fintechs como PicPay, Mercado Pago, Nubank, PagBank e Agibank, um mapa exibe os estabelecimentos mais próximos com dinheiro disponível.
"Conseguimos fazer a operação por um custo de até R$ 2,50, com varejistas que tinham o hábito de fazer sangria todo dia. O proprietário ganha na taxa de remuneração e com mais pessoas indo no negócio dele. São pessoas que acabam comprando algo", destaca o fundador da Saxperto, Tiago Godoi, ex-Mercado Pago e ex-consulto da McKinsey.
A startup, que conta com o incentivo do programa Lift do Banco Central (BC), de fomento à inovação no sistema bancário brasileiro, tem cerca de 100 parceiros operando atualmente, e pretende encerrar o ano de 2020 com 80 mil conveniados, distribuídos pelo País, inclusive no interior, onde a rede bancária é pequena.
Na pequena Ribeiro do Pombal, cidade com 53 mil habitantes no interior da Bahia, a 300 quilômetros de Salvador, a loja de informática de Pierre Santos da Silva, de 31 anos, virou o ponto de saque daqueles que não podem andar 250 quilômetros até o caixa eletrônico mais próximo. "Antes, fazia transferência e sacava no banco grande da cidade. Hoje, poderia sacar na minha loja, o que é uma vantagem. A onda dos bancos digitais é nova, e com certeza vai crescer o fluxo na loja", afirma Silva, que viu o movimento na sua loja crescer 30% com a implementação de serviços financeiros.
O modelo da Saxperto é similar ao da gigante Brinks, empresa norte-americana de transporte de valores, que planeja lançar, no mês de fevereiro, o serviço Brinks Pay. Com foco nas carteiras digitais, o empreendimento, criado totalmente no Brasil, pretende utilizar a rede de clientes em mais de três mil municípios de todo o País para oferecer dinheiro em espécie em lojas.
O sistema da Brinks vai usar parte dos recursos que seria retirado no transporte dos valores, reduzindo os custos operacionais da empresa e dos lojistas participantes, que são remunerados por cada saque efetuado através do sistema.
"Vimos que seria possível dar uma solução abrangente e eficiente ao recolhimento de valores, uma vez que o dinheiro da loja está disponível para saque, aumentando a oferta de serviços para usuários de bancos digitais e tradicionais", explica Gil Hipólito, diretor de Marketing e Novos Negócios da Brinks.

Capilaridade é grande desafio

O aumento da capilaridade das fintechs tem se mostrado um desafio. Dados do BC mostram que, em dezembro, 2.274 municípios (40% do total do País) não contavam sequer com caixa eletrônico.

A Saque e Pague, empresa de caixas de autoatendimento, firmou acordo com a ABFintechs, para permitir que as mais de 360 instituições associadas possam oferecer o serviço de retirada nos terminais da rede. Com 10% das operações já feitas por 27 parceiros digitais, a ideia é saltar de 260 para 350 cidades atendidas em 2020, com foco no interior.

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