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Porto Alegre, segunda-feira, 13 de janeiro de 2020.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a Palavra

Edição impressa de 13/01/2020. Alterada em 12/01 às 23h28min

Mahindra cresce mesmo com retração nacional na venda de tratores

'Nosso objetivo é alcançar 3% ou 3,5% do mercado brasileiro', diz Jak Torretta, diretor geral da empresa

'Nosso objetivo é alcançar 3% ou 3,5% do mercado brasileiro', diz Jak Torretta, diretor geral da empresa


MAHINDRA/DIVULGAÇÃO/JC
Thiago Copetti
A projeção de vendas de tratores pela Mahindra Brasil até março de 2020 (quando a multinacional indiana encerra seu ano fiscal) é de uma alta de 75% nos negócios que tem no Brasil. Antes mesmo de encerrar 2019, o diretor-geral da companhia, Jak Torretta, já classificava o ano como "fantástico". Ainda que a base não seja tão expressiva - Torretta estima que a Mahindra em Dois Irmãos, no Rio Grande do Sul, deve ter fabricado em torno de 900 tratores em 2019 - a empresa tem o que comemorar. A multinacional divulga, por exemplo, ter sido a única fabricante de tratores com crescimento em 2019.
A projeção de vendas de tratores pela Mahindra Brasil até março de 2020 (quando a multinacional indiana encerra seu ano fiscal) é de uma alta de 75% nos negócios que tem no Brasil. Antes mesmo de encerrar 2019, o diretor-geral da companhia, Jak Torretta, já classificava o ano como "fantástico". Ainda que a base não seja tão expressiva - Torretta estima que a Mahindra em Dois Irmãos, no Rio Grande do Sul, deve ter fabricado em torno de 900 tratores em 2019 - a empresa tem o que comemorar. A multinacional divulga, por exemplo, ter sido a única fabricante de tratores com crescimento em 2019.
"Enquanto a venda de tratores no País caiu mais de 10% (de cerca 35 mil, em 2018, para próximo de 31 mil em 2019, dados até novembro, de acordo com a Anfavea), nós já tínhamos crescido em torno de 60%", comemora Torretta.
Com vendas no Brasil desde 2013, a empresa passou a ter produção própria na fábrica de Dois Irmãos em outubro de 2016. E, agora, prepara a entrada em um segmento bem mais pesado: o de colheitadeiras. Em entrevista ao caderno Empresas & Negócios, o executivo falou sobre esses e outros projetos, e avalia que a exigência de um percentual mínimo de nacionalização necessário para inclusão nas linhas de financiamento público prejudica, no final das contas, o produtor.
JC Empresas & Negócios - O senhor costuma dizer que a obrigatoriedade de nacionalizar a produção de tratores para poder vender com financiamentos públicos, como o Pronaf, no fim das contas, prejudica o produtor. Por quê?
Jak Torretta - A nacionalização encarece o produto. O preço do trator que trazemos da Índia, por exemplo, com a nacionalização de peças exigida pelo governo, aumenta em até 35%. E o que motivava a nacionalização, o uso do Moderfrota, já é uma linha que o grande produtor não tem mais interesse em pegar. O juro está alto e a Selic, em queda. Se ele tem um bom relacionamento com seu banco, tem linha que até mesmo com o CDC é mais vantajoso. Está sobrando dinheiro para alta renda, ao contrário dos recursos para o agricultura familiar.
E&N - E com isso, qual o cenário para a indústria de máquinas para 2020?
Torretta - De uma forma geral, os preços agrícolas não estão ruins. Mas, para investimento de longo prazo, falta recursos, e os critérios dos bancos para concessão são pesados. Isso tem segurado o mercado.
E&N - Com a Selic baixa e o Plano Safra subindo juro neste ciclo, como mercado vai equacionar a questão?
Torretta - Além do Pronaf, temos feito aliança com alguns bancos privados. Obviamente que não com juros tão competitivos quanto o Pronaf, mas ajuda bastante. O governo já sinalizou, com a alta dos juros do Plano Safra, que quer ficar fora dessa equalização dos juros. Para o pequeno agricultor, familiar, ainda existe a necessidade do subsídio. Esse vai ser o mais prejudicado. Mesmo que a indústria consiga captar recursos, até fora do Brasil, para financiar o produtor, não conseguirá chegar aos 4,5%, com a carência e o prazo de 10 anos do Pronaf. Podemos chegar a prazo de cinco anos. Alguns bancos até estão conseguindo estender um pouco, mas é um processo difícil. O agricultor, os fabricantes e o sistema financeiro vão ter que começar a se entender melhor e viabilizar os negócios, se não a agricultura para. E o parque de máquinas brasileiro ainda é sucateado e precisa ser renovado.
E&N - Isso vale mais para os tratores, ou em geral?
Torretta - Tratores mais, sim. Mas colheitadeiras também. No caso dos tratores, 52% da frota tem mais de 15 anos. Com mais de 10 anos, a manutenção passa a ser alta, o custo é elevado. Por outro lado, em colheitadeira, é mais grave ainda. Por mais que lá em 2012/2013, por exemplo, termos vendidos entre 8 mil e 8,5 mil colheitadeiras por ano, a partir de 2014, despencou para 6 mil máquinas. E 56% da frota de colheitadeiras tem mais de 15 anos. E colheitadeira sucateada, claro, é pior do que trator. A colheitadeira colhe o que foi plantado e, se para, está desgastada, começa a ter perda de grãos, tem custo adicional de manutenção. E na competição da commodities com o mundo inteiro esse custo é perda de mercado.
E&N - A Mahindra, por sinal, já anunciou que vai ingressar no mercado de colheitadeiras. Como está este projeto?
Torretta - Fizemos testes com colheitadeiras no Brasil na última safra em diferentes lugares, no Rio Grande do Sul, no Paraná, no Centro-Oeste. Agora, estamos recebendo o segundo protótipo com as alterações que solicitamos e vamos para uma nova bateria de testes. Está no momento de fazermos esse negócio, mas como colheitadeira é algo bastante complexo, creio que ainda precisamos de um ano, um ano e meio para entrarmos no mercado, com um produto nacionalizado.
E&N - E essa produção seria em Dois Irmãos?
Torretta - O local de produção ainda não está definido, mas na fábrica de Dois Irmãos não há espaço, especialmente para produzir colheitadeiras. Teremos de buscar um novo local.
E&N - Mas com o elevado crescimento neste ano, na venda de tratores, há alguma projeto de expansão para a fábrica na cidade?
Torretta - Com os investimentos que já fizemos, e modificações no processo produtivo, ainda temos capacidade para chegar a uma produção de 1,3 mil tratores. Neste ano, devemos fechar com próximo de 900. Então ainda temos espaço para crescer.
E&N - Qual a posição da Mahindra Brasil dentro dos negócios globais?
Torretta - O Brasil já é o quarto mercado. O nosso ano fiscal termina em março. Nosso objetivo é alcançar 3% ou 3,5% do mercado brasileiro. Para 2020, a meta é crescer a rede de concessionárias. Hoje, são 28, e nosso objetivo é alcançar 40 pontos de venda em 2020. É a principal estratégia para 2020, ampliar a rede de vendas. E o segundo é o portfólio de produtos. Desde que assumimos o negócio no Brasil, em 2017, já lançamos nove produtos.
E&N - E se poderia exportar a partir do Brasil?
Torretta - Hoje, não. Nosso objetivo principal é o mercado brasileiro. Temos fornecido peças para alguns países, mas tratores em si, não. Depois que o mercado brasileiro estiver estabilizado, vamos começar com foco na América do Sul.  
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