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Porto Alegre, segunda-feira, 13 de janeiro de 2020.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Previdência

Edição impressa de 13/01/2020. Alterada em 12/01 às 22h26min

Aposentadoria exige cautela com novos tipos de investimento

Produtos inovadores não são indicados para quem tem projeto a longo prazo

Produtos inovadores não são indicados para quem tem projeto a longo prazo


/JOÃO MATTOS/ARQUIVO/JC
Precaução é a principal recomendação para quem acompanha o mercado de fintechs e deseja investir em novas modalidades pensando em aposentadoria. Esses produtos financeiros inovadores ainda não são indicados para o poupador que busca um projeto de longo prazo. Por ora, são ativos mais interessantes para investidores profissionais.
Precaução é a principal recomendação para quem acompanha o mercado de fintechs e deseja investir em novas modalidades pensando em aposentadoria. Esses produtos financeiros inovadores ainda não são indicados para o poupador que busca um projeto de longo prazo. Por ora, são ativos mais interessantes para investidores profissionais.
As classes de investimentos maduras do mercado financeiro, como títulos públicos, de crédito, fundos e ações, apresentam maior segurança para quem economiza. Crowdfunding, conhecido como vaquinha coletiva, peer to peer (empréstimos entre pessoas), equity ou crowdfunding de investimento e criptomoedas ainda não conquistaram espaço nessa lista.
É verdade que o número de empresas desses segmentos está em plena ascensão. Segundo a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), 26 plataformas eletrônicas de investimento participativo tinham permissão para operar em 12 de novembro.
O número representa crescimento de 85% em relação ao fim de 2018. Apenas no segundo semestre de 2019, oito companhias receberam registro do órgão fiscalizador.
Também é fato que os poucos resultados que surgem são tentadores. Em agosto, a plataforma de crowdfunding Kria anunciou a venda da startup investida Resale para o BTG. O retorno para alguns investidores, em três anos, chegou a 128%.
Em seu blog, a EqSeed também destaca um cenário favorável. Informa que suas empresas investidas Kokar Automação Residencial valorizou 67%, em dois anos, e a Prosumir, entre a primeira e a segunda rodada, 108%.
Mas, para o coordenador do curso de Economia da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EESP/FGV), Joelson Sampaio, ainda há muita imprevisibilidade em aplicações inovadoras, como o crowdfunding.
"É preciso tomar muito cuidado. São (ativos) imaturos quando você pensa em longo prazo. No meio do caminho, eles podem desaparecer e ampliar ainda mais o risco que já apresentam", avisa o acadêmico.
Em 2016, por exemplo, o mercado mundial ficou em alerta depois do caso da norte-americana Lending Club. Após problemas com a transparência sobre operações de empréstimos, o principal executivo na época, Renaud Laplanche, renunciou. A empresa ainda existe, mas atravessou um grande período de crise.
Segundo Sampaio, é importante acompanhar essas modalidades por, no mínimo, mais dois anos. Atualmente, são direcionadas aos investidores-anjo, com grande patrimônio e muito conhecimento financeiro.
A atratividade e o crescimento exponencial de várias startups financeiras ainda não compensam os riscos. Entre eles, a falta de liquidez e os riscos de mercado.
Existe, ainda, a chance de as empresas capitalizadas por vaquinhas e financiamentos apresentarem maus resultados por falhas na gestão, por exemplo. E, como consequência, darem calote quando o investidor quiser resgatar seu capital.
Além disso, a falta de dados históricos, devido aos poucos anos de existência, e tamanho dos segmentos, ainda pequenos, dificulta análises e projeções dos poupadores.
O professor José Roberto Savoia, que ministra aulas na Saint Paul Escola de Negócios, alerta sobre a taxa de mortalidade de startups. "Em cinco anos, sete em cada 10 delas não estarão mais aqui."

Economizar para a previdência deve ter segurança

Público de 18 a 25 anos aponta preguiça e falta de disciplina como motivos  do descontrole

Público de 18 a 25 anos aponta preguiça e falta de disciplina como motivos do descontrole


/FREEPIK/DIVULGAÇÃO/JC
Segundo especialistas, o planejamento para a previdência deve apresentar segurança para quem economiza. Quando se trata de veículos de investimentos consolidados, até a renda variável é aconselhada para quem busca previdência. Isso porque é comum que, quanto mais longo o prazo para resgate, mais interessante seja o resultado.
As oscilações diárias imprevisíveis desses ativos, como ações e fundos de índices, são compensadas pelos vastos leques de informações disponíveis, pela regulamentação e pela fiscalização por órgãos competentes.
Coordenador do MBA Finance da FIA, Roy Martelanc reforça ainda a necessidade de que o ativo tenha um lastro. Descarta totalmente as criptomoedas. "Não há valor subjacente. Não é amarrado a nada. A pessoa acaba caminhando na corda bamba que está presa a nada. Se você me falar que um bitcoin, daqui a 20 anos, vai valorizar ou não, eu vou questionar. Sem lastro, não há projeções", avalia o especialista.
Para entender melhor, é como pensar que as ações negociadas em bolsa de valores têm as empresas emissoras como garantia. A aquisição de um papel é o mesmo que ter direito a um pedacinho dessa companhia.
Sobre fundos inovadores, como o Vitreo Canabidiol FIA IE, gerido pela fintech Vitreo e aprovado recentemente pela CVM, que direciona recursos para empresas que atuam com a maconha legalmente em outros países, o acadêmico orienta muito cuidado.
"É um mercado que acabou de se formar e não tem muito fornecedor. Quem são eles? Muitos produzem em casa. Como estudar esse segmento (para fazer melhores escolhas), que é prioritariamente norte-americano?"
Mas não descarta a opção para os agressivos. "Se você quer rentabilidade, deve arriscar, mas com muita precaução. Se acha que vale a pena o risco de perder uma parte do seu capital, deve investir", afirma Martelanc, avisando que o aporte deve ser bem menor.
O consultor e educador financeiro André Massaro faz uma analogia dos novos investimentos a alguns já conhecidos, que estão fora da regulamentação do mercado financeiro.
São eles a negociação imobiliária e as obras de arte. "Como investimentos alternativos, fogem um pouco da rede de segurança", diz. Além dos problemas de liquidez, há vários fatores externos, como a economia, que podem influenciar nos seus preços.
Portanto, são aconselhados para quem já acumulou sua reserva de emergência. Está tranquilo quanto ao investimento pensando em previdência. E ainda tem dinheiro sobrando para arriscar em troca de maior rentabilidade. 
 

Hábito de poupar deve começar cedo

Poupar para a previdência parece impossível. Mas aplicações mensais, que oscilam entre R$ 300,00 e R$ 600,00, podem garantir complementação ou renda na aposentadoria.
Com R$ 588,93 por mês, corrigidos pela inflação, por exemplo, é possível ter uma renda mensal com poder de compra atual de R$ 5 mil na aposentadoria.
O valor pode ser ainda menor se o objetivo é complementar o benefício do governo federal. Caso a Previdência Social libere R$ 2 mil para o segurado no futuro, o valor do aporte mensal, hoje, cairia para R$ 351,56. Lá na frente, isso garantiria mais R$ 3 mil por mês.
De acordo com projeção da coordenadora do Centro de Estudos de Finanças da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas, Claudia Yoshinaga, quanto maiores o prazo e o risco, menor a parcela a poupar.
Os cálculos consideram um investidor agressivo, com início da poupança aos 20 anos de idade e a aposentadoria aos 65 anos. O objetivo é fixado em garantir renda de R$ 5 mil por mês, no futuro, com a manutenção do poder de compra deste valor.
Por isso, Claudia afirma ser necessário corrigir os aportes com a inflação. Os valores consideram a média de sobrevida, calculada pelo IBGE, de 18 anos e nove meses, e o desconto de IR (Imposto de Renda).
"Um bom momento para as pessoas aumentarem suas contribuições é quando elas têm aumento de salário", diz a acadêmica. O novo valor ainda não foi incorporado aos gastos, e o investidor sentirá menos impacto.
Coordenador de cursos de pós-graduação em Gestão de Seguros e Previdência da Faculdade Fipecafi, Marcelo Neves reforça a importância de diversificação da carteira para todos os perfis, seja conservador, moderado ou agressivo. Essa é uma maneira de mitigar as perdas.
Aos conservadores, ele aconselha alocar, aproximadamente, metade do dinheiro em fundos DI e a outra metade, em Tesouro direto pós-fixado.
Para os moderados, o acréscimo na carteira, em menor quantidade, de CDBs de bancos de segunda e terceira linhas, limitados ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Também títulos públicos pré-fixados, fundos multimercados não alavancados e LCI (Letras de Crédito Imobiliário) que rendam acima de 85% do CDI.
Quando o assunto é investir com agressividade, Neves lembra os fundos de crédito privado. "Não se pode esquecer, nesse caso, dos fundos multimercados e dos fundos de ações."
Economista e planejador financeiro da gestora Magnetis, Daniel Jannuzzi concorda com a diversificação para o longo prazo. "Mesmo com todas as projeções, é difícil prever o que pode acontecer no caminho do investidor (até a aposentadoria)."
Para o investidor moderado, Jannuzzi aconselha, como proteção que 56% da carteira esteja alocada em CDB, LCI e LCA (Letra de Crédito ao Agronegócio), com datas para resgate predefinidas e de longo prazo.
Nesse perfil, será necessário contribuir um pouco mais mensalmente. Isso devido ao menor risco, que, possivelmente, resultará em menos rentabilidade.
Para os conservadores, Jannuzzi propõe uma carteira com 50% de CDB, LCI e LCA. E a outra metade com títulos de crédito privado com rentabilidade acima de 100% do CDI.
Já Claudia Yoshinaga, da FGV, destaca um dos títulos mais longos do governo federal, as Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B) 2045, pós-fixadas, que garante rendimento mais a inflação. 

Planejar aposentadoria significa criar projeto de investimento

Planejar a aposentadoria ou seu complemento é criar um projeto de investimento. É importante que esse cronograma contemple uma reserva de emergência, metas de curto prazo e aportes para poupança com resgate apenas no longo prazo.
Proteger-se contra o desemprego é essencial, explica o consultor e educador financeiro André Massaro. Caso esse empecilho surja, a reserva para problemas inesperados evita a necessidade de movimentação de recursos já investidos para o futuro.
O volume a ser poupado deve ser definido individualmente. Mas, dependendo da qualificação, o indivíduo demora até 12 meses para se recolocar, diz o especialista. Portanto, é necessário acumular a soma de salários referente a esse período.
Como é impossível prever uma emergência, ele sugere liquidez diária ou semanal com retorno real. Até a caderneta de poupança.
Entram nesta lista, de acordo com Massaro, títulos públicos Tesouro Direto Selic, com baixo risco, já que seria necessário o país quebrar e o governo federal não pagar o investimento.
Também são sugeridos os CDBs (Certificados de Depósito Bancário), que têm como principal risco a quebra dos bancos emissores. Mas, nesse caso, o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) garante ao investidor até R$ 250 mil.
Após acumular a reserva para fins imprevisíveis, o momento é de estabelecer as metas de curto prazo. Trocar de carro, viajar para o exterior, reformar a residência ou ingressar em uma pós-graduação são exemplos.
Sem a necessidade de saque imediato, o educador orienta diversificar as aplicações com o acréscimo de títulos indexados à inflação. "É uma maneira de se proteger da inflação."
O terceiro passo são os aportes para a previdência. Nessa etapa, o poupador deve definir o seu perfil para não sofrer com a performance dos seus ativos e acabar resgatando em baixa, perdendo dinheiro.
Conservadores deverão olhar para investimentos seguros, de risco e rentabilidades menores. Como o prazo para resgate é de muitos anos, os juros sobre juros devem garantir um bom resultado.
O investidor moderado, que suporta mais emoções, pode colocar pequena parcela do valor investido em CDB de bancos de segunda linha, que pagam mais do que 100% do CDI, sugere o professor de finanças corporativas Haroldo Monteiro, da unidade do Rio de Janeiro da Trevisan Escola de Negócios.
Ele cita ainda como boas opções os CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e os CRA (Certificados de Recebíveis do Agronegócios). Principalmente porque são protegidos pelo FGC.
Para quem é considerado agressivo, que busca maior rentabilidade mesmo apostando mais em risco, os especialistas orientam a diversificação da carteira.
Fundos de investimentos, fundos multimercado, de índices (ETFs), ações e debêntures entram nas opções para esse perfil. Investimentos com retornos esperados acima de 130% do CDI. 

Guardar dinheiro, a longo prazo, exige muita disciplina

Poupar pensando em previdência é bem parecido. Fácil falar, mas difícil executar

Poupar pensando em previdência é bem parecido. Fácil falar, mas difícil executar


/JOÃO MATTOS/ARQUIVO/JC
Todos sabem as regras do emagrecimento: bastam uma dieta saudável e balanceada e a prática de atividades físicas. Poupar pensando em previdência é bem parecido. Fácil falar, mas difícil executar. Por isso, o caminho é entender a necessidade de renda no futuro, definir o valor a ser poupado, criar barreiras para acessá-lo com facilidade e estudar os investimentos.
Consciente dessa necessidade, é preciso treinar a mente. A pessoa deve se acostumar a ignorar parte da renda atual, diz a pro-reitora nacional de pesquisa da Escola Superior de Propaganda e Marketing e especialista em economia do consumo, Cristina Helena Pinto Mello. "Existe um conceito chamado contabilidade mental. O cérebro trabalha com caixinhas. E você deve atribuir parte do orçamento a cada uma dessas caixas."
Nesse momento do planejamento, já aparecem algumas dificuldades. Por exemplo, pensar em deixar de lado alguns gastos com consumo e lazer para investir. Além de colocar as contas no papel, os valores devem ser muito bem definidos nas "caixinhas mentais".
O engenheiro automotivo Eduardo Bastos, 35, de Indaiatuba (SP), passou por esse momento. Depois de saber sobre as experiências de colegas do trabalho no mercado de ações, ficou interessado. Enxergou a possibilidade de se aposentar melhor por meio de investimentos. Em 2007, deu início aos investimentos para previdência. "Fiz uma planilha que previa investimento de R$ 500,00 ao mês."
Acostumado com contas, Bastos não teve dificuldades em apertar seus gastos de consumo para fazer a reserva. "Eu queria chegar a R$ 1 milhão", lembra aos risos. O valor ainda não foi atingido, segundo ele, devido à aquisição da casa própria, mas ainda é um objetivo. "Disciplina não é natural do ser humano. Então qual é o motivo para a gente não poupar? É que poupar é um sacrifício. Benefício é consumir", diz o professor de finanças do Insper Michel Viriato.
O especialista lembra que, depois de planejar, é necessário disciplinar a atividade de investir. E faz uma analogia com a escovação de dentes. "O benefício é de longo prazo. Se deixar de lado, vai ter prejuízo lá na frente. Poupar é a mesma coisa."
Cristina orienta ainda evitar o desconto hiperbólico comum nas pessoas. "É uma percepção errada do futuro. Ou a gente acha que será muito fácil ou que será superdifícil chegar lá [investindo]." Esse pensamento, normalmente, atrapalha o pensamento estratégico do investidor e interfere em sua dedicação.
Segundo os especialistas ouvidos pela reportagem, usar transferências automáticas para uma segunda conta bancária é um bom começo para se acostumar com os investimentos.
Esse direcionamento pode ser até para a caderneta de poupança. Mesmo com a baixa rentabilidade real da aplicação. Isso porque é uma maneira de investir, vendo o dinheiro rendendo nos primeiros meses.
"O ato de fazer a aplicação é um transtorno. Então, para começar, investir automaticamente é uma ótima maneira para criar disciplina", afirma Viriato.
Segundo ele, as contribuições automáticas não precisam ser, necessariamente, só na poupança. O importante é, desde o começo, definir os objetivos, o perfil de risco e dar início aos aportes.
"As aplicações automáticas não querem dizer que não tem risco. O investidor pode fazer em vários tipos de fundos, como de ações, por exemplo", diz o professor de finanças do Insper.
Outra técnica é esconder o cartão da conta que está recebendo o investimento. "Coloque o dinheiro onde você não consiga mexer", orienta o coordenador do MBA Finance da FIA, Roy Martelanc. A dificuldade de acessar o recurso diminui a vontade de gastar. 
 

Brasileiro precisa de conhecimento financeiro

Adquirir conhecimento financeiro e sobre investimentos também é essencial para ter segurança nas decisões, avisa Cristina Helena Pinto Mello, da ESPM. Infelizmente, diz, a realidade do brasileiro é outra. "Segundo pesquisa da ESPM, de 2017, 44% da população tinha baixo conhecimento financeiro avançado, como calcular juros compostos", esclarece.
"Essas contas garantem mais o interesse pelos investimentos. Projetar o ganho dos juros sobre juros facilita a aceitação desse processo."
Por fim, afirmam os especialistas, é o momento de executar. Primeiro é necessário traçar os objetivos dos investimentos. Depois, é necessária uma autoavaliação para entender em qual perfil de risco a pessoa se encaixa.
Na sequência, realocar os valores já guardados para o investimento desejado e continuar com as contribuições mensais nessas modalidades. 
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