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Porto Alegre, segunda-feira, 23 de dezembro de 2019.

Jornal do Comércio

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Responsabilidade Social

Edição impressa de 23/12/2019. Alterada em 23/12 às 03h00min

Agafape inaugura nova sede

Local busca estimular convívio dos familiares e reabilitação dos pacientes

Local busca estimular convívio dos familiares e reabilitação dos pacientes


fotos: MARCO QUINTANA/JC
João Pedro Rodrigues
No prédio de número 1.184 na rua Siqueira Campos, em Porto Alegre, situa-se, agora, a mais nova sede da Associação Gaúcha de Familiares de Pessoas Esquizofrênicas (Agafape). Com a inauguração do espaço, realizada no começo de dezembro, o grupo deu início a mais um capítulo em sua história de 27 anos trabalhando para o desenvolvimento de atividades que estimulem a reabilitação social dos pacientes.
No prédio de número 1.184 na rua Siqueira Campos, em Porto Alegre, situa-se, agora, a mais nova sede da Associação Gaúcha de Familiares de Pessoas Esquizofrênicas (Agafape). Com a inauguração do espaço, realizada no começo de dezembro, o grupo deu início a mais um capítulo em sua história de 27 anos trabalhando para o desenvolvimento de atividades que estimulem a reabilitação social dos pacientes.
Localizado no 14º andar, o ambiente amplo e com vista para o Guaíba representa uma conquista ainda maior para a congregação, que agora comemora a sua real inserção no Centro da Capital. "No início, queriam nos colocar lá na periferia. Agora, a gente conseguiu ficar no centro. Eu sempre dizia: vocês (pacientes) vão saber conviver no centro da cidade. Isso é inclusão", diz Marília Coelho Cruz, presidente da associação.
Enquanto celebra a aquisição, ela relembra o início da trajetória do grupo de mães que, a partir do conselho do então responsável pela parte de psiquiatria do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, se reuniu para dar origem à agremiação, iniciando um trabalho de discussões mais abertas a respeito da condição de seus filhos. "Todo mundo tinha um preconceito muito grande para dizer a palavra esquizofrenia, e eles tiveram coragem de botar a palavra no nome da associação", conta.
Por ter se originado a partir da reunião de familiares, as atividades, inicialmente, estavam mais ligadas ao interesse e ao bem estar das mães, que utilizavam o espaço para fazer reuniões de forma a amenizar muitas de suas frustrações. A realidade de seus filhos naquele momento, porém, era diferente. Devido ao diagnóstico da doença, muitos haviam perdido o emprego e saído da faculdade, passando, assim, a ficar em casa abandonados.
Diante desse contexto, Marília diz que as coisas começaram a mudar. Quando ela ia fazer voluntariado, seu filho Leonardo, um dos pacientes, a acompanhava e também ia ao banco ou ao correio. Dessa forma, ela, junto de outros familiares, começaram a perceber que, se houvesse um espaço onde seus filhos pudessem fazer algumas atividades, seria benéfico para todos. Essas experiências, então, atraíram cada vez mais outras pessoas com esquizofrenia, originando a ideia de dar atenção maior a quem necessita de estímulos. Atenção essa que resultou na atual organização da associação que, apesar do nome, envolve mais as pessoas esquizofrênicas do que seus familiares.
A esquizofrenia é uma doença que se manifesta de formas variáveis, fazendo com que as pessoas convivam com mudanças significativas na sua forma de pensar e sentir, algo que acaba prejudicando as suas relações. Além de remédios, portanto, as pessoas que possuem essa condição necessitam de acesso à vida social, e é isso que a associação se propõe a fazer, ajudando os pacientes a ter boas convivências sociais e familiares.
De segunda à sexta-feira, então, a Agafape abre as suas portas para aqueles que tiverem interesse em participar das diferentes atividades. Visando o desenvolvimento dos pacientes, são oferecidas aulas de música, dança, inglês, educação física e trabalhos manuais. A maioria delas são realizadas por voluntários e trabalham pontos fundamentais para a reabilitação social. "São questões como desembaraço, dar a mão para o outro, porque tem alguns que não gostam", diz Marília. Para o próprio evento de inauguração da sede, foram eles que organizaram o espaço. "Eu queria mostrar para as pessoas que eles têm condições de fazer de tudo", acrescenta.
Reconhecendo o trabalho realizado pela associação, a Secretaria da Saúde é quem financia o aluguel do espaço, além dos custos com água e luz. Fora isso, a Agafape depende de doações e atividades voluntárias, tendo na Nota Fiscal Gaúcha a sua principal fonte para captar recursos. O programa visa incentivar os cidadãos e cidadãs, por meio da distribuição de prêmios, a solicitar a inclusão do CPF na emissão da nota fiscal de suas compras e, assim, as entidades sociais indicadas são beneficiadas por repasses. Para ajudar, é necessário fazer um cadastro no programa a partir do site da própria Nota Fiscal Gaúcha.
A Agafape também está fazendo uma vaquinha online para captar recursos que ajudem a organizar as suas instalações com ar condicionado, cortinas e materiais para as oficinas. A contribuição pode ser feita com qualquer valor através do site: https://vaka.me/793292.
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