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Porto Alegre, quinta-feira, 23 de julho de 2020.

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Responsabilidade Social

- Publicada em 03h00min, 16/12/2019. Atualizada em 03h00min, 16/12/2019.

Humanização da vida na prisão

Atividades interdisciplinares ajudam internas a enfrentar dificuldades

Atividades interdisciplinares ajudam internas a enfrentar dificuldades


NICOLE MORAIS/DIVULGAÇÃO/JC
Eduardo Lesina
O Brasil é o terceiro país com a maior população carcerária no mundo. Atrás de Estados Unidos e China no pódio internacional, as instituições prisionais brasileiras concentram mais de 800 mil pessoas, segundo os dados do Banco de Monitoramento de Prisões do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Prisões superlotadas, abusos e violência contra detentos são alguns dos pontos que permeiam o debate público e não contribuem para a ressocialização de quem está em uma unidade prisional.
O Brasil é o terceiro país com a maior população carcerária no mundo. Atrás de Estados Unidos e China no pódio internacional, as instituições prisionais brasileiras concentram mais de 800 mil pessoas, segundo os dados do Banco de Monitoramento de Prisões do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Prisões superlotadas, abusos e violência contra detentos são alguns dos pontos que permeiam o debate público e não contribuem para a ressocialização de quem está em uma unidade prisional.
O Projeto Marias: Corpo e Linguagem na Instituição Prisional procura, através da expressão corporal, resgatar a coragem e fortalecer a socialização. A iniciativa faz parte dos Projetos de Extensão da Universidade do Vale do Taquari (Univates) e atua semanalmente no Presídio Estadual Feminino de Lajeado Miguel Alcides Feldens.
O projeto surgiu a partir do Projeto de Extensão Veredas da Linguagem e trabalhava com mulheres que cumpriam pena no presídio de Lajeado, inaugurado em 2016. Ainda com vínculo com o Projeto Veredas, a equipe passou a entrar quinzenalmente nas propriedades do presídio, conduzindo atividades voltadas às práticas corporais, como dança, ginástica, jogos ou atividades de alongamento. "Íamos diversificando bastante os métodos, mas o foco principal sempre foram as práticas corporais", conta a coordenadora do projeto, Silvane Fensterseifer Isse.
Em 2018, o Projeto Marias se ampliou e passou a fazer os encontros semanalmente dentro da instituição prisional, distanciando-se da antiga iniciativa do Veredas. A partir dessa ampliação, a atuação do grupo passou a inserir também práticas artísticas. Segundo a coordenadora, no início da atuação, o grupo notou uma dificuldade de comunicação e de interação entre as cerca de 40 mulheres na instituição. "Começamos a sentir que precisava uma ação mais efetiva no sentido de que o corpo e a arte se apresentam como elementos de mediação dessas relações", conta a coordenadora, que é professora de Educação Física e tem na dança um dos seus objetos de pós-graduação.
Vinculado ao programa de extensão Arte, Estética e Linguagem, o projeto passou a ser independente e incorporou seu nome oficial, mantendo as sessões semanais com base nas práticas corporais e artísticas. Além disso, o projeto passou a incorporar novas atividades, fortalecendo sua atuação e servindo como ponte entre o Presídio Estadual Feminino de Lajeado e a comunidade, caso da participação de algumas das detentas em um programa de rádio da Univates.
Essa aproximação entre a rua e os limites da instituição prisional é uma das grandes atuações que Silvane pode perceber nesses três anos de atuação. Segundo a coordenadora, as mulheres da instituição contam ao grupo que eles "trazem um pouco da rua para dentro do presídio". Através de rodas de conversa e avaliações formais do trabalho exercido dentro da instituição, as mulheres trazem um retorno para a equipe do projeto. "Acredito que a extensão, nesse sentido, faz muito esse trânsito de comunicação delas com o ambiente."
Embora o Projeto Marias tenha seu foco de atuação nas práticas corporais e artísticas, no decorrer da sua atuação, o grupo uniu as atividades com o processo mais humanitário. "Os presídios são instituições bastante desacreditadas, e essa é uma questão que a gente tem procurado trabalhar: acreditar que transformações podem ser possíveis para essas mulheres, desde que elas tenham acolhimento e que possam falar de si, suas dificuldade e seus medos", aponta.
"Quando a gente iniciou o projeto lá, percebemos que as mulheres tinham imagens muito ruins de si mesmas, com uma baixa autoestima e um forte sentimento de culpa", explica Silvane. Dificuldades em interagir e se expressar foram notadas pela coordenadora no início das atividades, transformando, assim, o projeto em um processo de reconstrução da autoestima das detentas assistidas. "A questão central do projeto se tornou a humanização e a socialização dessas mulheres, também pensando no processo de reinserção social."
A equipe atuante no projeto é bastante interdisciplinar, com alunos dos cursos de Educação Física, Letras, Engenharia Elétrica, Arquitetura e Urbanismo, Psicologia, Pedagogia e Fotografia. Além disso, há professores voluntários das áreas de Pedagogia, do Design de Moda e da Fotografia. Somado aos voluntários com vínculo ativo com a universidade, o Projeto Marias também conta com uma aluna diplomada do curso de Educação Física e outros dois membros da comunidade que participam como voluntários. Os gastos de transporte com a equipe, de materiais necessários para a execução das atividades, assim como os das bolsas da coordenadora e do aluno bolsista, são todos retirados do orçamento anual do programa, disponibilizado pela Univates.
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