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Porto Alegre, segunda-feira, 04 de novembro de 2019.
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Negócios

Edição impressa de 04/11/2019. Alterada em 04/11 às 03h00min

Diferenças raciais também no empreendedorismo

Os números de empreendedores negros e brancos no Brasil são bastante próximos, com uma ligeira vantagem para os empresários negros e pardos. Entretanto, quando analisado o panorama geral do empreendedorismo, a realidade se mostra mais desafiadora para a população negra, seja pela motivação para abrir o próprio negócio, pelo grau de escolaridade dos empresários ou pela renda obtida com a empresa.
Os números de empreendedores negros e brancos no Brasil são bastante próximos, com uma ligeira vantagem para os empresários negros e pardos. Entretanto, quando analisado o panorama geral do empreendedorismo, a realidade se mostra mais desafiadora para a população negra, seja pela motivação para abrir o próprio negócio, pelo grau de escolaridade dos empresários ou pela renda obtida com a empresa.
Esse é o panorama traçado pela Pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), com apoio do Sebrae, com dados de 2018. De acordo com a pesquisa, no ano passado, a diferença entre a proporção de empreendedores brancos e negros que empreenderam por oportunidade alcançou o maior nível da série histórica (16 pontos percentuais). Em 2016, entre os empreendedores iniciais negros, 57,3% empreendiam por oportunidade e entre os empreendedores iniciais brancos, 59,1% empreendiam por oportunidade.
"A motivação para empreender é um aspecto extremamente relevante e que pode ser decisivo para definir o sucesso do negócio", afirma o presidente do Sebrae, Carlos Melles. Os empresários que se lançam no mercado motivados por uma oportunidade são aqueles que se qualificam melhor para gerir o empreendimento, formulam um plano de negócio e terminam por alcançar melhores resultados. Em contrapartida, os movidos por necessidade são aqueles que decidem oferecer um produto ou serviço motivados principalmente pelo desemprego e pela busca de uma fonte complementar de renda.
Em 2018, os brasileiros negros em idade adulta (entre 18 e 64 anos) tiveram uma taxa total de empreendedores (40,2%) mais alta que os brancos (35%). Isso significa que de cada 100 brasileiros negros adultos, 40 são empreendedores. Entretanto, a pesquisa registrou um crescimento vigoroso na proporção de empreendedores brancos por oportunidade (71,5%) contra um percentual inferior de empresários negros (55,5%). Em 2016 a diferença nessa proporção entre negros e brancos não foi significativa (menos de 2 pontos percentuais), sendo a menor da série.
Em relação ao faturamento anual, a pesquisa revelou que quase 80% dos empreendedores negros faturaram até R$ 24 mil por ano; 8 pontos percentuais a mais que os empreendedores brancos nessa faixa de faturamento. Por outro lado, o percentual de empreendedores brancos com faturamento acima de R$ 36 mil foi de 13,6%, quase o dobro dos empreendedores negros (7,7%). Os empreendedores iniciais negros com renda familiar até dois salários mínimos são a maioria (54,2%).
Entre os brancos essa proporção é de aproximadamente um terço (37,5%). Ainda considerando os empreendedores iniciais, a pesquisa mostra que entre os negros, aqueles com renda familiar acima de três salários mínimos representam 22,9% e entre os brancos perfazem 42,4%. Embora a diferença entre brancos e negros no perfil de renda dos empreendedores estabelecidos seja menor, o sentido da constatação permanece o mesmo: é maior a proporção de empreendedores negros que possuem renda familiar mais baixa do que empreendedores brancos e - ao contrário - é maior a proporção de empreendedores brancos que possuem rendas maiores.
Com relação à escolaridade, a proporção de pessoas com nível superior completo, entre os negros, é sempre metade que a verificada entre os brancos. Na Taxa Total de Empreendedores (TTE), por exemplo, chega a 12,8% no caso dos brancos e a 6,6% no caso dos negros. Ainda considerando a Taxa Total, a pesquisa mostra que uma proporção maior de empreendedores negros (51,3%), deixou de concluir o ensino médio, contra 41,5% dos brancos. Essa diferença se acentua quando são tomados os empreendedores estabelecidos. Entre os negros, 58,9% não alcançaram esse grau de escolaridade (o que significa a maioria), contra 45,6% dos brancos.
A realização de serviços domésticos figura como a segunda atividade mais frequente entre os negros, mas não aparece entre as principais para os brancos. Se somadas com as práticas de cabelereiros e de tratamento de beleza, que se caracterizam por serviços voltados ao consumidor final, elas perfazem aproximadamente 16% do total dos empreendimentos iniciais conduzidos por empreendedores negros.

O que diz a pesquisa

  • A taxa total de empreendedores (TTE) negros é de 40,2%
  • De cada 100 brasileiros negros adultos, 40 são empreendedores
  • A taxa total de empreendedores (TTE) entre os brancos é de 35%
  • Entre os empreendedores iniciais negros predominam os mais jovens: cerca de 55%
  • 12,8% dos empreendedores brancos possuem nível superior completo
  • 6,6% dos empresários negros possuem nível superior completo
  • Entre os empreendedores negros iniciais, 43,7% não têm ensino médio completo
  • 54,2% do empreendedor inicial negro têm renda familiar de até dois salários mínimos
 
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