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Porto Alegre, segunda-feira, 07 de outubro de 2019.
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Opinião

Edição impressa de 07/10/2019. Alterada em 07/10 às 03h00min

Os desafios da sucessão familiar no agronegócio

*Adriano Machado e **Fábio Pereira
As famílias são um dos grandes pilares do agronegócio brasileiro. As empresas familiares respondem por grande parte da produção agrícola e pecuária do Brasil, em todos os formatos e tamanhos. Foram elas que desbravaram o agronegócio no Rio Grande do Sul, estado protagonista na agropecuária nacional e pioneiro na produção comercial da principal matéria-prima agrícola exportada pelo País: a soja. Conforme dados do IBGE, a agricultura familiar é característica de 86% dos estabelecimentos e responde por 74% do pessoal ocupado na agropecuária do estado gaúcho.
As famílias são um dos grandes pilares do agronegócio brasileiro. As empresas familiares respondem por grande parte da produção agrícola e pecuária do Brasil, em todos os formatos e tamanhos. Foram elas que desbravaram o agronegócio no Rio Grande do Sul, estado protagonista na agropecuária nacional e pioneiro na produção comercial da principal matéria-prima agrícola exportada pelo País: a soja. Conforme dados do IBGE, a agricultura familiar é característica de 86% dos estabelecimentos e responde por 74% do pessoal ocupado na agropecuária do estado gaúcho.
Apesar da ausência de dados específicos sobre a realidade das empresas familiares no agronegócio brasileiro, é possível identificar aspectos importantes sobre os desafios e as prioridades das famílias do setor. A 9ª edição da Pesquisa sobre Empresas Familiares da PwC, realizada em 2018, analisou 2.953 negócios familiares em 53 países (o Brasil representa 5% do universo pesquisado) e revelou aspectos fundamentais para o crescimento destes no agro brasileiro.
O processo de sucessão é um deles. Estima-se que 49% das empresas (55% no mundo) têm um plano para essa etapa. Esse percentual mais que triplicou em relação a 2014, quando era de 11%. De todo modo, os resultados ainda não acompanham os números. Talvez esse fato justifique por que apenas 12% das companhias familiares chegam até a quarta geração e somente 3% vão além, segundo a National Bureau of Economic Research Family Business Alliance. É comum que a sucessão seja discutida somente após o falecimento do patriarca ou da matriarca. A história da família se mistura à da fazenda, ao amor pela terra e pelo negócio. Assim, a abordagem em um momento como esse torna-se muito mais complexa do que se fosse feita antecipadamente.
Um plano de sucessão deve ser encarado como continuidade dos negócios e tem duas grandes dimensões: a propriedade e a gestão. As empresas familiares têm a opção de passar o controle de ambas para a próxima geração ou de transferir-lhe apenas a propriedade e não a gestão. Nesse caso, será necessário contratar gestores externos qualificados e estabelecer regras de governança claras. Existem também empresas familiares que consideram como uma grande oportunidade a transferência da propriedade da família para terceiros. No agronegócio brasileiro, tem sido muito comum o interesse de multinacionais e fundos de investimentos em adquirir participações acionárias de negócios familiares.
Outro fator é a tecnologia digital que, associada à nova geração, está revolucionando diversas indústrias, incluindo o agronegócio, podendo ser uma grande oportunidade para as empresas familiares. Independentemente da pretensão da família no plano de sucessão, é importante contar com os instrumentos de governança, pensar em como lidar com as diferentes gerações, como fazer a distribuição do patrimônio e não esquecer do planejamento tributário ao longo do processo. Somente desta forma, a história, a identidade e a cultura do negócio familiar serão mantidos ao longo do tempo e passados de geração em geração.
Adriano Machado é sócio da PwC Brasil e responsável pelo agronegócio na região Sul
Fábio Pereira é Gerente Sênior da PwC Brasil e especialista em Agribusienss
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