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Porto Alegre, segunda-feira, 02 de setembro de 2019.
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Edição impressa de 02/09/2019. Alterada em 02/09 às 03h00min

Rosé é o vinho dos millennials

Na França e no Brasil, segmento de 18 a 35 anos adotou a bebida

Na França e no Brasil, segmento de 18 a 35 anos adotou a bebida


FREEPIK.COM/DIVULGAÇÃO/JC
O romantismo transbordante da canção La vie en rose - a vida em rosa - se desfez de algumas camadas de roupa para aproveitar o sol e o calor do verão, ganhou aura descolada e, agora, se exibe por aí em redes sociais. Virou la vie en rosé - de vinho.
O romantismo transbordante da canção La vie en rose - a vida em rosa - se desfez de algumas camadas de roupa para aproveitar o sol e o calor do verão, ganhou aura descolada e, agora, se exibe por aí em redes sociais. Virou la vie en rosé - de vinho.
O sucesso atual do vinho rosé, feito a partir de uvas tintas, mas fermentado por pouco ou nenhum tempo - daí a cor - deve muito aos chamados millennials. O segmento de 18 a 35 anos adotou o rosé como bebida indispensável em piqueniques, festas ao ar livre e incursões praianas - o hedonismo tem sido prato cheio para a harmonização com a bebida.
Segundo o Observatório Mundial do Rosé, a fatia de mercado abocanhada hoje pela mercadoria é de 10%, o que corresponde a mais de 20 milhões de hectolitros sorvidos anualmente. O consumo cresceu 30% nos últimos 15 anos. A expectativa é que se chegue perto da marca de 30 milhões de hectolitros até 2030.
A França é a maior produtora da bebida (25% do total) e também a maior consumidora (36%). Estados Unidos (com variedades mais adocicadas) e Espanha completam o pódio dos fornecedores mais robustos - o país europeu lidera as exportações.
O diretor do Centro de Pesquisa e Experimentação sobre o Rosé, Gilles Masson, conta que, do século XIII ao XVIII, a bebida era a mais consumida na França, abarrotando as caves dos aristocratas. Até que veio a Revolução (1789-99), banindo tudo o que pudesse ser associado à nobreza. Calibrada por goles de tinto, a burguesia ascendia ao poder. Segundo o pesquisador, a revanche do rosé começou há cerca de 15 anos. O público, sobretudo o jovem, entusiasmou-se com a "cartilha de consumo" do líquido - na verdade, com a ausência de uma etiqueta rigorosa.
"Eles estavam cansados dos discursos sentenciosos e complexos sobre vinho, de instruções como 'perceba a framboesa aqui'. Sentiam-se excluídos", diz Masson. "Com o rosé, voltamos ao prazer simples, sem muita elucubração. É como um raio de sol." Em outras palavras, trata-se de um "contentamento imediato dos sentidos, não necessariamente do espírito". 
A cor do vinho, explica o pesquisador, também ajudou a aguçar o paladar juvenil. "O rosa é associado a uma ruptura em relação à tradição e remete igualmente a afeto e amor, assim como a um ideal de lazer, verão, férias. Deixa o cérebro num bom estado de ânimo."
O gosto, não raro frutado, é outro fator-chave para a boa aceitação por esse público. Na outra ponta da cadeia, destaca Masson, as vinícolas conseguiram responder à alta da demanda sofisticando buquês, paleta de cores e paladares das variedades oferecidas.
"Há uma ligação cada vez menos sazonal entre consumo de rosé e meteorologia. Se faz um dia bonito, mesmo que em pleno inverno, as pessoas procuram esse produto. Tivemos um fevereiro (auge do frio) ótimo neste ano", afirma ele, antes de apontar a Ásia (e especialmente a China) como próximo alvo. La vie en rouge vem aí.
Se antes o público brasileiro torcia o nariz para o vinho rosé, hoje já demonstra estar mais aberto para encher taças e adegas com a bebida de tom rosado. O preconceito tem algumas raízes. Pela cor e pelo frescor, muitos julgavam ser uma bebida doce e "ligada a um consumo feminino", explicam as sommelières Cassia Campos e Daniela Bravin, do bar Sede 261, em São Paulo.
A fama de incompreendido se estende a outras frentes. "Tinha gente que achava que o rosé era um subproduto, uma simples mistura de vinhos tinto e branco", explica André Scartozzoni, diretor comercial da vinícola Guaspari, no interior de São Paulo.
Não é verdade: ele é feito com uvas tintas, como pinot noir, syrah ou malbec. O que o diferencia de um tinto é seu processo de produção, no qual as cascas das frutas têm menos tempo de contato com o composto - por ter menos pigmentos, o resultado final ganha o tom mais clarinho.
Houve, ainda, crescimento da demanda pelo vinho nacional. É o caso da vinícola Salton, de Bento Gonçalves (RS), que tinha apenas um espumante rosé no portfólio. "Esgotou em outubro", conta Luciana Salton, diretora-executiva. "Com isso, aumentamos a produção desse tipo de bebida. No final de 2018, lançamos um rosé dentro de uma de nossas linhas. Foram 2 mil caixas, que também esgotaram. Agora, estamos produzindo mais dois rótulos." Leve, fresco - e fotogênico -, o rosé é chamado de "bebida de piscina" no universo do vinho, associado principalmente a momentos de descontração ou happy hour. Com isso, atrai cada vez mais jovens consumidores.
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