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Porto Alegre, segunda-feira, 26 de agosto de 2019.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Finanças Pessoais

Edição impressa de 26/08/2019. Alterada em 26/08 às 03h00min

Juro negativo no mundo rico desafia a lógica e muda relação com investimento

Empresas & Negócios - investimentos - divulgação Kjpargeter - Freepik.com

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Uma pessoa que começasse a poupar hoje para a aposentadoria poderia separar R$ 1.000,00 para comprar um título público, um investimento seguro. Mas e se, ao resgatar o título daqui 30 anos, for possível sacar apenas R$ 900,00, e não R$ 1.000,00, mais o lucro do investimento? Essa aplicação terá parecido uma boa ideia?
Uma pessoa que começasse a poupar hoje para a aposentadoria poderia separar R$ 1.000,00 para comprar um título público, um investimento seguro. Mas e se, ao resgatar o título daqui 30 anos, for possível sacar apenas R$ 900,00, e não R$ 1.000,00, mais o lucro do investimento? Essa aplicação terá parecido uma boa ideia?
Quando se olha para o futuro hoje, esse é o cenário dos títulos de dívida da maioria dos países europeus, um fenômeno que pode mudar a dinâmica de investimentos e a forma como funciona o sistema financeiro.
Na Alemanha, todos os títulos de dívida do país têm atualmente retorno negativo. Ou seja, quem emprestar dinheiro ao governo alemão poderá sair no prejuízo em aplicações de dois ou até de 30 anos.
Nos Estados Unidos, os títulos com vencimento em 30 anos rendiam menos de 2% ao ano na semana passada, enquanto papéis de curto prazo tinham taxas ao redor de 1,5% - com percentual abaixo da inflação, esses investimentos também geram prejuízos.
A explicação para esse fenômeno, que parece irreal mesmo para o brasileiro mais conformado com a esperada queda da Selic para 5% ao ano, está nas previsões de que a economia global pode mergulhar em uma nova recessão.
O pânico recente foi amplificado pelo avanço da guerra comercial travada entre Estados Unidos e China, e seu impacto sobre outros países. Isso fez com que investidores no mundo corressem em busca de ativos seguros, como são considerados títulos de dívidas de países desenvolvidos.
O problema é que títulos públicos seguem a regra universal de oferta e demanda: quanto mais gente quer um produto, mais o valor dele sobe. E como o valor do papel e a taxa de juros são inversamente proporcionais, o rendimento da aplicação cai.
Em todo o mundo, investidores têm atualmente mais de US$ 15 trilhões (R$ 60 trilhões) aplicados em investimentos com taxas de juros negativos, como são os papéis de dívida do Japão e boa parte da Europa.
Parece completamente sem sentido que alguém prefira perder dinheiro a escolher outros investimentos com algum potencial de retorno. "A inflação no mundo está muito baixa, tirando Argentina e Venezuela, não tem inflação em nenhum lugar do mundo. O medo é que qualquer choque negativo possa colocar o mundo em uma recessão. E aí, todo mundo sai comprando tudo o que encontra", explica o professor de macroeconomia do Insper Gino Olivares.
Na verdade, compra-se tudo que for considerado seguro. Nesse cenário, ativos de risco (ações, por exemplo) se desvalorizam porque investidores vendem esses papéis em busca do dinheiro para comprar produtos como títulos de dívida pública, mais seguros.
Afinal, se a economia vai encolher, as empresas vão lucrar menos. Então por que investir em companhias? A lógica é minimizar o prejuízo enquanto o pior não passa. Assim, desde que os dados econômicos do mundo desenvolvido pioraram, as principais bolsas mundiais passaram a registrar queda, moedas emergentes se desvalorizaram ante o dólar e o preço do ouro bate recordes.
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