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Porto Alegre, segunda-feira, 19 de agosto de 2019.
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Edição impressa de 19/08/2019. Alterada em 19/08 às 03h00min

'Sapateiros do Bem' promovem capacitação e distribuem sonhos

Em seis módulos segmentados, os alunos aprendem noções gerais sobre processos da indústria calçadista

Em seis módulos segmentados, os alunos aprendem noções gerais sobre processos da indústria calçadista


/fotos UNIVERSIDADE FEEVALE/DIVULGAÇÃO/JC
Eduardo Lesina

O desemprego é um problema presente na vida dos brasileiros. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação no País, no trimestre de abril a junho, foi de 12%, atingindo cerca de 13 milhões de pessoas. Como uma das formas de enfrentar esse cenário, a capacitação profissional se apresenta como uma importante ferramenta para conquistar espaço no mercado de trabalho. É nesse contexto que a Universidade Feevale promove seu projeto "Pró-Fábrica", com oficinas gratuitas voltadas para qualificar a comunidade na cadeia produtiva de calçados.

Os "Sapateiros do Bem", como foram apelidados, atuam dentro da universidade aprendendo a teoria e a prática do fazer calçadista. Dividido em seis módulos segmentados, os alunos aprendem noções gerais sobre o processo produtivo da indústria calçadista. Os estudantes são ensinados sobre os conceitos e a prática do corte de calçados; a preparação e a costura; colagem; consertos e reparos, solados pré-fabricados e montagem, além de noções sobre modelagem de calçados, no último módulo, de caráter mais técnico.

A iniciativa existe há nove anos e surgiu devido a queda do setor calçadista em Novo Hamburgo, reconhecida como a capital nacional do calçado. Quando a matriz produtiva do Vale dos Sinos perdeu suas unidades de produção em larga escala para exportação, o mercado local mudou. "Muitas empresas, dessas grandes unidades, acabaram fechando aqui no Vale, uma vez que o mercado internacional começou a comprar da Ásia, dando espaço para as empresas menores da região", conta o coordenador do projeto Roberto Schilling.

Como as empresas menores dependiam de profissionais que fossem capacitados em todos os processos da cadeia, e não somente em uma determinada função, o projeto surgiu para qualificar os interessados para o processo conjunto: "então o projeto surgiu nessa ideia, de qualificar as pessoas da comunidade nessas operações de produção de calçados, dando uma visão geral do processo", explica Schilling.

Entre os seis módulos de atuação, o quarto é que expande o conhecimento para além da sala 104, onde acontece as aulas. O módulo de reparo e conserto de calçados é realizado através dos calçados que a prefeitura de Novo Hamburgo recolhe na Campanha do Agasalho, além de campanhas internas que acontecem na Feevale. No início do mês, a Pró-Fábrica entregou mais de 500 pares de calçados para a comunidade, reformados ou criados pelos alunos da oficina.

A entrega dos sapatos é realizada por meio da Fábrica da Cidadania, órgão dentro da Secretaria de Ação Social do município. "O projeto tem esses dois aspectos sociais: a formação gratuita de pessoas da comunidade para o mercado de trabalho e a entrega dos calçados, em boas condições, para as pessoas que necessitam", analisa.

Para se inscrever no projeto, segundo o coordenador, é necessário somente vontade e tempo para realizar as atividades - que ocorrem nas terças-feiras e quintas-feiras, no turno da tarde. Ao longo dos módulos já realizados, os perfis dos alunos foram os mais variados possíveis: pessoas com muita experiência no setor, mas em apenas um processo, os que buscavam se aperfeiçoar ou se reciclar nos métodos de produção atual, quem nunca teve contato com o setor calçadista, jovens ou adultos. "No início, acreditávamos que essa mistura ia atrapalhar o andamento, mas vimos que esse misto de gente com perfis e faixas etárias muito diferentes trazem uma riqueza muito grande para o projeto".

Claudiomiro Nogueira e Julie Dullius são representantes dessa diversidade - que também atinge os propósitos dos estudantes. Enquanto Nogueira, há 1 ano e 2 meses no projeto, busca agora formar seu atelier de sapatos em Canoas, município onde vive, Julie, no seu primeiro módulo, procura expandir seus horizontes, já que cursa Artes Visuais na faculdade.

Nogueira é um dos cinco alunos que já estão empreendendo individualmente graças ao projeto. Para Schilling, o projeto tem sucesso quando os alunos passam a vender seus produtos na sua comunidade, com pequenas produções: "deixa a gente muito orgulhoso por desenvolver esse microempreendedorismo individual".

A aproximação da universidade com a comunidade local é uma obrigação da universidade, complementando a tríade acadêmica: o ensino, a pesquisa e a extensão. A Pró-Fábrica é um desses projetos de extensão e que busca unir professores, aluno e a comunidade externa, de forma a complementar a formação dos alunos e atuar diretamente na sociedade. A iniciativa reúne alunos dos cursos de Engenharia de Produção, onde Schilling também leciona, assim como Design e Moda, majoritariamente.

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