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Porto Alegre, segunda-feira, 05 de agosto de 2019.
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Empresas & Negócios

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Opinião

Edição impressa de 05/08/2019. Alterada em 05/08 às 03h00min

O impacto social das empresas começa dentro de casa

Tahiana D'Egmont
Estima-se que existam 20 milhões de pessoas - o equivalente ao total da população de Minas Gerais - na comunidade LGBTQ no Brasil. Por esse e por tantos outros motivos, falar sobre diversidade hoje é algo muito necessário. Toda empresa tem um impacto social e ter bandeiras bem estruturadas na sua cultura organizacional fortalece esse movimento na construção de uma sociedade mais justa para todo mundo.
Estima-se que existam 20 milhões de pessoas - o equivalente ao total da população de Minas Gerais - na comunidade LGBTQ no Brasil. Por esse e por tantos outros motivos, falar sobre diversidade hoje é algo muito necessário. Toda empresa tem um impacto social e ter bandeiras bem estruturadas na sua cultura organizacional fortalece esse movimento na construção de uma sociedade mais justa para todo mundo.
Na MaxMilhas, por exemplo, temos como propósito fazer as pessoas viajarem mais. São mais de 400 pessoas no time que, como eu, acreditam que viajar deva ser acessível para todo mundo. E nesse "todo mundo" é fundamental falarmos sobre diversidade. As empresas são retratos sociais do que acreditamos e, por isso, se tenho a bandeira da diversidade tão forte em meu discurso, é fundamental aplicar isso no universo da empresa. De todo modo, acredito que quem tem a diversidade como um de seus pilares é capaz de criar, não somente uma comunicação mais efetiva e afetiva com as pessoas, como, principalmente, criar soluções que, de fato, impactam positivamente a sociedade.
Além de fomentar a discussão internamente em debates e painéis com ativistas convidados, fincamos a bandeira da diversidade na nossa cultura. Em pesquisa realizada pelo Great Place To Work, GPTW, estamos acima da média nacional das melhores empresas para se trabalhar quando o assunto é receber bem as diferenças. Conquistamos a nota máxima, 100, no quesito imparcialidade no que se diz respeito ao bom tratamento independente da idade, gênero, etnia ou orientação sexual. Somos um time forte porque somos um time diverso e único.
Trago aqui uma questão importante. Uma grande parcela desta população está inserida no mercado de trabalho e, no entanto, prefere continuar anônima. Levando em conta que é no ambiente corporativo em que passamos a maior parte do nosso tempo diariamente, por que a maioria destas pessoas ainda não se sente à vontade para ser quem é no trabalho? Peço um momento seu, que me lê agora, para que, de fato, reflita sobre como é fingir ser algo que você não é, constantemente, tantas horas por dia. Uma pesquisa global do Instituto Human Rights mostra que 53% da população homossexual economicamente ativa não se assume no trabalho por medo de discriminação, fofocas, piadas homofóbicas e, até mesmo, por acreditar que isso os impedirá de crescer na carreira. A situação é ainda mais preocupante quando se trata da parcela transexual.
Além disso, dados da RedeTrans (Rede Nacional de Pessoas Trans do Brasil) indicam que 82% das mulheres transexuais e travestis abandonam o ensino médio por discriminação e, em alguns casos, pela falta de apoio da família. Por falta de escolaridade, cerca de 90% das mulheres acabam na prostituição, enquanto os homens trans vão para subempregos. Precisamos enxergar isso e fazer nossa parte, ignorar não significa que não seja uma realidade.
Hoje, a luta pela legitimação da diversidade sexual como característica humana não é mais apenas uma luta de gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transgêneros e quem mais se solidariza pela causa. Esse reconhecimento do que e principalmente de quem somos é um desafio de todos, inclusive das empresas.
Nos últimos anos, diversas pesquisas indicam os impactos positivos que um ambiente aberto e inclusivo provocam, tanto para o aumento da produtividade das companhias, como no desenvolvimento econômico dos países. Em 2017, um estudo do banco de investimentos Credit Suisse com 270 empresas da América do Norte, Europa e Austrália, mostrou que as empresas que trabalham com políticas globais para o público LGBTQ registraram um crescimento de 6,5% a mais no lucro, nos últimos seis anos, quando comparado ao de concorrentes que desprezam a diversidade.
Hastear a bandeira do arco-íris não pode ser apenas um modismo. A diversidade faz parte do negócio porque a sociedade, a quem atendemos como empresa, é diversa por si só. Algumas iniciativas estão começando a mudar este quadro, criando políticas de inclusão, criando ambientes de debates e desconstruções e fazendo, dessa, uma bandeira levantada por todos na empresa. Só uma empresa múltipla e plural pode oferecer seu produto para "todo mundo".
CMO da MaxMilhas
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