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Porto Alegre, segunda-feira, 05 de agosto de 2019.
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Responsabilidade Social

Edição impressa de 05/08/2019. Alterada em 05/08 às 03h00min

Horta comunitária proporciona atividades sociais em Novo Hamburgo

Dalla Rosa diz que a população criou regras de convívio

Dalla Rosa diz que a população criou regras de convívio


/LUIZA PRADO/JC
Pedro Carrizo
É cada vez mais incomum ter uma horta em casa, principalmente para quem mora em grandes centros urbanos. O hábito de plantar, regar e consumir o que se produziu, seja devido à falta de espaço ou à falta de tempo, se distancia da rotina nas metrópoles. Assim tem sido a vida na cidade grande, a ponto de não saber diferenciar acelga e alface.
É cada vez mais incomum ter uma horta em casa, principalmente para quem mora em grandes centros urbanos. O hábito de plantar, regar e consumir o que se produziu, seja devido à falta de espaço ou à falta de tempo, se distancia da rotina nas metrópoles. Assim tem sido a vida na cidade grande, a ponto de não saber diferenciar acelga e alface.
Há, porém, espaços de resistência. Com mais de 20 anos de história, a Horta Comunitária Joanna de Ângelis, localizada em Novo Hamburgo, na região do Vale do Sinos, tem unido projetos sociais ao convívio com colorido de frutas, hortaliças e outros tantos alimentos orgânicos.
Sob nova direção há três anos, depois de um período de percalços em razão a uma crise financeira, chegando quase a fechar, o espaço reúne, atualmente, crianças e famílias em vulnerabilidade social, moradores em situação de rua e feiras orgânicas, que acontecem toda semana, trazendo a comunidade ao espaço que tem alimentos a perder de vista.
"A situação estava bem precária, mas assumimos para não deixar o espaço morrer. Hoje, já temos uma rede de mais de 400 voluntários e participamos de ações sociais do município para gerar renda, além do que se ganha da própria feira", ressalta o vice-presidente da Horta, Gilmar Dalla Rosa, acrescentando que o espaço é uma organização social comunitária de interesse público (Oscip), e que não tem nenhum aporte público.
Desde que a nova diretoria assumiu, o espaço reformou as áreas de lazer e convivência, e aumentou a produção da horta e a capacidade de atendimento. Um dos impulsionadores das melhorias foi a ação anual Meio Frango, promovida pela Tintas Killing, que busca fomentar a atividade das entidades sociais sediadas em Novo Hamburgo. A ação consiste na venda de tíquetes para a população da região, que dão direito a um pedaço de frango, no valor de R$ 20,00. "Só na edição de 2019, conseguimos arrecadar R$ 30 mil, que já estão sendo aplicados no espaço", diz Dalla Rosa.
Com a captação de recursos, os serviços sociais acontecem a pleno. Além de ser contraturno para alunos da rede pública de ensino - com aulas de capoeira e futebol, atendimentos psicológico e psicopedagógico, práticas de manuseio da horta, oferecendo refeições às crianças e adolescentes, e cursos de profissionalização -, também há ações para os mais velhos.
O Rango Solidário, por exemplo, tem como foco o atendimento à população em situação de rua de Novo Hamburgo. Todo domingo, são servidos café da manhã e almoço para cerca de 100 pessoas, sendo oferecida, no período entre as refeições, a oportunidade de regar, plantar e colher os produtos da horta.
Atividades similares acontecem também aos sábados, quando é oferecido um banho ao final do dia. "É muito legal, porque a própria população que criou as regras de convívio para o dia, como não poder fumar no local nem chegar depois de ter bebido", diz o vice-presidente da Horta. 
Também são atendidas em torno de 30 famílias com uma cesta básica mensal. Como contrapartida, as famílias participam de atividades programadas na horta. Somente no ano passado, foram realizados 70 encontros para discussões de problemas e promoção de diversas oficinas.
A Horta Comunitária Joanna de Ângelis ainda tem atendimento médico gratuito uma vez por mês, brechó destinado para a população de baixa renda e também funciona como espaço a prestadores de serviço comunitário, oferecendo a oportunidade de ressocialização e convívio com outros voluntários. 
Como explica Dalla Rosa, a horta, nesse cenário, acaba sendo o pano de fundo para diversas atividades sociais, unindo a população do Vale do Sinos com as práticas da agricultura; revivendo um hábito perdido e, a partir dele, gerando autoestima e cuidado com práticas alimentares. "Até por entender o ganho social de uma horta, estamos querendo montar uma na casa das famílias mais pobres da região", diz o vice-presidente, complementando que espaço dedicado às hortaliças serve como ferramenta, também, de empoderamento na cadeia de consumo.
O circuito de atividades se encerra no sábado, com a feira orgânica, repleta de Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs), verduras e legumes indispensáveis na casa de qualquer um. Frutas, geleias, pães e natureza. Recomeça no domingo, com a chegada da população de rua.
Como a etapa da comida, cada vez mais invisível para os metropolitanos, o ciclo na Joanna de Ângelis termina para começar de novo, como uma roda que não para de girar.
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