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Porto Alegre, segunda-feira, 01 de julho de 2019.
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Edição impressa de 01/07/2019. Alterada em 01/07 às 03h00min

Economia paralisada deixa mais brasileiros reféns de dívidas

O zigue-zague de quem conseguiu sair do sufoco em 2018, mas voltou a ficar inadimplente neste ano reflete também os altos e baixos da situação econômica

O zigue-zague de quem conseguiu sair do sufoco em 2018, mas voltou a ficar inadimplente neste ano reflete também os altos e baixos da situação econômica


/JCOMP - FREEPIK.COM/DIVULGAÇÃO/JC

A vendedora autônoma de maquiagem Adriana Barbosa, de 45 anos, conseguiu sair da lista de inadimplentes no ano passado. Mas no início deste ano teve uma recaída. Não pagou a fatura do cartão de crédito, usado na compra de materiais de construção para erguer mais um cômodo da sua casa. Com renda mensal de cerca de R$ 1 mil, Adriana ficou novamente inadimplente. As vendas de maquiagem caíram mais de 50% este ano e a ela também levou o calote. "Meus clientes não me pagaram porque perderam o emprego e isso atrapalhou a minha vida."

Adriana e outros milhões de brasileiros que conseguiram pagar as dívidas atrasadas nos últimos 12 meses e voltaram a ficar com o nome sujo neste ano são considerados "novos reincidentes" da inadimplência pelos birôs de crédito. Esse é o grupo que tem ampliado a participação no calote neste ano.

Entre janeiro e maio, eles eram, em média, 27% do total de inadimplentes. No mesmo período de 2018, essa fatia estava menor, representava 24,9% do total de pessoas com dívidas vencidas e não pagas, segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do SPC Brasil.

Já o "reincidente velho", aquele inadimplente que continuou na lista de devedores, deixou de pagar mais uma dívida no período e que responde pela maior parte do calote, reduziu sua participação. Entre janeiro e maio deste ano, esse grupo era 52,2% dos inadimplentes, em comparação a 54,4% no mesmo período de 2018. Enquanto isso, a participação dos inadimplentes que pela primeira vez ingressaram nessa lista ficou estável em 20,6%.

"Sentimos neste começo de ano um aumento mais acentuado desse movimento de pessoas que tinham conseguido sair da lista de inadimplentes e voltaram a não pagar em dia as dívidas", diz Mariane Schettert, presidente do Igeoc, associação que reúne as 16 maiores empresas de telecobrança, que respondem por 20% do mercado.

Além de todo início de ano ser um período de aperto no orçamento por causa do acúmulo de contas a pagar, o que leva normalmente mais pessoas a se tornarem inadimplentes, neste ano esse movimento está mais forte por causa da estagnação da economia.

O zigue-zague de quem conseguiu sair do sufoco em 2018 mas voltou a ficar inadimplente neste ano reflete também os altos e baixos da economia. Após crescer 1,1% em 2018, o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 0,2% no primeiro trimestre e frustrou as expectativas de empresários e consumidores.

A falta de reação da economia neste início de ano é nítida no desemprego, que se mantém em níveis elevados. São 13,2 milhões de trabalhadores fora do mercado. "A inadimplência anda de mãos dadas com o desemprego", diz Mariane.

A renda estagnada, a perda de confiança da população e o aumento da inflação, especialmente de alimentos, que atingiu a maior marca em três anos no início de 2019, também contribuíram para o avanço do calote.

"O que mais afetou a inadimplência no início deste ano foi a inflação", avalia o economista Luiz Rabi, da Serasa Experian, empresa especializada em informações financeiras. "A inflação dos alimentos, que atingiu 3,7% de janeiro a abril, bateu na baixa renda, que é mais vulnerável quando se fala de inadimplência."

Entre janeiro e maio deste ano, 238 mil famílias engrossaram o grupo dos 3,8 milhões de domicílios que estavam com contas atrasadas ao final de maio, destaca o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio, Fabio Bentes. No ano inteiro de 2018, 291 mil famílias se tornaram se tornaram inadimplentes.

O aumento neste ano do número de consumidores inadimplentes e de dívidas em atraso é apontado por dois birôs de crédito. Em abril, 63,2 milhões de brasileiros estavam com dívidas atrasadas, segundo a Serasa Experian. É o maior contingente de inadimplentes desde o início da série iniciada em março de 2016. São 2 milhões a mais de inadimplentes em relação a abril de 2018.

Segundo a Boa Vista Serviços, em maio, o volume de dívidas não pagas aumentou 4,8% em relação a abril, descontados os efeitos típicos do período. Foi a maior alta mensal do número de dívidas não pagas desde maio de 2018 e a terceira elevação mensal seguida. "Começamos a observar uma mudança de tendência da trajetória da inadimplência", alerta o economista Flávio Calife, da Boa Vista.

Desde meados de 2018 as pessoas começaram a tomar mais crédito e o endividamento aumentou. Mas a situação financeira do consumidor não está melhorando. Por causa desse descompasso, deve crescer o número de inadimplentes e a recuperação do crédito pode piorar, prevê o economista.


Idosos engrossam lista de novos inadimplentes

Quase a metade dos dois milhões de brasileiros que engrossaram a lista de inadimplentes nos últimos 12 meses até abril é de idosos e essa foi a faixa etária que puxou a inadimplência no período. Enquanto o total de inadimplentes cresceu 3,2% entre abril de 2018 e abril deste ano, a fatia de devedores com mais de 61 anos de idade aumentou 10,5%.
Havia 8,6 milhões de idosos inadimplentes em abril de 2018 e esse contingente subiu para 9,5 milhões em abril deste ano, segundo a Serasa Experian, empresa de informações financeiras.
"Os idosos representaram 45% do aumento do total de inadimplentes e são apenas 18% da população adulta", afirma o economista da Serasa, Luiz Rabi. Um dos fatores que tem contribuído para o aumento do calote dos idosos é o avanço dos preços dos itens mais consumidos pelas pessoas da terceira idade. Em 12 meses até março, a inflação da terceira idade cresceu 5,37%, segundo a Fundação Getulio Vargas. É um resultado que supera o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculado pela mesma instituição, que subiu 4,88% em igual período.
Outro fator é que os idosos também acabam sendo usados como fonte de renda para socorrer familiares que perderam o emprego, diz o economista.
Assim, muitos, após atingirem o limite do crédito consignado da aposentadoria, vão ao mercado buscar outras linhas de financiamento. Eles acabam ficando sem condições de honrar os empréstimos com a aposentadoria que resta após os descontos.
No crédito consignado praticamente não existe inadimplência, só em caso de óbito. A prestação do financiamento, que pode comprometer cerca de 30% da renda, é descontada automaticamente da aposentadoria ou pensão. Só que, quando o idoso busca outras linhas além do consignado, sobram poucos recursos para ele gastar com despesas básicas. Resultado: ele acaba ficando inadimplente.
Esse é o caso do aposentado Nivaldito de Souza, de 62 anos, que já devia para um banco desde meados do ano passado e em janeiro deste ano acumulou pendências com outra instituição financeira. "Já estou sem margem no consignado porque peguei um crédito para reformar a casinha da praia. Não pego empréstimo só para mim, mas para os filhos quando precisam", conta. Depois do desconto do consignado, sobra um pouco mais de R$1,2 mil. "Só com remédios gasto R$ 500,00 por mês, não dá para viver", reclama.
A pensionista Solange Fernandes Alves da Costa, de 64 anos, é outra idosa que comprometeu o limite do consignado e fez empréstimos por fora para ajudar dois filhos desempregados. Ela ficou inadimplente novamente em março, depois de ter limpado o nome no ano passado. "Vou tentar renegociar a dívida de R$ 4 mil logo, porque é horrível ficar inadimplente."
Contas de luz, água e gás, isto é, despesas básicas, puxaram a inadimplência do consumidor em abril deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto as dívidas com bancos ficaram estáveis, aponta a Serasa. Dados do Banco Central que mostram que a inadimplência dos empréstimos no sistema financeiro vem desacelerando desde 2017.
Rabi explica que geralmente os inadimplentes dão prioridade para quitar primeiro as pendências com o sistema financeiro para não ficar bloqueado no cartão de crédito e no cheque especial.
Dos 2 milhões de brasileiros que engrossaram a lista de inadimplentes nos últimos 12 meses, a maior parte foi pelo fato de ter atrasado o pagamento de contas de serviços de utilidade pública. "Não pagar essas contas de serviços é um claro sinal de gravidade, mas é contornável", diz Rabi.
 

Conservadorismo e medo de perder dinheiro elevam o interesse por aplicação na poupança


KATEMANGOSTAR - FREEPIK.COM/DIVULGAÇÃO/JC
Poucos são os brasileiros que chegam ao fim do mês com dinheiro sobrando e, diante de um quadro de instabilidade econômica, mesmo quem consegue fazer uma reserva vem recorrendo a aplicações de menor risco, deixando a boa estratégia de lado.
É o que revela o Indicador de Reserva Financeira, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Em abril, a velha e conhecida poupança seguiu na liderança (65%) entre as modalidades de investimento. Manter o dinheiro em casa foi a opção de 25% dos poupadores, enquanto 20% deixaram os recursos parados na conta-corrente. Apenas 8% escolheram a previdência privada e 7% os títulos do tesouro direto.
De acordo com o levantamento, as principais justificativas para esse comportamento estão ligadas ao perfil conservador do brasileiro: 28% preferiram guardar o dinheiro em um lugar onde possam sacar com facilidade, outros 28% afirmaram não ter sobras suficientes para investir em aplicações mais arrojadas, enquanto 20% disseram estar acostumados com as modalidades tradicionais. Já 17% afirmaram ter medo de perder dinheiro.
Na avaliação do presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, há um grande desconhecimento sobre as opções que o investidor tem à disposição, componente que contribui para um perfil demasiadamente moderado na hora de escolher o tipo de investimento.
"É preciso que alguns paradigmas sejam abandonados, como a crença de deixar todos os recursos apenas em aplicações com as quais o brasileiro já está acostumado. Se a intenção é manter o dinheiro aplicado por muito tempo, a diferença de rendimento entre a tradicional poupança e outras modalidades pode ser relevante. Por isso, é essencial conhecer as regras e o funcionamento de outras aplicações para tomar as melhores decisões", destaca.
O indicador também mostra que o brasileiro continua com dificuldades em poupar. Apenas 21% fizeram algum tipo de reserva financeira em abril, em contraponto à maioria (69%) que não conseguiu guardar dinheiro. Em média, os que investiram destinaram um valor de R$ 374,00.
Proteger-se contra imprevistos é o principal objetivo daqueles que possuem o hábito de poupar. Seis em cada 10 (60%) reservam um percentual de seus rendimentos para situações inesperadas que podem fugir do controle em razão de estarem desempregadas ou para despesas com saúde. Também observa-se uma preocupação em garantir um futuro melhor para os familiares (36%) e com o preparo para aposentadoria (14%).
Outro dado mostra que entre os poupadores habituais, 40% tiveram de sacar parte de seus recursos guardados. Um dos principais destinos dessa quantia foi para cobrir despesas com imprevistos (10%). Há ainda 13% que tiveram de usar esse dinheiro para pagar contas do mês e 10% que saldaram dívidas atrasadas com o recurso.
"Deixar dinheiro guardado para o caso de imprevistos é uma estratégia inteligente. Assim, em momentos de aperto, evita-se recorrer a empréstimos ou algum outro tipo de crédito, que pode cobrar juros elevados e dificultar ainda mais a situação financeira", analisa o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli.
Dicas de investimento para fazer o dinheiro render mais
“Quero sacar com facilidade” (a conhecida liquidez)
Buscar uma aplicação que possa socorrer o consumidor na hora de imprevistos é importante. A poupança cumpre esse papel, mas tem o inconveniente de render pouco e, não raro, abaixo da inflação. Outras opções são os CDBs e os fundos de investimentos com liquidez diária, além do Tesouro Selic;
“Meu dinheiro é pouco”
A partir de R$ 30,00 por mês é possível aplicar no Tesouro Direto Selic. Com vencimento em março de 2025, por exemplo, o investidor poderá resgatar R$ 2.613,10. Sempre que possível, recomenda-se aumentar os aportes mensais para que a reserva cresça mais rapidamente;
“Tenho medo de perder dinheiro”
Em investimentos em renda variável (ações, por exemplo) o risco existe, mas há outras opções em que esse risco é muito baixo ou, quase nulo. Modalidades como CDB e a poupança são resguardadas pelo Fundo Garantidor de Crédito em até R$250 mil (FGC);
“É mais seguro guardar em casa”
Com o dinheiro mantido em casa, há a possibilidade de que a reserva seja roubada, além das perdas com a inflação.
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