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Porto Alegre, segunda-feira, 13 de maio de 2019.

Jornal do Comércio

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Opinião

Edição impressa de 13/05/2019. Alterada em 13/05 às 03h00min

Previdência: compromisso com o bom senso

Luiz Carlos Bohn
Em 1994, os que diziam defender os mais pobres formavam uma tropa de ataque contra o Real. Mais importante do que o Plano Real propunha era quem havia proposto o plano. Não importava se era bom para o Brasil. Naquele momento, a oposição queria apenas se opor. Felizmente, o bom senso venceu.
Em 2019, o Plano Real completa 25 anos e a hiperinflação é um capítulo triste da nossa história. Agora, precisamos enfrentar um gigantesco e silencioso desafio: o déficit da previdência. Em 1994, todos entendiam que havia algo de errado na economia brasileira. Controlar a inflação era prioridade para a nação. Hoje, a questão começa em reconhecer que a previdência tem um déficit.
Neste ano, o rombo da previdência será de cerca de R$ 300 bilhões, sem contar Estados e Municípios. Se a gente quiser mesmo ser o país do futuro, temos que fazer a opção pelo futuro, repactuando a previdência para que se tenha dinheiro para a saúde, para a educação e para a infraestrutura. Em primeiro lugar, nossa população está envelhecendo (e rápido). Por isso, precisamos estabelecer uma idade mínima para a aposentadoria - vamos ter que trabalhar por mais tempo porque estamos vivendo mais. Em segundo lugar, não há espaço fiscal (e moral) para aposentadorias e pensões exorbitantes num sistema deficitário. Somente a União tem um déficit orçado de R$ 53,9 bilhões na previdência dos servidores. Como todas as aposentadorias e pensões são pagas, significa dizer que no Brasil a previdência opera uma grande redistribuição de renda a favor dos ricos com o dinheiro pago pelos tributos dos mais pobres. Em terceiro, mas não menos importante, precisamos conter fraudes e comportamentos nocivos ao sistema, e isso passa por criar mecanismos eficientes e justos.
A reforma que está hoje no Congresso, e que abrange a todos, custará à sociedade brasileira R$ 1,2 trilhão. Mas o que precisa estar na discussão é o quanto custará não fazer a reforma. Será que estamos dispostos a ver o desemprego crescer para 15%, o PIB per capita desmoronar, a inflação e os juros aumentarem? Eu tenho certeza que não. E é uma forma de promover ajustes para garantir que as próximas gerações também possam ter suas aposentadorias pagas.
Presidente da Fecomércio-RS
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