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Porto Alegre, segunda-feira, 13 de maio de 2019.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Mercado Financeiro

Edição impressa de 13/05/2019. Alterada em 13/05 às 03h00min

O vaivém dos preços das IPOs

A Centauro foi um desses casos recentes de oferta primária e que garantiu demanda dos investidores

A Centauro foi um desses casos recentes de oferta primária e que garantiu demanda dos investidores


ANA FRITSCH/ESPECIAL/JC
As ações do banco Inter mais que triplicaram de preço desde a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). As da operadora de saúde Intermédica subiram mais de 100%. Ambas têm, no ano, desempenho acima do Ibovespa, que é o principal índice do mercado acionário brasileiro. Mas há casos de estreantes que têm entregado um ganho bem aquém do esperado, como é o caso da Hapvida, também da área de saúde. Na avaliação de analistas, os resultados tão díspares fazem com que a opção de participar ou não de um IPO demande uma análise detalhada de cada oferta e, para quem não tem experiência, é melhor ficar de fora desse investimento.
Quando uma empresa decide abrir seu capital, ela apresenta algumas informações aos potenciais investidores: o que pretende fazer com o dinheiro que vai captar, qual a estratégia de crescimento e quais os potenciais riscos ao negócio. Todos esses dados estão em um documento chamado prospecto, que também conta, ao menos, o último balanço de resultados da empresa. Mas, diferentemente de uma companhia que já é negociada na Bolsa, não é possível fazer uma análise do desempenho histórico dos papéis ou mesmo uma avaliar a direção da empresa.
"Temos menos informações disponíveis em comparação a uma empresa já negociada em Bolsa. Então, é preciso tomar alguns cuidados ao fazer essa análise e ver se a companhia conseguirá entregar o que promete. Por ainda ser de capital fechado, há menos informações disponíveis", explicou Felipe Bevilacqua, gestor da Levante Investimentos.
Pontos para se medir o sucesso de um IPO são a demanda que o papel tem no momento da oferta e se ela saiu próxima ao piso da sugestão de preço ou do teto. Fatores de mercado também influenciam nesse momento, já que os investidores podem estar avessos a um determinado país em momentos de maior incerteza - como é o caso do Brasil no momento, em que ainda se discute a reforma da Previdência.
Já a outra avaliação é a performance desses papéis após o IPO. Nesse sentido, os papéis do banco Inter, que tem apostado em uma estratégia digital, já subiram 252% desde a abertura de capital, em abril do ano passado. Só neste ano, a valorização é de mais de 60%.
Como base de comparação, o Ibovespa, em 2019, acumula alta de 9,23%. Mas não significa que toda abertura de capital garantiu aos acionistas uma forte valorização. A Hapvida, operadora de saúde que também estreou em 2018, registra uma queda de 2,3% neste ano. Essas empresas, estreantes no mercado, ainda não fazem parte do principal índice da bolsa brasileira.
Essa disparidade mostra que fazer o dever de casa antes de participar ou não de um IPO é necessário. O investidor também precisa ter no radar qual será o uso dos recursos da oferta.
São dois os tipos de ofertas de ações e que devem constar do prospecto. Uma delas é a primária, em que os recursos levantados na venda de ação vão para o caixa da companhia. Dessa forma, podem ser utilizados em investimentos ou para o pagamento de dívida. Há também a secundária, em que os acionistas controladores vende parte ou toda a sua participação na empresa.
"A primária mostra que os sócios querem permanecer na empresa e fazer o negócio expandir. Na secundária, eles estão saindo, aí é preciso ver o motivo. O que temos visto é que há uma aceitação melhor nos casos de ofertas primárias", completa Bevilacqua.
A Centauro foi um desses casos recentes de oferta primária e que garantiu demanda dos investidores. A varejista de material esportivo realizou seu IPO, em uma operação que movimentou R$ 772 milhões, há menos de um mês. Mesma sorte não teve a Vamos, subsidiária da empresa de logística JSL, que precisou suspender a oferta na semana passada.
Na avaliação de Carlos Daltozo, analista da Eleven Financial, é recomendável comparar o desempenho da empresa que deseja abrir capital com as companhias similares já negociadas em Bolsa. Dessa forma, fica mais fácil saber se o preço que está sendo pedido está condizente com o desempenho do setor.
"É muito mais fácil fazer a avaliação quando já há um concorrente. Esse é o exemplo da Caixa Seguridade, que é uma das empresas que podem abrir capital em breve. É possível comparar seus números com os da BB Seguridade", explica.
Na visão de analistas, a oferta de IPOs deve ganhar força ao longo do ano e esquentar, de fato, quando houver uma certeza maior da aprovação da reforma da Previdência e de qual será o tamanho da economia possível com as mudanças nas regras da aposentadoria. Isso servirá para dar maior tranquilidade ao investidor, especialmente o estrangeiro, garantindo demanda para essas operações.
Por essa razão, os analistas recomendam ficar de olho na porcentagem das ações que está sendo colocada à venda. Se for o mínimo de 25% exigido pelas regras, o melhor é ficar de fora. "Os fundos tendem a comprar participações mais relevantes e deixar em carteira. Isso reduz muito a liquidez do papel", diz Álvaro Frasson, analista da corretora Necton.
E por precisar analisar tantos detalhes, o melhor é que novatos em compra de ações fiquem longe de IPOs e optem por empresas que já são negociadas. "Fica mais fácil tomar a decisão quando a empresa já tem histórico. Empresas como as de energia ou bancos mantêm o resultado mesmo com as frustrações das expectativas no crescimento da economia."
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