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Porto Alegre, segunda-feira, 15 de abril de 2019.
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Opinião

Edição impressa de 15/04/2019. Alterada em 15/04 às 03h00min

A angústia da inovação

Paulo Bettio
Inovação é a bola da vez. Não importa em qual setor da economia, o tamanho da empresa, o modelo de negócio, se público ou privada, todos estão sujeitos a se deparar, a qualquer momento, com uma disrupção - inovação que rompe com modelos e negócios tradicionais - que pode transformar o negócio para sempre ou, até mesmo, acabar com ele ou com todo um segmento da economia. Ninguém tem um porto realmente seguro neste momento de incríveis transformações.
A evolução tecnológica, somada a uma velocidade de transformação nunca vista, geram uma pressão enorme nas pessoas e a maioria delas não sabe como lidar com esse volume gigantesco de informação e de incertezas. Isso é o que eu chamo de "Angústia da inovação"! Mas como se preparar para esse ambiente de transformação acelerada e aliviar essa angústia?
Uma forma de se fazer isso é desenvolver uma habilidade de "desaprendizado" acelerado para abrir espaço e criar oportunidades para novos e continuados aprendizados.
Até pouco tempo aprendíamos para trabalhar, mas, hoje, isso já não é mais suficiente e trabalhamos para aprender, continuadamente. É o que chamamos de "LLL - LifeLong Learning", ou, em português, "aprendizado ao longo da vida".
Desaprender e reaprender. Adquirir novos "mindsets" orientados à inovação. A nova economia - a economia criativa, é ainda mais desafiadora pois toda a força de trabalho ativa atual foi educada com modelos orientados a nivelar todo mundo, às vezes com réguas muito baixas, que hoje não servem mais. Os criativos, os "fora da caixa" eram rapidamente forçados a se igualar à média. Com isso, nossas escolas formaram gerações "de iguais", de medianos, que hoje sofrem a angústia por serem cobrados a pensar diferente.
Habilidades até então desprezadas pelo mercado de trabalho são hoje desejadas e já figuram nas descrições de competências de anúncios de emprego das melhores empresas: criatividade, colaboração, iniciativa, inteligência coletiva, a capacidade de assumir riscos, entre outras.
O LinkedIn divulgou, em janeiro, uma pesquisa sobre as habilidades mais desejadas pelo mercado de trabalho em 2018 e no topo da lista está "criatividade". Sim, aquela mesma criatividade que lhe foi tolhida lá atrás, nos bancos escolares.
Inovação, na minha opinião, tem muito menos a ver com tecnologia do que a maioria das pessoas imaginam. Para mim, inovação é essencialmente um "mindset", um modelo mental, um estilo de vida. A tecnologia está disponível, é abundante, todo mundo tem acesso. O difícil, de verdade, é mudar a cabeça das pessoas e tirá-las de suas zonas de conforto, pois não há zonas de conforto em ambientes de inovação.
Por isso, para não sofrer de angústia da inovação, só há um caminho: fazer uma disrupção de você mesmo. Transforme-se completamente! Seja um novo você! Talvez, até mesmo, aquele você que você deixou para trás na sua infância.
Procure cursos orientados à inovação, à nova economia, à economia criativa. Estude "Design Thinking", processos criativos, "storytelling", design de negócios etc. Muitas universidades já entenderam que precisam ofertar cursos com este perfil e já há boas opções no mercado.
Enfim, o remédio para a angústia da inovação reside em você. Você é quem decide se vai sofrer ou se vai usufruir de todas as coisas boas que a inovação vai proporcionar.
Publicitário, professor da disciplina de Saúde e Tecnologia da Pós-Graduação em Economia Criativa e Disruptiva da Universidade Positivo
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