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Porto Alegre, segunda-feira, 04 de fevereiro de 2019.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a palavra

Edição impressa de 04/02/2019. Alterada em 04/02 às 01h00min

Videoturismo escolhe Caxias para expandir

Escolha atende à estratégia de desenvolvimento e crescimento da companhia: fornecer soluções inovadoras em tecnologia e entretenimento

Escolha atende à estratégia de desenvolvimento e crescimento da companhia: fornecer soluções inovadoras em tecnologia e entretenimento


MAURÍCIO RIZZOTTO/DIVULGAÇÃO/JC
Roberto Hunoff
Mesmo com os sobressaltos e a queda da economia brasileira nos últimos anos, o grupo mexicano Videoturismo não recuou nos investimentos programados para o Brasil e instalou uma operação em Caxias do Sul - a primeira no Brasil e na América do Sul. Com mais de 15 anos de mercado e sede em Chihuahua, a empresa é focada em soluções digitais de entretenimento e tecnologia para o segmento de transporte de passageiros. No seu portfólio estão produtos e serviços voltados à venda e instalação de equipamentos de projeção de filmes via streaming (Wi-Fi) e aluguel de filmes e documentários para exibição em veículos de transporte coletivo de passageiros, especialmente para linhas rodoviárias.
A operação de Caxias do Sul tem à frente os sócios mexicanos Cesar Gramer e Sergio Gramer e o brasileiro Maurício Rizzotto. A escolha pela serra gaúcha atende à estratégia de desenvolvimento e crescimento da companhia: fornecer soluções inovadoras em tecnologia e entretenimento, inicialmente para as fabricantes de ônibus novos e para empresas de transporte coletivo de passageiros do mercado brasileiro, e posteriormente expandir o negócio para atender aos países da América do Sul.
JC Empresas & Negócios - A Videoturismo já operava com clientes brasileiros?
Sergio Gramer - Sim, mas não no Brasil. Éramos conhecidos por fornecermos equipamentos para ônibus que seriam exportados para o México. O Brasil é o primeiro país, fora o México, com operação fabril. Nos demais, operamos apenas com escritórios comerciais. Inicialmente, teremos uma estrutura mais comercial, mas suportada por um núcleo de montagem de equipamentos. Desenvolvemos fornecedores locais e já usamos componentes comprados aqui. Trazemos aquilo que não temos por aqui. Mas já avaliamos a possibilidade de manufaturar no Brasil. Estamos começando com quatro pessoas empregadas diretamente, com expectativa de ampliar a partir do esperado incremento de vendas.
Empresas & Negócios - O foco é exclusivamente o fabricante das carrocerias de ônibus?
Gramer - Vamos começar pelas fábricas e, na medida do desenvolvimento do mercado, atuaremos também diretamente no cliente final, que são os frotistas de ônibus no Brasil e nos países da América do Sul. Vamos iniciar com produtos que chamam atenção pela tecnologia, diferentes dos atualmente oferecidos ao mercado. Na sequência, ampliaremos a gama para atender a todas as demandas. Temos uma linha ampla, da mais tradicional até as mais sofisticadas, como telas individuais com controle. Além disso, temos uma linha diversificada de periféricos, como carregadores de celulares, que é uma demanda já incorporada nos veículos.
Empresas & Negócios - Qual é a novidade que a empresa traz para o segmento de ônibus?
Gramer - O sistema de streaming permite que, além do tradicional monitor de salão ou individual de poltrona, que é uma novidade para o Brasil, o passageiro também possa assistir a programação em seu smartphone, tablet ou celular. Terá à sua disposição uma cartela de filmes e documentários para escolher sem depender de sinais externos. Será um meio da pessoa se entreter na viagem. Atualmente, o nível de entretenimento em um ônibus é ainda muito básico, com monitores de salão e com poucas opções de exibição de filmes. Com esta tecnologia, haverá a individualidade de escolha por passageiro, que terá a tela na poltrona da frente, além da opção de usar seu próprio equipamento móvel.
Empresas & Negócios - Qual o principal mercado deste produto?
Gramer - Inicialmente, é o transporte rodoviário de nível alto, principalmente para turismo. Mas, com o tempo, acreditamos na sua extensão a todos os veículos usados em viagens com mais de três horas de duração. Além de segurança, o passageiro também precisa de conforto e entretenimento. Este sistema permite ver uma gama de filmes, séries, documentários, ler livros, escutar músicas, entrar na web da empresa e até comprar a passagem de volta. É uma tecnologia que torna a viagem mais prazerosa. Não podemos encurtar as viagens, mas podemos fazer com que pareçam mais curtas. O Brasil, assim como a maioria dos países da América do Sul, são muito extensos, há roteiros com mais de 50 horas de viagem, e o passageiro não pode ficar todo este tempo olhando para uma poltrona sem qualquer atrativo à sua frente. Acreditamos ser possível levar para o mercado de ônibus as comodidades que o passageiro tem em sua casa.
Empresas & Negócios - A tela individual é bastante usada em aviões, em viagens mais longas. Nos ônibus já é absorvida?
Gramer - É um produto ainda novo e poucas empresas fazem uso dele, mas a tendência é crescer bastante porque haverá oferta. Basta lembrar que o segmento tem evoluído gradualmente nos últimos anos. No começo, eram monitores comuns, colocados no salão, que reproduziam videocassetes. O setor passou a incluir geladeira, sanitário e o ar-condicionado virou obrigatoriedade. Com as tecnologias 3G e 4G foi preciso incluir o carregador USB. Agora, estamos avançando para um sistema ainda mais individual, com as telas nas poltronas e a possibilidade de até 60 pessoas usarem o sistema de forma simultânea, inclusive o seu próprio equipamento móvel. Isto permitirá, inclusive, que o operador crie categorias de tarifas num mesmo ônibus. Só precisa dimensionar o público e isto o empresário fará com o tempo e as demandas que o mercado exigir. Mas é algo que veio para ficar e terá influência nos negócios das companhias. Manter o passageiro entretido na viagem é uma revolução que está chegando ao setor de ônibus, algo já comum no transporte aéreo. No México, o grau de importância do entretenimento é tamanho que o ônibus que estiver com problemas nestes sistemas não sai da garagem.
Empresas & Negócios - A tecnologia também pode ter aplicação para de fins de segurança, por exemplo?
Gramer - Dependendo da escolha do pacote pelo operador, o motorista pode informar problemas que surjam na viagem, deixando a empresa de sobreaviso. Esta pode usar o sistema com fins comerciais, vendendo publicidade e já há cases no exterior, e os passageiros podem apresentar sugestões e reclamações. Não é somente entretenimento, a gama de serviços é grande. Alguns operadores já se deram conta da evolução que está ocorrendo com o passageiro e usam isto como vantagem competitiva. Logicamente, que o empresário tem a responsabilidade pelo que é exibido, quer em termos de direitos de uso, como do conteúdo. Criamos os programas de acordo com os interesses de cada cliente, algo personalizado. Temos especialistas para desenhar cada necessidade.
Empresas & Negócios - A Videoturismo já tem uma ideia de volumes de equipamentos que possam ser vendidos a partir da operação brasileira?
Gramer - É um mercado novo na América do Sul, que será conquistado paulatinamente. É precipitado fixar volumes, mas estamos preparados para atender a grande número de pedidos, somos otimistas. É certo que o empresário não vai aceitar de imediato, vai querer experimentar. Levaremos algum tempo para mudar uma cultura de décadas e mostrar que o investimento será favorável. Já temos bons negócios encaminhados também na Argentina e na Bolívia. Tem muito mercado para conquistar por aqui e o momento é adequado, pois há um otimismo, principalmente no Brasil, de crescimento. Acho que chegamos num momento indicado para bons negócios.
Empresas & Negócios - A empresa opera em outros continentes?
Gramer - Atendemos alguns clientes na Europa, a maioria está nas Américas Central e Sul. Para a América do Norte o transporte terrestre de passageiros não é tão importante, lá se usa muito avião para as linhas regionais. Aqui tem muito mais mercado para explorar.
 
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