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Porto Alegre, segunda-feira, 07 de janeiro de 2019.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Opinião

Edição impressa de 07/01/2019. Alterada em 07/01 às 01h00min

O que o Brasil precisa para 2019 ser o ano da virada

Daniel Toledo é advogado especializado em direito internacional, consultor de negócios e sócio fundador da Loyalty Miami - divulgação  Loyalty Miami

Daniel Toledo é advogado especializado em direito internacional, consultor de negócios e sócio fundador da Loyalty Miami - divulgação Loyalty Miami


/LOYALTY MIAMI/DIVULGAÇÃO/JC
Daniel Toledo
A cada seis meses, publico estudos sobre tendências de mercado. Esses dados são baseados em análises e relatórios que são enviados periodicamente para diretores e presidentes de empresas nas quais realizo consultoria. E, em 2017, também baseado nessas pesquisas, produzimos um vídeo para o canal no YouTube da Loyalty Miami USA abordando o tema.
Mostrei números que refletiam as realidades das economias norte-americana e brasileira, com foco no dólar, em relação a algumas previsões para 2018 sobre o que aconteceria a essa mesma moeda nos meses de março e junho. E os números bateram, chegando à casa dos R$ 4,19.
Ao eleger um novo presidente, algumas pessoas acham que o Brasil dos últimos 20 anos vai ser completamente renovado no dia 1 de janeiro de 2019, e não é assim. Há várias etapas jurídicas que as aprovações de projetos, leis e afins precisam seguir.
A projeção para o dólar em 2019
Situação 1
Elaborei alguns cenários que são públicos e que foram divulgados pelo Banco Central Brasileiro (Bacen), sendo que o primeiro é analisado por essa própria instituição. O BTG também faz um panorama parecido, no qual coloca o Brasil com 150 pontos.
Essa análise é basicamente um milagre, que acho pouco provável, porque teríamos que contar com um grande comprometimento do presidente da República para que o País possa, finalmente, ter caixa e estrutura financeira. Olhando de uma forma muito macro, não depende nem só do País, mas também de alguns vizinhos. Inclusive, uma movimentação negativa em algum ponto na América Latina bastaria para influenciar a economia brasileira.
O Bacen prevê a taxa de juros, e o interjuris norte-americano previsto para 10 anos, caindo meio ponto em percentual, o que é bastante. O que eu também não acredito que vá acontecer. Está havendo uma certa preocupação com alguns gastos, e existe uma oferta muito grande de dinheiro no mercado. O governo vai tentar segurar isso um pouco, por enquanto, mas acho que o Banco Central está sendo muito positivo.
Situação 2
Há algumas apostas de alguns bancos internacionais em focar no mercado especulativo, que inclusive já começou em junho de 2018. Existe, ainda, algum dinheiro de especulação no Brasil, que, em 2018, captou mais de R$ 6 bilhões em recursos internacionais para o mercado financeiro, que veio de quem especula moeda. Por isso, esse dinheiro não é declarado, porque, muitas vezes, não vem identificado dessa forma.
Existe um cenário visto por alguns bancos especialistas no mercado especulativo. Estou falando de especulação, o pior dos cenários, no qual é visto que o Brasil irá enfrentar muitos impasses políticos e que Bolsonaro não vai conseguir aprovar tudo o que quer por conta de uma contrapartida muito grande e de divergências políticas. Também apostam na demora na reforma previdenciária, dificuldade nas negociações e dividas.
Tudo isso vai jogar o risco país lá em cima, causando instabilidade de moeda e insegurança financeira, e o dólar flutuaria entre R$ 4,80 e
R$ 4,90. Cenário de caos. Muito perto do que o Brasil enfrentou em junho passado.
Situação 3
É o cenário que enxergo e que algumas instituições financeiras mais conservadoras e frias estariam de acordo. O Brasil vai conseguir passar alguns projetos da reforma previdenciária, porque, se não, algumas mudanças necessárias para que a economia tome folego, não ocorrerão. A manutenção do cenário internacional de hoje não é o pior dos mundos, mas também não é o melhor a ponto de esperar o dólar entre R$ 3,30 e R$ 3,40.
O risco país, nesse caso, vai ficar entre 220 ou, no máximo, 240 pontos. Acredito nesse fato porque já vi alguns números semelhantes e também aposto na manutenção do dólar entre R$ 3,85 e R$ 3,95 durante o ano.
O mercado internacional é muito aberto para o produto brasileiro, mas os micro e pequenos empresários não têm qualquer incentivo para se projetar no mercado externo. Sem contar que, muitas vezes, eles não têm conhecimento sobre como fazer isso. Se houver algum empenho por parte da equipe econômica que vai assumir, conseguiríamos um reflexo positivo na balança comercial.
A minha opinião sobre a taxa Selic, em 2019, por parte do governo atual, será de 8%. Acho que vai subir um pouco mais, justamente por conta dessa expectativa exagerada sobre a nova conjuntura política.
Acredito que a taxa de juros prevista para o próximo ano é bem real, vamos chegar nela. Mas, antes, haverá um pequeno aumento, se não as pessoas vão se arrebentar no crédito. É preciso tomar cuidado, tanto com o excesso quanto com a inadimplência, porque Bolsonaro não vai conseguir transformar tudo em seis meses.
Em 2018, a Balança Comercial teve uma captação de R$ 68 bilhões, o que não acho ruim, mas que está longe da capacidade do País. Existe uma previsão que supere R$ 70 bilhões em 2019, o que também poderia melhorar. O Brasil tem uma capacidade gigantesca, náutica, de alguns ramos de tecnologia, em nióbio, exploração de petróleo, monopólio da Petrobras, uma série de recursos que podem triplicar esse montante. Basta ter coragem para colocar o dedo na ferida.
Sócio da Toledo and Associates, Law Firm
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