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Porto Alegre, segunda-feira, 31 de dezembro de 2018.
Dia de São Silvestre.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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consumo

Edição impressa de 31/12/2018. Alterada em 31/12 às 01h00min

Varejistas aceleram expansão em 2019

Expectativa é de que o saldo de novas lojas mais que dobre em relação a este ano

Expectativa é de que o saldo de novas lojas mais que dobre em relação a este ano


FREEPIK.COM/DIVULGAÇÃO/JC
Com o início de um novo ciclo de crescimento econômico que se desenha, a expectativa para o ano que vem é de que o saldo de novas lojas mais que dobre em relação ao resultado deste ano. Nos cálculos da Confederação Nacional do Comércio (CNC), entre aberturas e fechamentos, até 15 mil novos pontos de venda devem entrar em operação em 2019.
Para projetar esse número, o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, considerou a melhora da confiança dos empresários do setor e a perspectiva de um crescimento maior do faturamento do comércio em 2019. As vendas do varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, deve crescer 5,2% em 2019, ante 4,5% neste ano. Até outubro, o avanço foi de 5,3%.
Pesquisa nacional feita recentemente pela CNC com 6 mil empresários do setor mostra que 42% dos varejistas estavam dispostos a investir no seu próprio negócio. Isso significa ampliar lojas ou abrir filiais. No final de 2017, a mesma enquete indicou que 38% pretendiam fazer expansões.
Essa maior disposição para ampliar o próprio negócio é confirmada pelo Ibope Inteligência. A consultoria registrou, neste ano, especialmente a partir do segundo semestre, crescimento de 67% na procura por pesquisas que identifiquem os melhores mercados e os pontos com maior potencial de faturamento para decidir onde as novas lojas serão abertas. "Temos a impressão de que os empresários do varejo vão pisar no acelerador", diz Fábio Caldas, diretor de shoppings e varejo do Ibope.
Além do aumento da demanda por estudos de geolocalização das lojas, Caldas aponta que o aquecimento do varejo é nítido. E isso sustenta, na sua opinião, a retomada dos investimentos em expansão. Em novembro, pelo quarto mês seguido, o fluxo de consumidores nos shoppings cresceu 2,1% em relação ao mesmo período do ano passado, depois de ter ficado no vermelho entre maio e julho. Os dados são do Iflux, indicador apurado pela consultoria em parceria com a Mais Fluxo.
Outro fator que impulsiona as decisões de investimento neste momento são as despesas do setor, que ainda continuam em um patamar mais baixo, como os aluguéis comerciais. "Para os varejistas que estão com capital, a oportunidade é agora", afirma o presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Nabil Sahyoun, vislumbrando o crescimento mais forte da economia em 2019. Por causa do grande volume de espaços vagos nos shoppings, as negociações estão mais favoráveis aos lojistas. É possível obter descontos na locação e prazos maiores de carência, explica Sahyoun.
A redução das despesas para abrir novas lojas é confirmada pelo diretor-geral da rede de lanchonetes Bob's, Marcelo Farrel. "O aluguel teve uma redução importante e também há uma oferta maior de mão de obra", acrescenta o executivo. Ele lembra que, anos atrás, quando a economia estava a todo vapor, esses gastos estavam tão altos que acabavam por limitar a expansão.
Em 2018, o Bob's abriu 75 lojas, 15 a mais do que no ano anterior. Na semana passada, foram inaugurados seis pontos de venda em uma tacada só. A grande concentração de aberturas ocorreu para aproveitar o bom momento de vendas da virada do ano, explica o executivo. Para 2019, estão previstos, entre franquias e lojas próprias, 100 novos pontos de vendas da marca, com investimentos que somam R$ 200 milhões.
O Habib's também está otimista com a expansão. "No mercado de fast food, o importante é chegar antes do concorrente", diz Mauro Saraiva, presidente do Grupo Habib's. O plano do grupo - que reúne as bandeiras Habib's, Ragazzo, Complexo H e Tendall Grill - é inaugurar 125 pontos de venda no ano que vem. O ano de 2019 será o de maior expansão do grupo, com investimentos de
R$ 100 milhões, considerando aportes de franqueados e próprios. Neste ano, foram abertas 75 lojas, que absorveram R$ 60 milhões. Além do mercado imobiliário e da conjuntura, ambos favoráveis à expansão, Saraiva ressalta que o grupo criou um formato de loja menor, o que facilita o crescimento rapidamente.

Lojas Cem corre na contramão da concorrência

Terceira maior varejista de eletrodomésticos e móveis do País, com vendas anuais de R$ 5,3 bilhões, a Lojas Cem não vende nada pela internet. E, no que depender de seus donos, a empresa vai continuar off-line - ao contrário das concorrentes Via Varejo e Magazine Luiza que têm aumentado a aposta no e-commerce para ampliar o faturamento de R$ 25,6 bilhões e R$ 11,7 bilhões no ano passado.
Não é de hoje que a varejista, que começou em 1952 como uma oficina de conserto de bicicletas, em Salto, no interior do estado de São Paulo, rema contra a maré. Vinte anos atrás, quando concorrentes venderam as carteiras de créditos para os bancos com a intenção de ganhar fôlego financeiro, a varejista contrariou o mercado. Até hoje, banca a venda a prazo com os próprios recursos.
"Sempre nos questionam por que não vendemos pela internet", conta o sócio-diretor Natale Dalla Vecchia, de 82 anos, filho do fundador. Ele começa a costurar seu argumento dizendo que os concorrentes falam como se o comércio on-line respondesse por 80% das vendas de móveis e eletrodomésticos. "Na verdade, representa 2,7% desse mercado. É pouquíssimo", acrescenta o irmão mais novo, Cícero Dalla Vecchia, sócio-diretor, que responde pelas áreas fiscal e financeira.
Além da pequena representatividade das vendas on-line no setor, Dalla Vecchia aponta dois outros obstáculos que desestimulam a empresa a investir na internet. Um deles é a tributação diferente para cada Estado. "Quem vende nacionalmente pela internet tem de acompanhar a legislação de todos os estados", diz ele. Hoje, com 266 lojas espalhadas entre São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, a rede tem 70 funcionários só para cuidar de questões tributárias. Esse já é um dos maiores departamentos da companhia.
Outra barreira à internet é a logística. A empresa só tem lojas em um raio de até 600 quilômetros do centro de distribuição de 120 mil metros quadrados, em Salto. A partir de 2019, a família iniciará um plano de expansão para dobrar o tamanho do centro de distribuição.
Mas a principal razão para a varejista não ingressar na internet é o perfil da sua freguesia. "O consumidor da internet é classe A, mais exigente, chorão, pechincheiro", diz Natale. Já o público predominante das Lojas Cem é de classes B e C, que frequenta lojas de rua, gosta de tocar e ver a mercadoria e conversar com vendedor. Aliás, todas as lojas da rede são de rua e só três ocupam prédios alugados.
"Acreditamos na loja de rua e em prédios próprios", diz Natale. Quem dita as regras na empresa é a família Dalla Vecchia, que não quer negociar ações na bolsa de valores, com uma abertura de capital. São três irmãos, filhos do fundador Remígio Dalla Vecchia, e um cunhado que tocam a empresa, de 11,3 mil funcionários, quase todos formados na companhia.
"Não temos CEO (Chief Executive Officer, na sigla em inglês, a pessoa de maior autoridade na empresa)", afirma Natale. Ele conta que as decisões são tomadas pelo colegiado de sócios e que raras vezes há divergências. Alguns princípios são inegociáveis: "Compramos as mercadorias em prazo curto, não mandamos a carteira de crédito para financeiras, não distribuímos lucro, não abrimos lojas em shoppings", lembra Natale.
Há dois anos, a pedido dos fornecedores, que queriam entender como a empresa atua, os sócios responderam às principais perguntas e colocaram no papel. "Os fornecedores mostraram o documento a concorrentes, que leram até o terceiro parágrafo e disseram que assim não dá para trabalhar", conta. "E nós trabalhamos desse jeito. Somos conservadores, fazemos tudo diferente e somos a empresa que mais dá certo."

Após fechar 223 mil lojas em três anos, setor retoma inaugurações

Petz, que chegou a Porto Alegre em 2017, abriu 18 novos pontos de venda no País apenas este ano

Petz, que chegou a Porto Alegre em 2017, abriu 18 novos pontos de venda no País apenas este ano


MARCO QUINTANA/JC
Neste ano, pela primeira vez desde o início da crise, o varejo abriu mais lojas do que fechou no País. Até outubro, entre abertura e fechamento de pontos de venda, 6 mil unidades foram inauguradas e a expectativa do setor é que o ano termine com um saldo de 7 mil novos estabelecimentos. Os números demonstram uma retomada do varejo, ainda que lenta e insuficiente para compensar o estrago dos anos de recessão. Entre 2015 e 2017, 223 mil lojas fecharam as portas.
O movimento de expansão do comércio foi captado por um estudo feito pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) a partir de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O levantamento indica que 2018 será o melhor ano para o setor desde 2013, quando o varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, cresceu 3,6% e registrou a abertura de 36,3 mil lojas, antes de mergulhar na crise.
"A recuperação neste ano, no entanto, tem sido gradual", diz o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes. Um sinal disso é que mais da metade das aberturas de lojas está concentrada em redes que vendem itens de primeira necessidade, como supermercados e farmácias. A greve dos caminhoneiros, em maio, e a corrida eleitoral, no segundo semestre, abalaram a confiança de empresários e consumidores e tornaram mais lenta a retomada de todos os setores da economia, incluindo o varejo. A definição das eleições, segundo Bentes, melhorou as perspectivas.
O empresário Sergio Zimerman, presidente da varejista Petz, que vende produtos para animais de estimação, atribui a expansão da rede ao sucesso de seu modelo de negócio e à troca de governo. "Se as coisas não estivessem caminhado nessa direção, eu estaria preocupado", disse. A Petz abriu 18 novos pontos de venda em 2018. O último foi inaugurado neste sábado, dia 22, em São Paulo. Zimerman gastou R$ 100 milhões em expansão neste ano e pretende desembolsar o dobro no ano que vem, com 34 novas lojas.
A mudança de humor dos empresários, principalmente após as eleições, ficou evidente para Daniel Garcia, sócio-diretor do estúdio Jacarandá, um escritório de arquitetura especializado em varejo. "A aceleração dos projetos de novas lojas ocorreu no segundo semestre." Seu escritório deve fechar o ano com 165 projetos - 57% mais que em 2017.
Para 2019, Garcia tem 250 novas lojas na prancheta. Para dar conta do aumento de volume de trabalho, o arquiteto já ampliou em 30% o número de funcionários e vai dobrar o tamanho do escritório no ano que vem.
Segundo Bentes, da CNC, existe uma defasagem de ao menos seis meses entre o desempenho das vendas e as decisões de investimentos. Assim, a retomada vista neste ano reflete o crescimento de 4% do varejo no ano passado e de 5,3% até outubro. 

Via Varejo terá fatia vendida em bolsa

Empresa em constante processo de mudanças, a maior varejista de eletroeletrônicos do Brasil, a Via Varejo, tem anunciada a quarta troca de comando desde 2014 e caminha para uma mudança de controle. O Grupo Pão de Açúcar (GPA) finalmente admitiu usar o mercado de capitais para vender uma fatia da empresa, algo que vinha sendo sugerido por assessores financeiros pelo menos desde meados de 2017.
O GPA informou ao mercado, no dia 21 de dezembro, que seu conselho autorizou a alienação de parcela da participação acionária detida na Via Varejo através de um contrato de total "return swap" a ser firmado com instituição financeira. Serão vendidas em bolsa cinquenta milhões de ações ordinárias, correspondentes a 3,86% do capital.
O GPA controla a Via Varejo com 43,23% do capital. A fatia restante, segundo o grupo, ainda poderá ser vendida para um investidor estratégico, mas o GPA pondera em Fato Relevante que "objetivo poderá ser alcançado através de operações disponíveis no mercado de capitais". A venda de toda a fatia do GPA na Via Varejo deve ocorrer até dezembro.
Embora pessoas envolvidas nos esforços de venda do controle da Via Varejo tenham prospectado diversos nomes de potenciais compradores, a avaliação da maior parte do mercado é que a venda a um investidor estratégico nunca foi um negócio simples de se concretizar. Tanto que já se passaram dois anos desde que a busca por um comprador para a Via Varejo começou.
Os últimos anos foram intensos na rede varejista que controla as Casas Bahia e o Pontofrio. Em 2016, uma crise atingiu as operações de comércio eletrônico até então sob o guarda-chuva de uma empresa separada, a Cnova. Fraudes nos estoques levaram a perdas e a demissão de executivos. Logo depois, a companhia decidiu reverter a forma como vinha lidando com o e-commerce e passar a integrar as operações online ao varejo físico.
O processo acelerado de integração fez a Via Varejo mudar muitas coisas ao mesmo tempo. A ponto de surgirem dificuldades nas integrações de sistemas no terceiro trimestre deste ano. Escolhido como o nome para encabeçar essa transformação digital da empresa, o ex-Walmart Flávio Dias passou apenas oito meses como CEO.
Agora, o presidente do GPA, Peter Estermann, volta a assumir a Via Varejo depois de justamente ter deixado a empresa nas mãos de Dias. Em comunicado, a empresa afirmou que Estermann "terá como uma de suas principais prioridades, além de acelerar a conclusão das mudanças em curso, buscar a rápida e consistente retomada da rentabilidade da Companhia a ser alcançada nos primeiros meses de 2019". Ele permanece como presidente do GPA e também mantém seu posto no Conselho de Administração da Via Varejo, ou seja, acumula três postos.
A Via Varejo acumula um lucro de apenas R$ 12 milhões entre janeiro e setembro deste ano, uma queda de 78% ante os mesmos meses de 2017. A companhia afirmou em sua última divulgação de resultados que obteve desempenho em vendas abaixo do esperado e enfrentou um ambiente mais competitivo.

Casas Bahia terão modelo de lojas compactas

Cidades com 70 mil habitantes e alto potencial de consumo receberão lojas compactas

Cidades com 70 mil habitantes e alto potencial de consumo receberão lojas compactas


VIA VAREJO/DIVULGAÇÃO/JC
A rede Via Varejo anunciou um formato de lojas compactas para Casas Bahia. Os locais com até 150 metros quadrados terão foco em cidades de até 70 mil habitantes e alto potencial de consumo. "Os clientes nessas localidades estão mal servidos, e já vemos possibilidade de roubar participação de mercado de maneira muito rápida", disse à Reuters o diretor de operações da Via Varejo, Marcelo Nogueira.
De acordo com ele, a companhia identificou até 300 cidades brasileiras com potencial para receber uma loja compacta da Casas Bahia, e as inaugurações começaram neste mês no interior de São Paulo.
A Via Varejo abriu uma unidade no município de Jaguariúna (SP) e deve inaugurar outra em Laranjal Paulista. "Tem outra em Salto de Pirapora que ocorreria neste mês, mas vai ficar para janeiro", contou Nogueira.
Ele informou o total de lojas compactas que a rede varejista planeja abrir em 2019, mas revelou que boa parte das inaugurações previstas para o início do próximo ano serão nesse formato, cujo custo de ocupação tende a ser, pelo menos, três vezes menor do que o formato tradicional.
"O custo acaba sendo proporcional à área (da loja), então o investimento por metro quadrado será menor, e o custo operacional também", afirmou o executivo. Os espaços serão todos alugados.
A loja compacta faz parte de um conjunto de novos formatos lançados nos últimos anos pela Via Varejo que privilegiam a integração de canais físicos e on-line, como é o caso do Smart, com 350 m² a 800 m² em operação desde novembro de 2017 nas duas bandeiras.
Em abril, a varejista também começou a operar quiosques com até 25 m² para ampliar a presença e participação de ambas as redes. O modelo compacto, porém, será voltado exclusivamente para a Casas Bahia, afirmou Nogueira. Segundo ele, as unidades contarão com todos os serviços da bandeira, incluindo crediário, cartões, garantia estendida, multiassistência e seguros.
"Não é objetivo entrar com guerra de preços nessas cidades, mas haverá alavanca pelo reconhecimento da marca e facilidades de pagamento", comentou.
O executivo acrescentou que a estratégia inicialmente estará centrada no parcelamento, mas a empresa tende a expandir a oferta de crédito aos clientes mediante o avanço da carteira digital.
Em setembro, a Via Varejo assinou contrato com a startup AirFox para desenvolver soluções de pagamento móvel e banco digital, garantindo opção de comprar até 80% da empresa com sede em Boston em até três anos.
A empresa iniciou neste mês, em duas lojas na capital paulista, o projeto-piloto, permitindo aos clientes da Casas Bahia realizarem pagamento digital do carnê por meio do aplicativo móvel da AirFox. O plano é expandir o serviço para até 30 lojas até o fim de fevereiro e implementá-lo nas demais unidades a partir do segundo trimestre de 2019.
As ações da Via Varejo acumulam queda de mais de 40%, na contramão de concorrentes como Magazine Luiza e B2W, que subiram cerca de 124% e 94%, respectivamente, neste ano.
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