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Porto Alegre, segunda-feira, 10 de dezembro de 2018.
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mercado de capitais

Edição impressa de 10/12/2018. Alterada em 10/12 às 01h00min

Algoritmos decidem investimentos

Uso de conjunto de regras matemáticas e estatísticas consegue identificar determinados padrões de ganhos ou perdas e, assim, tomar decisões sobre quais os melhores ativos para aplicar

Uso de conjunto de regras matemáticas e estatísticas consegue identificar determinados padrões de ganhos ou perdas e, assim, tomar decisões sobre quais os melhores ativos para aplicar


/FREEPIK/DIVULGAÇÃO/JC
Esqueça a figura do gestor de recursos avaliando as variações do mercado financeiro para decidir quais são os melhores ativos (ações, moedas, contratos de juros) para investir. Quem faz isso, agora, é um conjunto de regras com fórmulas matemáticas e estatísticas, conhecido como algoritmo, que consegue identificar determinados padrões de ganhos ou perdas e, assim, tomar decisões. Ao menos é assim que funcionam os chamados fundos quantitativos, que têm batido aplicações tradicionais e ganhado adeptos.
"Esses algoritmos interpretam os movimentos de mercado e tomam a decisão de forma automática, dentro de padrões de risco que são estabelecidos e respeitados. Não há interferência humana", explica José Tibães, sócio da XP Investimentos, que faz a distribuição desse tipo de fundo. Casas como Órama e Genial Investimentos também já distribuem essas carteiras.
Os fundos quantitativos estão disponíveis em gestoras especializadas. Equipes reduzidas, abastecidas de tecnologias e robustas bases de dados, definem as séries históricas que serão avaliadas. Aí entram em ação técnicas como a machine learning, que vão encontrar padrões entre essas séries e identificar, por exemplo, que um determinado ativo sobe quando acontece uma certa conjunção de variáveis macroeconômicas.
Quando esse cenário se repetir, esse algoritmo dará a ordem de compra desse ativo. Um gestor tradicional, chamado de discricionário, pode avaliar os mesmos dados, mas não conseguirá, em tese, identificar com a mesma rapidez a formação dessa tendência de alta.
Os fundos quantitativos estão entre os com maior ganho neste ano entre a classe de multimercados, que têm maior liberdade para montar suas carteiras. No entanto, os quantitativos estão sujeitos a volatilidade muito maior. Por isso, apesar da engenhosidade, recomenda-se colocar apenas uma pequena parcela do patrimônio nesse tipo de fundo. Além disso, ele não é recomendado para investidor de perfil conservador (aquele que quer correr o menor risco possível).
"Investir mais de 5% do patrimônio em um fundo desses não é adequado, mesmo para quem tem perfil agressivo ou moderado. Se gostar muito da categoria, pode colocar até 10%, mas dividido entre diferentes fundos", sugere Tibães. Um dos fundos quantitativos mais antigos é o Murano. No ano, até outubro, ele acumula alta de 19,84%. Outro tradicional e com rendimento elevado é o Visia Zarathustra, que acumula ganhos de 13,62% no ano. O CDI (certificados de depósitos interbancários, que acompanham de perto a Selic e são um referencial de rentabilidade) ganhou apenas 5,71% no período.
Flávio Terni, sócio da Visia Investimentos, explica que a função dos fundos quantitativos é encontrar ineficiências na economia: ou seja, uma oportunidade de aportar capital em certos ativos que ainda não foi identificada pelos outros investidores.
Quem vai apontar essa "falha" é o algoritmo. Na realidade, o que ele faz é se antecipar a um movimento que o restante do mercado fará no futuro. Por isso, a ineficiência tende a ser corrigida rapidamente, tornando importante abastecer o fundo sempre com novos algoritmos.
"O fundo quantitativo é o uso da estatística e da matemática para encontrar padrões de mercado. E a quantidade de informações cresce tão rápido que esse tipo de carteira deve ter um forte crescimento, já que um gestor discricionário não vai ter a capacidade de tomar decisão nessa mesma velocidade", avalia Terni.
No Brasil, os quantitativos não passam de 0,5% da indústria de fundos, que é de pouco mais de
R$ 4 trilhões. Nos EUA, ficam entre 25% e 35%. Terni cita que, há 10 anos, o mercado norte-americano tinha apenas um fundo quantitativo entre os 10 maiores. Agora, nove são quantitativos puros ou usam suporte de fórmulas quantitativas.
Esse tipo de fundo é indicado como uma forma de amenizar o risco da carteira total de investimento. Isso porque, em geral, os quantitativos não têm correlação com os principais ativos - ou seja, quando a bolsa cai, eles sobem. Portanto, na visão de especialistas, ele não serve para competir com fundos multimercados tradicionais ou de ações, mas para complementá-los.
"Fornecemos fundos que são 'descorrelacionados' dos ativos tradicionais. Ele ajuda a diversificar a carteira. O algoritmo serve para tirar a emoção da tomada de investimentos", explica Carlos Chaves, da Seival Investimentos.
A Kadima, uma das gestoras quantitativas mais tradicionais no Brasil, afirma que o rendimento de seus fundos nos últimos anos tem atraído mais investidores. "Entendemos que, ao longo do tempo, da mesma forma que ocorreu nos países desenvolvidos, os fundos quantitativos serão vistos como mais uma classe de ativos que deve fazer parte de qualquer portfólio diversificado de um investidor", diz a gestora em nota.
 

Investidor tem mais uma opção de título imobiliário

Mais um conjunto de letrinhas fará parte da prateleira de corretoras e da carteira dos investidores que buscam alternativas na renda fixa. Após um longo caminho acertando questões regulatórias, as Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs) tiveram seus registros autorizados pela B3, a bolsa paulista, e deverão ser encontradas com mais frequência no mercado de agora em diante.
Elas são emitidas para captar dinheiro para o setor imobiliário, assim como as LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e os CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários).
 
O Santander foi a primeira instituição a estrear a nova alternativa de investimento. Na semana passada, fez duas emissões que totalizaram R$ 24 milhões, com prazo de três anos, ou seja, os investidores só podem se desfazer dessas letras três anos após a compra.
 
Segundo o diretor da Tesouraria do Santander Brasil, Luiz Masagão, em entrevista à Reuters, os títulos foram vendidos a investidores qualificados (que têm patrimônio investido superior a R$ 1 milhão). A operação está em linha com os planos do banco de ser mais competitivo na oferta de financiamento imobiliário. "Estamos considerando fazer uma nova emissão nesta semana", disse Masagão à agência de notícias.
 
A LIG promete sair na frente de outros produtos que integram a prateleira de ativos imobiliários por oferecer uma dupla garantia ao investidor. Além da salvaguarda do próprio banco que emitiu o título - ou seja, seu patrimônio -, haverá como garantia uma carteira de ativos imobiliários específica para esse fim, que não poderá ser usada para quitar outras dívidas da instituição no caso de falência.
 
No caso da LCI, produto que já se popularizou no mercado, a única cobertura é a do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que garante investimentos de até R$ 250 mil por CPF e instituição bancária em caso de quebra. Já os certificados, por oferecerem retornos maiores, não estão sob esse mesmo guarda-chuva. Por isso, ao comprar um CRI, o investidor tem de avaliar os empreendimentos imobiliários dos tomadores do empréstimo para medir os riscos.
 
Assim como a LCI, a LIG tem como vantagens para o investidor a isenção do imposto de renda - que será estendida a estrangeiros. Outro diferencial do novo instrumento é que ele poderá ter sua rentabilidade atrelada à variação cambial. Essas características podem, futuramente, aumentar o interesse de estrangeiros pelas LIGs. O prazo para resgate é de dois anos.
 
A LIG foi inspirada nos covered bonds, muito usados na Europa, em especial nos financiamentos imobiliários de longo prazo. Além dos bancos, poderão emitir LIGs sociedades de crédito, financiamento ou investimento, companhias hipotecárias e associações de poupança e empréstimo.
 
Alternativa
 
Hoje, as duas principais fontes de financiamento imobiliário são a poupança e o FGTS, que correspondem a 81% do total de recursos disponíveis. As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Certificados de Recebíveis Imobiliários representam uma parcela bem menor do financiamento ao setor, com 13% e 6%, respectivamente.
 
O Banco Central regulamentou a LIG em maio, depois de um processo que durou três anos. Segundo o BC, o instrumento tem o objetivo de diversificar as fontes de recursos para o setor imobiliário, "podendo contribuir para o crescimento do crédito nos próximos anos e ampliar a participação de investidores estrangeiros na estrutura de financiamento das instituições financeiras emissoras".
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