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Porto Alegre, segunda-feira, 03 de dezembro de 2018.

Jornal do Comércio

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Edição impressa de 03/12/2018. Alterada em 03/12 às 01h00min

Jornalistas debatem a representatividade negra no painel da AfroFapa

Profissionais debateram a representatividade negra no painel da AfroFapa

Profissionais debateram a representatividade negra no painel da AfroFapa


ZÂNDOR ALBINO/DIVULGAÇÃO/JC
Eduardo Lesina
"A gente quer enxergar um ao outro e conhecer essas pessoas que muitas vezes estão sozinhas no ambiente universitário para diminuir os efeitos da solidão nos espaços acadêmicos". Assim, os integrantes do coletivo AfroFapa definem o objetivo do grupo. Criado nesse ano por estudantes do curso de Jornalismo da Faculdade de Comunicação do Centro Universitário Ritter dos Reis (Uniritter), o projeto tem como objetivo criar uma rede de autocuidado e afeto entre os estudantes negros da universidade.
Além disso, incluir os debates raciais na pauta da Universidade por meio de palestras, eventos e seminários também está na lista de objetivos do AfroFapa. O evento "Se a comunicação fosse negra?" realizado no dia 21 de novembro, um dia depois do Dia da Consciência Negra, foi o marco zero do Coletivo. Organizado pelos alunos com o auxílio do professor do curso de jornalismo Matheus Felipe debateu a importância da representatividade no mercado da comunicação, com foco no mercado jornalístico.
O título do evento se torna irônico diante dos três jornalistas que compuseram a mesa, Airan Albino é especializado em jornalismo digital e editor do veículo de jornalismo cultural Nonada - Jornalismo Travessia, Deivison Campos é coordenador dos cursos de comunicação da Ulbra e historiador, Fernanda Bastos é escritora e criadora da editora Figura de Linguagem, ambos exercem papel de protagonismo em seus campos de atuação.
Durante o painel, os jornalistas levantaram questões pertinentes às suas experiências de atuação no mercado e analisaram, em conjunto com os espectadores, como as estruturas do racismo influenciam na prática do mercado da comunicação.
Na comunicação, somente 23% dos jornalistas são negros, segundo pesquisa feita pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Campos, que também é coordenador do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas (Neabi) da Ulbra, comenta que esses dados, produtos do racismo institucional marcam a relação das instituições, de uma maneira geral, com a cultura e o com o corpo negro e indígena.
"O negro, na mídia, é utilizado como objeto e não como sujeito". A frase do jornalista, historiador e coordenador dos cursos de comunicação da Ulbra, Deivison de Campos, demonstra o apagamento da história e da cultura negra e como ele acontece de forma sutil no ambiente midiático.
Para o jornalista, o poder do imaginário midiático influencia em como o negro está sendo representado e na opinião pública sobre o grupo étnico."Nesse sentido, a gente consegue ver que, quando se dá mais visibilidade de forma positiva aos negros, na questão do imaginário, ela está sempre atrelada às questões do corpo", analisa.
Campos relaciona ao fato de que os grandes personagens negros, em maioria, acabam sendo relacionados apenas com o esporte ou a música, e não com outras esferas da sociedade, como economia ou educação. Para Albino a comunicação é um dos ambientes de "não-lugar" ao qual o negro precisa ocupar seu espaço.
Na medida em que se busca reverter o quadro de opressão e de falta de visibilidade à população negra, é necessário levar o debate sobre a falta de negros nos espaços, rever os processos de seleção nas empresas e incluir mais personagens negros dentro das narrativas . No jornalismo, Albino aponta ao fato de que os "pontos" negros de cobertura acabam sempre atrelados somente às questões raciais ou culturais, como no dia da consciência negra ou no carnaval, por exemplo.
Na educação superior, segundo levantamento feito pelo G1, a partir dos microdados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), os negros representam apenas 16% dos cerca de 400 mil professores, tanto em universidades públicas quanto particulares do Brasil.
Segundo Fernanda, para ocupar esses espaços majoritariamente brancos, faz-se necessário uma experiência de infiltração por parte da população negra. "Esse processo vem da ideia de estar presente e de fazer com que a nossa presença vá escorrendo para outros espaços", afirma. Fernanda também atenta ao fato de que o racismo não é um problema só dos negros, mas também dos brancos, especificamente na manutenção dos seus privilégios construídos através da escravização do negro.
O coletivo AfroFapa é composto por nove alunos do curso de Jornalismo, mas está aberto para que novos membros possam trocar experiências com alunos negros de outros cursos. O evento "Se a comunicação fosse negra?" foi o único realizado na Instituição ao abordar a temática racial durante a semana da Consciência Negra. De acordo com os integrantes do grupo, a missão é tornar essa representatividade negra nos eventos consistente durante o ano letivo, tornando o ambiente acadêmico cada vez mais negro.
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