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Porto Alegre, segunda-feira, 08 de outubro de 2018.
Dia do Nordestino e dia Nacional do Combate a Cartéis. Feriado nos EUA: Columbus Day.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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mercado de capitais

Edição impressa de 08/10/2018. Alterada em 08/10 às 01h00min

Desempenho de fundos multimercados surpreende

Em 12 meses, essas carteiras atraíram R$ 57,6 bilhões em aplicações

Em 12 meses, essas carteiras atraíram R$ 57,6 bilhões em aplicações


FREEPIK/DIVULGAÇÃO/JC
Em expansão, a indústria de fundos no Brasil já registra um patrimônio de quase R$ 4 trilhões. Uma das categorias que mais cresce é a de multimercados (que investe em diferentes tipos de ativos). Em 12 meses, essas carteiras atraíram R$ 57,6 bilhões em aplicações, mais da metade dos R$ 100,1 bilhões de captação líquida de toda a indústria. Segundo analistas, essas carteiras são uma boa opção em períodos de maior volatilidade. Mas o que se vê, na verdade, são resultados bastante díspares, que vão de ganhos acima de dois dígitos a rentabilidade negativa.
Levantamento feito pela XP Investimentos, com base nos dados da Economática, elenca os fundos mais atraentes nos últimos 12 meses (até agosto) e aqueles com a pior performance. Foram consideradas as carteiras com patrimônio líquido de, no mínimo, R$ 50 milhões, mais de 50 cotistas e ao menos 12 meses de histórico. A maior rentabilidade foi de 52,11%, e a menor, de -15,56%. "Em 2017, os ganhos dos multimercados ocorreram pela queda dos juros. Neste ano, vimos uma difusão maior dos resultados. Os que mais se destacaram foram aqueles com exposição ao dólar", explica Gustavo Pires, sócio e responsável pela plataforma de fundos da XP.
Pires lembra ainda que os fundos de pior desempenho foram afetados por mudanças de tendência mais rápidas do que o esperado. Ele cita como exemplos a paralisação dos caminhoneiros e a instabilidade gerada pelo período eleitoral, que afetaram o preço dos ativos. Já eventos como as crises cambiais na Turquia e na Argentina, e a guerra comercial entre Estados Unidos e China levaram à valorização do dólar. "Algumas tendências acabam não ficando claras e dão alguma dificuldade para o gestor manter a estratégia traçada para o médio ou longo prazo", diz Pires.
De fato, os maiores ganhos foram registrados pelos multimercados que investem no exterior e têm exposição cambial, ou seja, o fundo lucra com a valorização do dólar - que em 12 meses foi de 29,9% - e com os ganhos do ativo investido. Com isso, o Safra S&P e o Safra S&P Top acumulam, no período, ganhos de 53,11% e 51,9%, respectivamente, beneficiando-se não apenas da alta do dólar, mas do bom desempenho do índice S&P 500, da Bolsa de Nova Iorque, que vem registrando recordes. Para efeito de comparação, a taxa DI, que é o juro dos empréstimos entre instituições financeiras e que segue de perto a Selic, ficou em 6,84% no período de 12 meses findo em agosto.
Segundo a Safra Asset Management, esse tipo de carteira permite oferecer aos clientes uma estratégia global de investimento. Excluindo-se os fundos que ganharam devido à exposição ao dólar, o de maior rentabilidade foi o Seival FGS Agressivo, com 32,53%. Ele busca oportunidades em quatro tipos de ativos: moedas, juros, índices de ações e commodities. Mas quem determina a alocação dos recursos não é um gestor, e sim um algoritmo.
Carlos Groehs Chaves, diretor executivo da Seival Investimentos, atribui o ganho ao fato do fundo ter percebido antes movimentos como a alta do dólar e a queda da cotação do trigo após o início da disputa comercial. "Conseguimos perceber a valorização do dólar antes e, mais recentemente, os ganhos possíveis com a guerra comercial. Identificamos tendência e tentamos surfar nessas ondas", explica Chaves, acrescentando que o desempenho do fundo não tem relação com os índices de ações brasileiros.
Os fundos multimercados mais tradicionais também mostram boa rentabilidade. Como o Itaú Hedge Plus, com ganhos de 17,33%, e o Itaú Global Dinâmico, com 8,6%. "O Hedge Plus tem um estilo de gestão que busca ganhos a curto prazo. Já o Global Dinâmico mira o longo prazo, mas faz ajustes técnicos quando a correlação entre os ativos muda muito", assinala Andrea Moufarrege, gerente de Comunicação de Investimentos da Itaú Asset Management.
Entretanto, há multimercados tradicionais com desempenho abaixo do DI. O CSHG Verde é o maior exemplo. A carteira, lançada em 1997, é reconhecida como uma das mais bem geridas do Brasil. Nos últimos 12 meses, porém, tem um ganho modesto, de 4,19%. Uma das razões foi a forte variação do dólar. Já o pior desempenho foi o do Alaska Range, com -15,56%. Em carta aos cotistas do fundo, a Alaska Investimentos atribuiu as perdas à valorização do dólar.
 

Brasileiros buscam opções fora do País

Para Oliveira, modalidade é mais arriscadas e indicada para pessoas com perfil menos conservador

Para Oliveira, modalidade é mais arriscadas e indicada para pessoas com perfil menos conservador


ANEFAC/DIVULGAÇÃO/JC
A queda na taxa de juros, as incertezas da eleição presidencial e a busca por proteção para as variações bruscas do câmbio estão fazendo cada vez mais brasileiros procurarem alternativas em investimentos no exterior para diversificar suas aplicações. Entre dezembro de 2016 e julho deste ano, saltou de 5,8 mil para 56 mil o número de investidores em fundos estruturados no Brasil, mas que têm em carteira ações de empresas norte-americanas, índices acionários como o S&P 500, da Bolsa de Nova Iorque, ou moedas como dólar e euro. Um aumento de quase 10 vezes em menos de dois anos, segundo levantamento da gestora de recursos do banco norte-americano J.P. Morgan. O total de recursos investidos nesses fundos subiu quase quatro vezes, de R$ 4,6 bilhões para R$ 18 bilhões, no mesmo período.
"O Brasil é um dos países onde a população mais concentra investimentos em ativos domésticos, especialmente renda fixa. Isso foi resultado de uma das mais altas taxas de juros reais do mundo. O investidor se acostumou a ter um bom retorno investindo em títulos do governo, de pouco risco. Agora, a queda do juro é o principal fator para a procura de outras opções de investimento", diz Giuliano de Marchi, responsável pela gestora do J.P. Morgan na América Latina.
Com a Selic, taxa básica de juros estabelecida pelo Banco Central, a 6,5% ao ano, o juro real está em pouco mais de 2,5%. Para ter um retorno maior, é preciso correr mais riscos, observa Marchi. De olho nesse movimento, as gestoras ampliaram a oferta no Brasil de fundos com carteiras de ativos no exterior. Há cinco anos, quase não havia oferta de "fundos globais" no País. Hoje, há uma dezena de gestoras internacionais em atuação no Brasil, como as norte-americanas Pimco, Black Rock e Franklin Templeton, e as britânicas Schroders e Aberdeen. Bancos como o J.P. Morgan e Morgan Stanley também aumentaram a oferta desses produtos.
Os fundos globais ainda são destinados a uma parcela restrita de investidores, chamados de "qualificados". Trata-se de uma classificação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para pessoa física ou jurídica que possui aplicações de, pelo menos, R$ 1 milhão. "Esses fundos são da família dos multimercados. São mais arriscados, para pessoas com perfil mais conservador", afirma Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor da Associação Brasileira de Executivos de Finanças (Anefac).
No mercado local, os fundos multimercados cobram, em média, taxa de administração de 2%. Alguns ainda possuem a chamada taxa de performance, que pode chegar a 20%. Como os produtos com ativos no exterior são distribuídos tanto para brasileiros quanto para investidores da China ou da Europa, o ganho de escala permite que, em alguns casos, as taxas caiam a até 0,65%.
Fundos que investiram no índice S&P 500 há um mês já renderam 3%. Outros que têm em carteira ações da Apple, que subiram de US$ 200 para US$ 225 neste ano, também estão no azul. Como a maioria desses fundos é protegida das variações do dólar, o ganho real atrai.
Investidores não "qualificados" têm outra alternativa para aplicar no exterior. Nos últimos dois anos, cresceu a oferta dos chamados Certificados de Operações Estruturadas (COEs), espécie de título emitido pelos bancos com rentabilidade atrelada a índices acionários, ações e moedas, tanto no exterior quanto no Brasil. O investimento mínimo começa em R$ 3 mil, e o prazo da aplicação varia de um a três anos. Nos COEs, o capital principal fica protegido, o que significa que se o índice Dow Jones, também da Bolsa de Nova Iorque, cair em dois anos, o investidor recebe o que aplicou inicialmente. O COE é tributado como aplicação de renda fixa, com imposto de 12% pela tabela regressiva.
"É mais uma forma de diversificar o investimento nesse cenário de juros baixos. Nossa parcela de clientes com aplicações em COEs atingiu 5 mil desde março, quando o produto começou a ser distribuído", conta Thiago Villela, diretor da Órama.
Outro fator que facilita o investimento lá fora é a desburocratização. Antes, o investidor precisava ter uma conta no exterior, fazer a remessa dos recursos e, depois, pagar imposto via carnê-leão. Nessas gestoras, o investimento é feito eletronicamente, em reais, e o imposto, descontado automaticamente. É o caso da corretora norte-americana Avenue Securities, que chega em breve ao Brasil com opções de compra de ações de empresas estrangeiras com muito menos burocracia. Também oferecerá aos brasileiros aplicações nos chamados Exchange Trade Funds (ETFs), fundos que acompanham índices acionários.
 

Gestoras aumentam aposta em investimentos no exterior

Maior facilidade para contar com recursos de origem estrangeira desperta interesse

Maior facilidade para contar com recursos de origem estrangeira desperta interesse


/FREEPIK/DIVULGAÇÃO/JC
O mau humor em relação às aplicações brasileiras e a maior facilidade para ter na carteira recursos de origem estrangeira levaram os fundos com investimento no exterior para o maior nível de patrimônio desde 2015. Os fundos instituídos lá fora, mas com gestão nacional, acumulam R$ 49 bilhões em investimentos até agosto, 8% mais que em 2017, segundo a Anbima, entidade que regula os fundos.
Esse movimento ganhou força a partir de 2015, quando deixou de ser exigida a aplicação de, no mínimo, R$ 1 milhão para entrar em fundos que têm mais de 40% investidos no exterior. Esses fundos podem estar tanto sob o guarda-chuva de fundos renda fixa, ações ou multimercado, desde que tenham foco em estratégias chamadas offshore.
Muitas instituições já reduziram a exigência mínima para investir nesses fundos para R$ 25 mil, e algumas pedem até menos. Mesmo com o aporte mínimo mais baixo, só investidores com mais de R$ 1 milhão aplicados no mercado têm acesso a eles. Com a queda da taxa de juros, a desvalorização do real e a bolsa com alta menor que o esperado, esses investidores com um patrimônio mais gordo expandiram seus horizontes em busca de rentabilidade. Entre os fundos multimercado (que aplicam tanto em juros, como moeda e/ou ações), por exemplo, aqueles com estratégia só no exterior têm a maior rentabilidade média, de 13% em 12 meses.
O fácil acesso e a piora dos produtos financeiros brasileiros fizeram o patrimônio dos fundos do Itaú USA Asset Management com exposição no exterior saltar de cerca de R$ 2 bilhões, em 2017, para quase R$ 8 bilhões em julho. Como o interesse por esse tipo de aplicação já vinha dando sinais de crescimento por parte de investidores de alta renda, Charles Ferraz, que chefiava a área private do banco passou a ser o responsável pelos investimento desses clientes nos EUA em 2016. "O investidor tinha se acostumado a receber 1% todo mês de suas aplicações. Agora que ele não tem isso, vai atrás de outras coisas."
De olho na demanda por ativos gringos, a GEO Capital, nasceu em 2013 com fundos que possuem só ações de empresas internacionais. Em cinco anos, ela saiu de 11 clientes e chegou a 300, com patrimônio de R$ 600 milhões, conta o sócio Gustavo Aranha. Para acessar os fundos da gestora, é preciso desembolsar R$ 25 mil.
O maior interesse por ativos globais, explica Arthur Wicman, gestor de ações da Verde Asset, é tanto estrutural quanto cíclico. "Parte do crescimento vem desse mau humor com o Brasil, e outra parte, da necessidade de diversificação."
As regras que entraram em vigor em 2015 também permitiram que gestores de fundos que não têm como foco a estratégia global, pudessem aumentar a fatia do patrimônio que aplicam em ativos internacionais. Com a mudança, fundos que aplicam em produtos brasileiros e são voltados para o investidor comum puderam aumentar a aplicação máxima fora do País de 10% do patrimônio líquido para 20%. Nos fundos para investidor qualificado (aquele que tem mais de R$ 1 milhão), foi de 20% para 40%.
A gestora AZ Quest foi uma das que reforçou a estratégia no exterior de seus fundos multimercado, que aplicam em diversos ativos. Com o incremento do foco internacional, o risco na carteira subiu de 5% para 30%. O aporte inicial caiu de R$ 25 mil para R$ 10 mil.
A RBR Asset, gestora focada no mercado imobiliário, começou a comprar empreendimentos em Nova Iorque no ano passado com objetivo de estruturar um fundo multimercado, já que a legislação não permite fundo imobiliário com empreendimentos no exterior. A empresa investiu US$ 20 milhões e tem o objetivo de chegar a ter US$ 100 milhões na estratégia offshore até o final de 2019. A ideia do fundo, ainda sem data de lançamento, é dar 15% de retorno ao ano para o investidor para que o capital dobre entre cinco e sete anos.
 

Ações além fronteiras ainda são limitadas


FREEPIK.COM/DIVULGAÇÃO/JC
As alternativas do varejo para quem quer pôr o pé no mercado de ações negociadas no exterior ainda são limitadas. Muitos fundos com essa estratégia fazem exigências restritivas, como aportes iniciais, o que acaba inibindo o pequeno investidor. De olho nesse público, mais corretoras com foco em papéis lá de fora tentam aproximar o brasileiro desse mercado.
A Avenue Securities, que começa a operar em novembro, promete deixar o investidor comprar e vender ativos de bolsas americanas sem ser preciso abrir conta lá fora ou fazer remessas internacionais. O foco da plataforma é o varejo - e não haverá valor mínimo para aportes. A empresa quer ser uma corretora americana para a América Latina, com interface em português e espanhol, via site ou aplicativo.
Com a Avenue, Roberto Lee, ex-executivo da XP, tem a ambição de ampliar o acesso ao mercado externo. O investidor comprará diretamente mais de 3 mil ações e de 1 mil ETFs de renda fixa e variável. A empresa também terá um "braço" brasileiro para operar câmbio. Funcionará assim: o investidor transferirá o valor para a Avenue, que enviará o montante correspondente em dólar para a corretora, que vai cobrar um spread em torno de 2%.
Isso é necessário porque as negociações serão em dólar. Para resgatar, o montante é convertido em reais e o dinheiro cai na conta bancária local do investidor. A Avenue enviará informes de rendimento e o valor deverá ser declarado como ganho no exterior, com IR de 15% e pagamento via carnê-leão.
Hoje, há duas opções para quem tem interesse nesse tipo de investimento: os ETFs, fundos que replicam índices, e os recibos de ações de empresas estrangeiras (BDRs). "Só compensa investir diretamente no exterior com patrimônio a partir de R$ 1 milhão", avalia Michael Viriato, que é professor de finanças do Insper. Quem tem menos de R$ 1 milhão para investir só tem acesso a oito opções de papéis - os chamados BDRs patrocinados -, como os da Dufry e da Biotoscana.
A alternativa mais viável, então, é adquirir um ETF com índice estrangeiro, como o S&P 500, que replica o desempenho das 500 empresas mais relevantes dos Estados Unidos. A cota do iShares S&P 500, por exemplo, está na faixa dos R$ 120, e o lote mínimo é de dez cotas. A alta desse investimento acumulada em um ano é de 46%.
Nesse caso, o investidor pode comprar seus ETFs "gringos" diretamente ou aplicar em robôs, que usam algoritmos para montar carteiras customizadas. As plataformas Warren, Vérios e Monetus oferecem fundos que replicam índices estrangeiros.
Comprar papéis de outros países é uma boa alternativa para quem quer investir em empresas de tecnologia ou de entretenimento, segmentos que ainda têm pouca representatividade na Bolsa brasileira.
Atualmente, são negociados na Bolsa pouco mais de 100 recibos de ações de empresas estrangeiras, os chamados BDRs (Brazilian Depositary Receipts). Mas, para comprar a maioria deles - como os populares Google, Amazon e Coca-Cola - é preciso ser um investidor qualificado (ter ao menos R$ 1 milhão em aplicações). Quanto aos ETFs, a B3 oferece apenas duas opções do mesmo indicador, o S&P 500.
Quem quer investir em BDRs também acaba ficando exposto às flutuações do câmbio, pois os preços dos ativos em reais variam seguindo a cotação da moeda americana. Em períodos de alta volatilidade, como o que o País enfrenta atualmente, esse impacto é ainda maior. Desde o início do ano até o fim de setembro, o dólar negociado à vista subiu mais de 22%.
Viriato, do Insper, acredita que o apetite externo dos investidores deve crescer, mas é preciso cautela. "Diversificar não significa ganhar mais; não é só colocar em aplicações diferentes. Deve-se atentar para o melhor potencial de retorno e a menor correlação entre os ativos: como eles variam conjuntamente."
 

Corretoras zeram taxas de operações para deixar bolsa mais atrativa

Em mais um passo na disputa por pequenos investidores, corretoras independentes anunciaram há pouco que deixarão de cobrar taxas de corretagem para operações em bolsa. Com a decisão, elas levam para a renda variável a disputa de mercado já consolidada em investimentos de renda fixa - o mais visível é o Tesouro Direto, cuja isenção de tarifas em corretoras forçou grandes bancos a rever suas taxas.

Entre as casas que anunciaram a isenção da taxa de corretagem em Bolsa estão a Modalmais, corretora ligada ao Banco Modal, e a Clear, comprada pela XP em 2014. Ambas têm operações robustas e outras fontes de receitas que podem ajudar a minimizar a queda da arrecadação com corretagem.

Rodrigo Puga, diretor-executivo da Modalmais, explica que a adesão à corretagem zero é uma opção do cliente, que passaria a pagar um valor maior de mensalidade para usar a plataforma online de investimentos, que oscila entre R$ 20,00 e R$ 250,00 por mês, de acordo com o serviço contratado pelo investidor. Na prática, a corretora manteria sua receita mesmo oferecendo a isenção na corretagem.

Em seu site, a Clear informou inicialmente que suas receitas viriam do rendimento dos recursos parados na conta dos clientes (sistemática parecida com a que ocorre nos grandes bancos) e das multas cobradas de investidores que deixam saldo negativo na conta. A informação foi retirada do site no final da semana. Procurada, a corretora não quis comentar a decisão.

Especialistas em finanças explicam que a decisão replica o movimento iniciado com a isenção das taxas do Tesouro Direto. Com isso, elas abriam mão da receita inicial com a expectativa de que depois esse cliente passaria a investir em outros produtos, como CDBs (Certificado de Depósito Bancário), com os quais a corretora ganha uma diferença do rendimento oferecido pelo banco e efetivamente pago pelo cliente, ou então na renda variável. "O investidor abrir a conta é a parte mais difícil", diz William Eid Jr, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Até então, grandes bancos vinham ignorando a guerra tarifária das corretoras, apostando que a imagem de solidez e a praticidade de se investir no banco ajudaria a manter clientes. O cenário de juros baixos, com a Selic a 6,50% ao ano, forçou a mudança.

"Os bancos têm vantagens como grande número de clientes e volume financeiro. Muitos investidores acabavam acessando essas instituições pela comodidade de já serem clientes, mesmo que as taxas cobradas fossem bem mais caras. Sabendo disso, os bancos preferiam maximizar os resultados com tarifas, enquanto corretoras menores precisavam oferecer descontos para conseguir captar clientes", diz César Caselani, professor de finanças da FGV Eaesp (Escola de Administração de Empresas de São Paulo).

O Bradesco puxou o movimento dos grandes bancos ao zerar em junho deste ano a taxa de custódia para investimento no Tesouro Direto. Foi seguido por Itaú, Santander e Banco do Brasil, que também deixaram de cobrar taxas de custódia para outros produtos de renda fixa, como CDBs. "Naturalmente, tem um pedaço dessa decisão que vem de observar o mercado, concorrência sempre é concorrência. Mas é também uma iniciativa dentro do pilar de atender o cliente no todo", diz Cassiano Scarpelli, vice-presidente do Bradesco.

No início de setembro, foi a vez do Itaú oferecer isenção na taxa de custódia do Tesouro e outros produtos de renda fixa para aplicações feitas por sua corretora. "O Tesouro pode ser o produto mais sofisticado de entrada para o cliente do varejo no universo dos investimentos. Mas, com a taxa básica de juros em nível baixo, o cliente começa a perceber que tarifas comem parte importante da sua rentabilidade. Já havia corretoras independentes fazendo isso [zerando taxas] e analisamos que fazia sentido", diz Claudio Sanches, diretor de produtos de investimento e previdência do Itaú.

Gilberto Abreu, diretor de investimento do Santander Brasil, avalia que a competição é boa para o setor bancário. "O Tesouro é quase uma prestação de serviço, é o cliente que toma a decisão de compra. Do ponto de vista financeiro, é importante para o cliente [ter essa isenção] e, para a receita do banco, é bastante marginal", diz Abreu.

Marcelo Labuto, vice-presidente de negócios de varejo do Banco do Brasil, último dos grandes bancos a aderir às isenções, afirma que a ideia é conseguir consolidar mais transações dentro do banco. "Temos clientes que faziam aplicação no Tesouro sem ser por meio do banco, transferiam dinheiro para corretora por causa dessa questão do valor da tarifa. Com esse movimento, a ideia é que o cliente concentre cada vez mais seu patrimônio e seus recursos conosco", diz. Labuto também reconhece que o mercado está muito competitivo, mas diz não considerar isso ruim. "Força toda a indústria a se modernizar."

Produtos de previdência complementar reduzem tarifas para competir


FREEPIK/DIVULGAÇÃO/JC
A competição por tarifas mais baixas chegou também aos produtos de previdência complementar. Além das altas taxas de administração, os bancos cobravam ainda taxas de carregamento, que comiam um percentual do valor investido e resgatado pelo investidor em cada aplicação.
Essa taxa já não era cobrada por seguradoras independentes, o que tem feito grandes bancos perderem participação de mercado, ainda que de forma marginal, já que eles dominam o mercado de previdência complementar.
"A motivação aqui é outra. Foi uma decisão do Santander de se posicionar como um banco de previdência, de mudar seu patamar de captação", afirma Gilberto Abreu.
Os grandes bancos demonstraram, porém, preocupação com a isenção quase completa de tarifas nas corretoras, com a chegada da estratégia à renda variável.
"Temos estudado precificação -é um assunto prioritário definir preços adequados considerando o novo cenário econômico, mas vamos determinando a ordem das nossas ações", afirma Sanches, do Itaú, que vê a redução das tarifas em nichos de corretoras.
Executivos do Bradesco dizem que modelos de "negociação a zero" geram preocupação.
"Qualquer prestação de serviço pressupõe lucro. Temos a preocupação do que estamos oferecendo para o cliente e de onde está nosso retorno. Num modelo com tudo zerado, tem que avaliar até onde vai levar, porque o mercado pode estar indo para algum caminho que não é saudável", diz Cassiano Scarpelli.
Sócio do escritório Mattos Filho, Marcio Soares, diz que a prática de zerar tarifas dificilmente poderia ser considerada concorrência predatória. Para ele, o que existe é uma concorrência bastante agressiva, competitiva.
Wellington Lopes de Souza, professor de finanças do Ibmec/SP, explica que a isenção de tarifas é tradicional em casas do exterior e que, no Brasil, criará um novo processo de consolidação no setor.
Os mais ativos no Tesouro Direto
  • 1º - Easynvest
  • 2º - Rico
  • 3º - XP Investimentos
  • 4º - Modal
  • 5º - Itaú
  • 6º - BB Banco de Investimento
  • 7º - Clear
  • 8º - Bradesco
  • 9º - Caixa Econômica Federal
  • 10º - Intermedium
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