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Porto Alegre, segunda-feira, 08 de outubro de 2018.
Dia do Nordestino e dia Nacional do Combate a Cartéis. Feriado nos EUA: Columbus Day.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a Palavra

Edição impressa de 08/10/2018. Alterada em 08/10 às 01h00min

Natuzzi aposta no mercado gaúcho

COM A PALAAVRA CEO Natuzzi na América do Sul, Otavio Milano - foto Ana Cavalheiro Divulgação Natuzzi

COM A PALAAVRA CEO Natuzzi na América do Sul, Otavio Milano - foto Ana Cavalheiro Divulgação Natuzzi


/NATUZZI/DIVULGAÇÃO/JC
Carolina Hickmann
Pela proximidade cultural e em razão de uma parceria estabelecida com empresários de Porto Alegre, o grupo italiano de móveis de alto padrão Natuzzi inaugurou recentemente uma loja conceito em Porto Alegre. Somando a Natuzzi Editions e a Natuzzi Italia, duas marcas da empresa, são cerca de 500 estabelecimentos exclusivos espalhados no mundo. No Brasil, a nova butique é a sexta do País, e a única a contar com showroom de quatro níveis em conceito total home.
O cronograma de expansão, por outro lado, não é rigoroso. O CEO da marca para a América Latina, Otavio Milano, esclarece que a falta de projeções concretas se dá pela seletividade na busca por parceiros. O rigor foi adotado a partir da constatação de que, em anos de crise, o crescimento da loja se daria mais facilmente a partir de uma estratégia de diferenciação em espaços monomarca.
Ao mesmo tempo, o gestor explica que o desafio atual do setor é alinhar tendências de moda e novas tecnologias aos produtos. Somado a isso, o desafio ambiental ligado a produtos essencialmente desenvolvidos a partir de couro e madeira também se sobressai.
JC Empresas & Negócios - O que balizou a escolha pelo mercado gaúcho para a abertura de uma loja conceito?
Otavio Milano - Em Porto Alegre, já temos dois parceiros, Simone Gobbi e Everton Viezzer, da Gobbi
Novelle. Eles nos acompanham há três anos. Uma marca não pode ser concedida a um parceiro equivocado. A pessoa escolhida precisa estar alinhada, trabalhar de forma correta, manter o perfil da loja conforme nosso posicionamento. O Rio Grande do Sul merece a presença de Natuzzi Itália. Existe, inclusive, uma identificação da empresa com a região pela questão cultural inerente à colonização italiana.
Empresas & Negócios - Quais são os planos de expansão?
Milano - Há três anos, na verdade, pensávamos em desenvolver uma rede de varejo a partir de nossa marca principal, Natuzzi Editions, por ela ser a democratização do luxo. Passamos de sete lojas para cerca de 40 em quatro anos na América Latina. E, agora, cobrimos as cidades mais importantes. Falta, talvez, finalizar essa missão cobrindo alguns municípios no interior. Com a Natuzzi Editions você pode trabalhar em cidades de economia secundária ou terciárias, por esse caráter mais acessível. Esse projeto prevê um complemento com Natuzzi Italia. Sendo ela de alto padrão e extremo luxo, só poderia se posicionar em locais com faixa mais alta de riqueza, ou seja, majoritariamente capitais. Com 10 lojas Natuzzi Italia no Brasil, poderemos considerar nosso projeto alcançado. Hoje, é a sexta loja, mas não temos um cronograma rigoroso para cumprir.
Empresas & Negócios - Quais os desafios para se chegar a esses números?
Milano - Abrir uma loja é a coisa mais fácil. Poderíamos abrir uma loja própria com facilidade. No entanto, inaugurar uma loja que funcione, sobretudo que respeite a lógica e o DNA do grupo, através do parceiro certo, é uma questão de busca. Não podemos abrir lojas sem um processo rigoroso de qualificação de nossos parceiros. Por outro lado, a história mostra: quando há crise, as empresas com história podem vender uma marca e elevar seu posicionamento. Agimos assim na Europa, com a crise, e no Brasil também vemos isso. Nosso grande desenvolvimento foi nos momentos de crise. A Natuzzi, que antes tinha uma pretensão de distribuir para grandes redes varejistas, deixou essa ideia no caminho há quatro anos. A crise estava chegando por aqui e esse posicionamento com venda dedicada e espaços monomarcas deu certo.
Empresas & Negócios - Os segmentos de tecnologia, moda e moveleiro se auxiliam na caminhada?
Milano - Existe uma caminhada conjunta desses segmentos. Nosso centro de desenvolvimento de estilo acompanha as tendências que a moda traz cada ano, bem como as possibilidades tecnológicas. Estamos atentos a essa necessidade. Nesse sentido, a decoração sempre fica atrás das tendências hegemônicas da moda. Temos 120 profissionais na Itália, entre arquitetos e engenheiros, que estudam diariamente estratégias de alinhar aquilo que foi pesquisado com nossa essência italiana, da Puglia.
Empresas & Negócios - E quanto à produção da marca?
Milano - Os móveis que acompanham a coleção Natuzzi Italia, assim como os sofás desenhados pelos arquitetos renomados que assinam parceria conosco, são desenhados e projetados, em termos de protótipo, na Itália. Em termos de produção, conseguimos desenvolver no Brasil com produtores de móveis daqui. Em parceria, eles conseguem montar nossos produtos através de uma ficha técnica repassada a eles. Assim evitamos a burocracia da aduana do Brasil e os impostos de importação, para um produto mais viável em termos logísticos. Alcançamos uma cronologia logística muito importante ao consumidor final. Senão seriam cerca de quatro meses de espera, e teríamos alterações de valores no produto.
Empresas & Negócios - Duas das principais matérias-primas da Natuzzi são o couro e a madeira. Existe preocupação ambiental nesse sentido?
Milano - Temos um processo de qualificação e certificação. Madeira encontramos de alto padrão pelo Brasil. Alguns materiais, como couro natural, por aqui, não conseguimos certificar. A Natuzzi não pode perder o compromisso com a qualidade. Então a única possibilidade é a importação da Europa. A atenção existe. Por isso, controlamos diretamente todo o processo produtivo dos materiais. Um elemento importante é que, no grupo Natuzzi, possuímos um curtume, no Norte da Itália; uma fábrica de poliuretano (espuma), no Sul; e produção de madeira na Romênia. Assim, atendemos a todos os critérios e princípios de qualidade do grupo, além de não deixarmos para o mercado os problemas de cunho ético e ambiental.
 
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