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Porto Alegre, segunda-feira, 17 de setembro de 2018.
Dia do Transportador Rodoviário de Carga.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Edição impressa de 17/09/2018. Alterada em 16/09 às 21h38min

Colaboração como alternativa ao varejo

 Liane, da Arte a Parte, comemora a valorização dos produtos artesanais

Liane, da Arte a Parte, comemora a valorização dos produtos artesanais


/MARCELO G. RIBEIRO/JC
Carolina Hickmann
A mudança no comportamento do consumidor deixou de ser surpresa para boa parte dos empresários. O que move as corporações, agora, é a compreensão dos anseios criados a partir de uma mudança de perfil de compra e de relação com o consumo. Esta é a avaliação do especialista em varejo do Sebrae-RS, Fabiano Zortea, sobre um dos principais desafios do comércio.
Para romper estas barreiras, muitas vezes, parcerias são necessárias. Assim, em vez de concorrentes, marcas passam a ser aliadas com a finalidade de fortalecer seus diferenciais e eliminar pontos fracos. A ideia da colaboração no varejo não é nova, mas as necessidades criadas por consumidores omnichannels, aqueles que consomem em todos os canais, exige mudanças significativas para que os players do setor mantenham a sua vantagem competitiva.
A primeira vista, lembra Zortea, é natural que haja estranhamento em negócios supostamente concorrentes fortalecendo um ao outro. No entanto, esta é uma tendência global relacionada a queda no fluxo das lojas, em função de fatores diversos, como o fortalecimento dos e-commerces. Desta maneira, a colaboração no varejo passa a ser ferramenta mais do que necessária para incrementar a experiência do cliente. "Não é mais atrativo se alguém for comprar um vestido e encontrar um cinto que combine junto? Lojas colaborativas, por exemplo, são como minishoppings, elas diversificam o seu mix de produtos", relata o especialista.
Iniciativas locais vão ao encontro desta lógica. Fundada em Porto Alegre no ano de 2012, a Arte a Parte reúne 32 artesões em um único ponto físico de venda. Teoricamente concorrentes, os que optam por expor seus artigos na loja entendem que a visibilidade do colega pode significar uma venda para si. "A vantagem de ser colaborativa está em ver todos satisfeitos, pois o artesão tem seus produtos valorizados e o cliente sempre se surpreende com a variedade encontrada aqui", explica a responsável pela loja, Liane Carvalho.
Os valores de exposição em lojas colaborativas como a de Liane variam bastante na Capital e tem seu preço fixado conforme nicho atendido e localidade. Para compor as iniciativas da Arte a Parte, por exemplo, é preciso estar alinhado ao conceito da loja, além de investir entre R$ 120,00 e R$ 280,00 mensais pelo aluguel de seu espaço. "Aqui o artesão faz um investimento baixo e tem seu produto exposto em um varejo completo, inclusive com ambiente climatizado e embalagens à disposição", enfatiza.
Também artesã, Liane ressalta que o modelo adotado acaba sendo mais consciente, já que se baseia em economia sustentável ao abrir espaços para microempreendedores e empresas de marcas autorais. Neste sentido, Zortea explica que são justamente os pequenos empreendedores que podem tirar maior proveito da colaboração, uma vez que marcas maiores geralmente costumam ter grandes valores para investir em marketing e, a partir disto, criar experiências para os consumidores por conta própria. Colaborativamente, por outro lado, os custos são divididos e é possível combinar produtos que juntamente criam esse diferencial.
Para tanto, por outro lado, é preciso estar ciente e estabelecer relações de confiança com aqueles que irão participar de uma rede de apoio, enfatiza Zortea. A busca por parceiros de qualidade e com as mesmas intenções é fundamental para o bom funcionamento de qualquer ação do varejo colaborativo, seja de criação de pontos físicos de venda ou atividades pontuais que também podem ser estabelecidas. Além disso, é necessário estabelecer contratos claros sobre as possibilidades existentes, de acordo com o grau de comprometimento de cada tarefa.
Nesta linha, a Arte a Parte trabalha com a curadoria da própria Liane. "Procuro visualizar as redes sociais dos interessados e peço que o artesão apresente suas peças pessoalmente", conta. Todos os expositores da loja devem contar com carteira do artesão ou Microempreendedor Individual (MEI), para que seja feito um contrato de locação do espaço formalmente. Acrescido a isso, é acordado o acréscimo de 30% ao valor de venda de cada peça, para quitar impostos gerados com a venda dos produtos.

Vínculos podem ser criados a partir da cooperação

Estabelecer parcerias tem potencial de trazer uma série de benefícios e diferenciais competitivos para as marcas. Por outro lado, colaborar com o entorno no qual se está inserido pode significar um ponto a mais: a fidelização da vizinhança. Pensando nisto, o Mercado Brasco promove anualmente uma quermesse colaborativa, na qual os vizinhos empreendedores são convidados a exporem seus produtos na rua Florêncio Ygartua, que é fechada com autorização da prefeitura.
Fundado há cinco anos, o estabelecimento tem como objetivo fornecer a experiência de um mercado do interior, que muitas vezes serve de ponto de encontro da cidade. Um dos sócios, Arthur Bolacell, explica ser interiorano e ter estanhado as relações interpessoais pouco próximas da Capital. "Queremos criar um ambiente de acolhimento. Por isso falamos com os moradores para ver se eles tem algum trabalho para oferecer na quermesse que fazemos uma vez ao ano, ou se querem vender artesanato, por exemplo", comenta, ao salientar que a participação tem crescido a cada evento.
O especialista em varejo do Sebrae-RS Fabiano Zoertea explica que esta é uma maneira acessível de criar fluxo em datas geralmente pouco movimentadas para o comércio. Com a onda de violência que atinge Porto Alegre e o Estado, eventos nestes moldes tornam-se imperativos para garantir a segurança do comércio e da vizinhança.
Além deste evento, o Brasco também promove revitalizações nas ruas. "Ouvimos da vizinhança que eles gostariam de revitalizar os canteiros da Florêncio, daí surgiu o mutirão", relata Bolacell. Com isso, não só os moradores da rua ficaram felizes, como o ambiente no qual o mercado está localizado tornou-se mais atrativo. As plantas utilizadas na ação foram oferecidas pela própria floricultura do Brasco.
A disposição da empresa em estar aberta a estas possibilidades mostra para a head de Projetos de Eficiência Operacional e Varejo da AGR Consultores, Jessica Costa, que existe uma ruptura significativa na lógica varejista, que fideliza e atrai clientes. "Todos querem encontrar uma maneira de trazer o cliente para o seu ponto", sugere a especialista, ao enfatizar que é necessário criatividade e atrativos como eventos acabam sendo parte importante.
Bolacell argumenta que a colaboração é um dos pilares da empresa, e, por isso, é estimulada em todos os âmbitos do negócio. "Vivemos isso em nossa cultura interna, queremos que os funcionários sintam-se à vontade para participar das mais diversas tomadas de decisões, assim, em nossa cultura interna, tentamos ser o mais verticais possível", relata. De tantas tentativas, o mercado acabou estimulando, inclusive, a colaboração entre vizinhos a partir de uma parede de post-its na qual é possível verificar desde serviços à disposição até equipamentos, como furadeiras, para empréstimo.
 

Marcas globais apostam no movimento de associação

Jessica diz que internacionalização também cresce entre as grandes

Jessica diz que internacionalização também cresce entre as grandes


AGR CONSULTORES/DIVULGAÇÃO/JC
Apesar de, no Brasil, os pequenos varejistas serem os maiores beneficiados pelas parcerias, internacionalmente a colaboração entre empresas funciona mais fluidamente na avaliação da head de Projetos de Eficiência Operacional e Varejo da AGR Consultores, Jessica Costa. Com economia mais desenvolvida e consumidores ainda mais exigentes, os Estados Unidos costuma ser o precursor destas mudanças.
Segundo a especialista, a própria Macys, marca de varejo que em 2017 vendeu mais de US$ 24 bilhões e possui aproximadamente 130 mil empregados e opera cerca de 690 lojas de departamento, estuda ter um braço em varejo colaborativo, como maneira de diminuir seu custo operacional e ampliar o seu mix de produtos. "Assim se oferta para os clientes maiores e melhores oportunidades de compra", enfatiza Jessica.
Na Europa, a colaboração se estende, inclusive, ao setor de serviços. Em parceria formada entre os grupos alemães de aviação Lufthansa e alimentação Rewe, uma nova plataforma de negócios surgiu. Ao entenderem que passageiros, em especial de voos longos, chegavam aos seus destinos com fome, a companhia aérea procurou parceria para sanar a questão. Assim, o viajante pode encomendar sua refeição ainda em voo, para recebê-la em seu destino final.
Pela avaliação da consultora, as possibilidades de interações entre marcas, tanto do varejo quanto de outros segmentos, é infinita. Atualmente, pelas suas perspectivas, estamos próximos de um futuro em que será possível provar e adquirir produtos de diversas lojas e recebê-los em casa com o pagamento de um único frete - a depender apenas dos contratos dos lojistas.
 

Lojas parceiras são alternativa à concorrência do e-commerce

Happy Day fez um movimento inverso, começando pelo varejo on-line

Happy Day fez um movimento inverso, começando pelo varejo on-line


/MARIANA CARLESSO/JC

Apesar de grande parte das necessidades de mudança no varejo tradicional seja em razão do crescimento e da maior oferta de informações sobre produtos no varejo digital, a presença física ainda é peça importante para o comércio. Segundo a head de projetos de eficiência operacional e varejo da AGR Consultores, Jessica Costa, marcas pequenas, especialmente, podem encontrar dificuldade na comercialização em seus e-commerces.

"Não é a regra, mas ainda existe resistência na compra on-line, especialmente nos casos em que não se conhece o produto", comenta Jessica. Com a presença física, segundo a especialista, existe a chance do consumidor visualizar o produto antes de o adquirir. Por isso, marcas menos conhecidas são as que mais se beneficiam dessa prática.

Jessica comenta que o varejo colaborativo no Brasil nasceu exatamente para que pequenos lojistas virtuais pudessem expor seus produtos em espaço físico sem onerar significativamente as suas despesas. "Muitas vezes os custos de uma loja de rua é muito maior do que uma pequena marca poderia absorver", comenta. Na avaliação da consultora, por estas razões acrescido ao aumento de fluxo no comércio on-line, é possível projetar que as lojas colaborativas tendem a se multiplicar.

O engajamento no mundo digital é facilitado, mas a reputação de estar presente em lojas físicas fez com que Juliana Nogueira criasse a Manas, Loja e Espaço Coletivo. A empresária corrobora o entendimento de Jessica sobre o alto custo operacional de um varejo físico. "Para a maioria das pessoas fica inviável dar sequência nisso, é um valor elevado, sem retorno garantido. De maneira colaborativa há mais chances de dar certo. Somos muitos com o mesmo propósito", relata.

A Manas trabalha com perfil voltado para bebês, crianças e mulheres. A loja comporta desde móveis, até produtos de higiene naturais. Inaugurada em março de 2016, conta com 30 lojistas. Muitos deles, segundo Juliana, vieram do meio digital, como é o caso da Happy Day Tapetes, inaugurada no meio on-line em setembro de 2017.

A empreendedora Camila Fialho recorda que desde a concepção da marca, em 2016, havia a vontade de levar a marca a alguns pontos físicos estratégicos. "Fizemos o caminho contrário mesmo, do on-line para o off-line, com a intenção de minimizar ao máximo os riscos já que loja física carrega, como custo fixo elevado. Para pequenos empreendedores se torna muito desafiador manter", enfatiza.

A partir daí, iniciou-se a jornada de busca por parcerias que tivessem o público-alvo adequado. "Encontramos a Manas, que, além do business, existe uma questão de apoio e sororidade onde me encontrei como empreendedora, mãe e mulher", observa. A criação da empresa se deu a partir de uma experiência de perda neonatal da empreendedora, que não desistiu do seu trajeto no empreendedorismo mesmo com o ocorrido.

Os tapetes desenvolvidos ela empresária eliminam o fator grama úmida de uma tarde em família no parque. Hoje, mãe de um menino de três anos, Camila afirma estar satisfeita com a trajetória colaborativa da Happy Day.

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