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Indústria

10/03/2021 - 15h12min. Alterada em 24/03 às 15h17min

Águia Fertilizantes espera iniciar produção gaúcha de fosfato em 2022

Projeto de mineração da empresa será instalado no município de Lavras do Sul

Projeto de mineração da empresa será instalado no município de Lavras do Sul


Divulgação Águia Fertilizantes
Jefferson Klein
Motivada pelo déficit do insumo no setor de agronegócio brasileiro, a empresa Águia Fertilizantes planeja começar a produzir fosfato em Lavras do Sul a partir do próximo ano. A primeira fase do empreendimento, chamado de Projeto Fosfato Três Estradas (nome da localidade rural onde ficará situado), prevê uma capacidade para atingir até 300 mil toneladas do produto anualmente.
O fosfato pode ser aproveitado como nutriente por diversas culturas agrícolas como soja, milho, arroz, trigo, entre outras. O diretor da Águia Fertilizantes, Fernando Tallarico, lembra que a idealização do complexo ocorreu no início da década passada, quando as importações do insumo para atender à demanda eram na ordem de 50% do volume consumido no Brasil. “Hoje, piorou a situação e o déficit é de 60% (no País)”, frisa o dirigente. Ele acrescenta que, particularmente, o Rio Grande do Sul não conta atualmente com a produção desse item.
Conforme Tallarico, o projeto da Águia representará ganhos logísticos quanto ao fornecimento de fosfato no Estado, além de agregar valor gerando emprego e renda na região. O empreendimento poderá satisfazer cerca de 10% da demanda gaúcha e deve elevar em 7% a arrecadação do município de Lavras do Sul. O investimento estimado para essa primeira fase do complexo é de aproximadamente R$ 115 milhões. O executivo calcula em R$ 55 milhões o custo de construção da mina e já foram investidos mais cerca de R$ 60 milhões nos últimos anos em ações como trabalhos de geologia (descoberta do depósito mineral), engenharia e em medidas para mitigar os impactos ambientais. Com o empreendimento, deverão ser gerados em torno de 60 a 70 empregos. A companhia ainda espera alcançar com o projeto um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciacao e amortizacao) de cerca de R$ 50 milhões ao ano.
Inicialmente, o valor divulgado para concretizar o complexo era maior, na ordem de US$ 100 milhões. Tallarico explica que o desenho original do projeto previa uma escala diferente e a iniciativa acabou sendo simplificada, reduzindo a necessidade de equipamentos e diminuindo os investimentos. O projeto, em sua primeira etapa, por exemplo, não prevê a construção de barragens de água ou de rejeitos. O tempo de operação dessa fase também foi modificado, passando de uma atividade que antes era prevista para o intervalo de quatro anos para um espaço de 18 anos. Somente após esse período, seria dado o próximo passo do planejamento.
As outras duas etapas posteriores do empreendimento, entre outros pontos, abrangeriam a produção de calcário e, caso confirmadas, demandariam a realização de barragem. Porém, Tallarico frisa que essas evoluções não estão dentro do pedido da licença de instalação (LI) que está sendo analisado pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e que contempla apenas a primeira fase.
O dirigente comenta que, após a conquista da licença de instalação, seriam necessários menos de doze meses para iniciar as operações. Sobre questionamentos feitos pelo Ministério Público Federal (MPF) quanto a riscos ambientais do projeto, Tallarico considera que esse é o papel da entidade. “É comum, isso ocorre, não é uma situação particular do Rio Grande do Sul”, afirma o diretor. Segundo ele, há “certa informação cruzada” sobre o tema e a empresa pretende esclarecer qualquer ponto que for necessário.
Em fevereiro, o MPF recomendou à Fepam que anulasse a licença prévia (LP) concedida à Águia para o desenvolvimento do Projeto Fosfato Três Estradas. De acordo com o Ministério Público, o licenciamento ambiental da iniciativa apresenta várias irregularidades. Foram apontadas falhas no Estudo de Impacto Ambiental e seu respectivo relatório (EIA/Rima) e que os pecuaristas familiares da região não teriam sido ouvidos por meio da consulta prévia e informados do procedimento de licenciamento.
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