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Agronegócio

- Publicada em 15h01min, 16/10/2020. Atualizada em 17h32min, 17/10/2020.

Pecuária brasileira avançou com melhorias na genética e no manejo

Melhoramento genética da raça Angus no Brasil começou em 1974

Melhoramento genética da raça Angus no Brasil começou em 1974


GABRIEL OLIVEIRA/AGÊNCIA EL CAMPO/DIVULGAÇÃO/JC
Thiago Copetti
Assim como o Brasil avançou 500% na produção de grãos nos últimos 40 anos com tecnologia, seleção de cultivares, melhoramento genético e manejo, o mesmo ocorreu com a pecuária. Área onde o Brasil também é destaque e que também celebra o Dia Mundial da Alimentação.
Assim como o Brasil avançou 500% na produção de grãos nos últimos 40 anos com tecnologia, seleção de cultivares, melhoramento genético e manejo, o mesmo ocorreu com a pecuária. Área onde o Brasil também é destaque e que também celebra o Dia Mundial da Alimentação.
Ainda que em menores proporções do que o ganho na produção de grãos, mas por razões semelhantes, o aumento na produtividade e na produção de bovinos e aves, principalmente, deu um salto e transformou o Brasil em um dos maiores players mundiais no mercado da proteína animal.
De acordo com dados do IBGE, a rebanho de bovinos brasileiro passou de 118,97 milhões de animais em 1980 para 214, 31 milhões em 2019 – alta de 80,43%. Já o plantel de aves de um salto ainda maior: de 441,32 milhões de galináceos criados em território nacional em 1980 o Brasil passou para 1,47 bilhão em 2019, em média (alta de 232% no plantel). Levando em conta os números de abates e aves, o incremento é ainda maior. Dados da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) mostram que apenas no Rio Grande do Sul o número de aves abatidas passou de 120 milhões em 1984 para 820 milhões neste ano – um incremento de 583%.
Gerente de Fomento da Associação Brasileira de Angus, Mateus Pivato destaca que são diferentes os motivos que tornam a pecuária, em geral, mais eficiente. E ainda que represente o setor de bovinos, boa parte das explicações de Pivato para essa expansão servem, também, para avicultura. Resumidamente, os ganhos se deram por avanços nas áreas nutricionais, de manejo, sanidade e genética.
“Com a genética, especialmente a partir de 2020, se passou a poder fazer a partir, por exemplo, de animais com melhores características de eficiência e conversão alimentar, alcançamos não apenas aumento de produção, mas produtividade sustentável as encontrar animais que produzem na vertical. Ou seja, produzem mais (carne) com menos (alimentos)”, explica Pivato.
Ainda que a explicação básica seja a mesma, ressalta o representante da Angus, o processo evolutivo nos bovinos é bem mais longo do que as aves. No caso dos bovinos, acrescenta, são gerações e gerações de refinamento, enquanto nas aves o ciclo é significativamente menor. Nos bovinos, especialmente na raça Angus, essa expansão é fruto de um programa de melhoramento genético iniciado em 1974.
“A partir daí se conseguiu números concretos do desempenho dos animais e as diferenças esperadas da progênie (DEPs). Isso permitiu fazer uma seleção objetiva do que traz velocidade e ganho de peso, conformação de carcaça e características ligadas à qualidade da carne, assim como a seleção de animais mais adaptados a região onde estão sendo criados”, lista o representante da Angus.
O outro fator fundamental, destaca Pivato, foi o avanço dos cruzamentos industriais, processo em que se cruza animais de origens distintas (como taurinos e zebuínos) para gerar animais destinados à produção de carne e que irão para o abate mais rapidamente. Na parte vegetal, melhorias da qualidade do pasto. No âmbito do mercado, a preferência por animais mais jovens permitiu aumentar substancialmente a ocupação e rentabilidade dos campos.
“Tivemos uma alta de 170% de produtividade em 20 anos. A evolução de abate de bois com mais de 36 meses é um indicador importante. Em 1997, 45% dos animais abatidos tinham mais de 36 meses. Em 2019, caiu para 6% como reflexo de mudança de mercado e do próprio pecuarista no trabalho com os terneiros, entendendo como produzir mais carne e melhor”, finaliza Pivato.
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No caso da avicultura, acrescenta o presidente da Asgav, Eduardo Santos, o Rio Grande do Sul a avicultura participa com 40% do PIB da pecuária. E o grande eixo do crescimento não veio somente com expansão de aviários, mas também da evolução genética, estudos e pesquisas conduzidos por grandes empresas para melhorar a conversão alimentar.
“Também crescemos em questões do ambiente onde as aves são criadas, com aviários umidificados, temperatura controlada e automatizada, no caso do sistema dark house, e até mesmo na água oferecida, assim como controles de alimentação e sanitário”, pondera Santos
E, além de questões de manejo, genética e bem-estar animal, soma-se a demanda maior internacional e no mercado interno – o que leva a maior adesão de produtores e empreendimentos ao sistema. Na área industrial, equipamentos mais modernos nas linhas de processamento e abate também trouxeram ganho de escala e produtividade, acrescenta o presidente da Asgav.
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