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Porto Alegre, segunda-feira, 04 de junho de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Negócios Corporativos

Notícia da edição impressa de 05/06/2018. Alterada em 04/06 às 23h00min

Advent compra 80% do Walmart no Brasil

Walmart Cachoeirinha foto divulgação Walmart

Walmart Cachoeirinha foto divulgação Walmart


WALMART/DIVULGAÇÃO/JC
Maior varejista do mundo, a norte-americana Walmart vendeu 80% das operações no Brasil para o fundo Advent Internacional. O anúncio foi feito nesta segunda-feira, em Nova Iorque. O valor da transação não foi divulgado. A negociação atinge a rede no Rio Grande do Sul, onde o Walmart tem 99 lojas, conforme o ranking da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) de 2017.
O Advent International tem investimentos em outras marcas de varejo no Brasil. Para os gaúchos, a mais conhecida é a rede Quero-Quero, de eletrodomésticos e outros itens para casa. Também tem participação na Dufry (que atua com free shops), na Allied (companhia mundial de alimentos) e na Fortbras.
A norte-americana ingressou no Estado em 2005, após comprar as lojas do grupo português Sonae. Recentemente, chegou a ser especulado que o Sonae poderia recomprar a rede do Walmart, mas o varejista português negou, conforme notícias de sites brasileiros. O negócio entre Walmart e Advent ainda terá de ser aprovado por organismos reguladores no Brasil, informaram, em nota, as duas gigantes - uma em varejo de supermercados, e outra, de investimentos (private equity).
O Sonae chegou ao Rio Grande do Sul em 1989, ao adquirir a Companhia Real de Distribuição, do Grupo Josapar, de Pelotas. Posteriormente, o grupo português comprou as redes de supermercados Nacional e Econômico. Mais tarde, as operações do Sonae no Brasil foram vendidas ao Walmart.
"Estamos há mais de 20 anos no Brasil e estamos empolgados com o novo sócio, que é um dos líderes do varejo no País", disse Patrice Etlin, sócio-diretor da Advent International no Brasil, após o anúncio. A transação faz parte da revisão da operação global do Walmart. Já se cogitava a saída do Brasil, que não será total, mas com a redução no tamanho do negócio.
Outro detalhe divulgado é que a varejista, que tem ações na Bolsa de Valores de Nova Iorque (Nyse), espera cobrir perda de US$ 4,5 bilhões em receita global no segundo trimestre, associada à conversão de ingressos das filiais internacionais para o dólar, pois a moeda norte-americana experimenta forte valorização.
No Brasil, o Walmart está há 22 anos, soma 438 lojas em 18 estados e 55 mil empregados. Em 2017, as vendas da rede totalizaram receita de R$ 25 bilhões, conforme a nota divulgada em Nova Iorque.
No Rio Grande do Sul, a rede tem unidades das bandeiras Walmart, Nacional, BIG, MaxxiAtacado e TodoDia. Em 2016, a varejista anunciou a extinção das bandeiras Nacional e Big, com a progressiva adoção da marca Walmart. Algumas lojas no Estado já vinham sofrendo a mudança, e também houve fechamento de unidades.
Alguns pontos em Porto Alegre foram assumidos pela rede Asun. Pelo ranking da Agas, as 99 lojas que o Walmart tinha em 2017 chegaram à receita de R$ 5,6 bilhões, levemente acima da cifra de 2016, que ficou em R$ 5,5 bilhões, também conforme a Agas. No ano passado, eram 16,4 mil empregados.
JC

Saída da gigante varejista do mercado brasileiro ocorre em meio a processo de reestruturação

Os planos de saída da gigante norte-americana do Brasil acontecem em um momento de reformulação da estratégia internacional do grupo. Em abril, o Walmart cedeu o controle da Asda, no Reino Unido, para a concorrente local J Sainsbury por US$ 10 bilhões.
O que o Walmart precisa fazer agora é concentrar esforços em outras batalhas que acontecem em seu próprio território, segundo Olegário Araújo, pesquisador do GVcev (Centro de Excelência em Varejo da FGV).
Em meados do ano passado, a rede alemã Lidl, que tem cerca de 10 mil lojas ao redor do mundo, abriu sua primeira unidade nos Estados Unidos. Famosa pela política de preços baixos, um rótulo que o Walmart sempre assumiu como seu, a Lidl registrou preços 9% mais baixos que os do concorrente norte-americano, segundo pesquisa da consultoria Jefferies.
Na largada, enquanto iniciava sua expansão em território norte-americano, a rede alemã pressionou o Walmart a baixar ainda mais os preços em um momento em que a deflação nos alimentos nos EUA pressionava as margens no varejo. Na mesma época, outra frente de ataque veio da gigante do comércio eletrônico Amazon, que se impôs como um rival no mundo físico. Em junho do ano passado, a Amazon anunciou a compra da rede de lojas físicas de alimentos Whole Foods por US$ 13,7 bilhões.
A disputa com a Amazon transpõe as fronteiras norte-americanas. Neste mês, o Walmart anunciou a compra, por US$ 16 bilhões, da Flipkart, a maior varejista on-line da Índia, que a Amazon também tentara comprar.
O Walmart atua em 28 países com 11.610 lojas, sendo os EUA e o México os mais importantes, com quase 8 mil unidades. As decepções no Brasil remetem a experiências anteriores em mercados como Coreia do Sul e Alemanha - que o Walmart abandonou no passado.
Aqui, especificamente, a empresa ficou conhecida por ter entrado no mercado cometendo vários tropeços. Começou há mais de 20 anos vendendo acessórios de golfe e outros itens que não despertavam o menor interesse nos consumidores brasileiros.
Ao longo dos anos, a empresa sofreu no País com uma série de dificuldades como a localização ruim de algumas lojas, operações ineficientes, conflitos trabalhistas, precificação inadequada e outras dificuldades que levaram a tentativas de reestruturação.
Foram dores de cabeça demais para uma operação cujo faturamento gira em torno de 1,5% das vendas totais da gigante no mundo. De sua passagem pelo Brasil, a multinacional levará lições, mas também deixou conhecimento para o varejo local, segundo Eugenio Foganholo, diretor da Mixxer, consultoria especializada em varejo e bens de consumo.
"O Brasil foi um dos primeiros países em que o Walmart entrou depois de EUA, México e Canadá. Foi aqui que ele entendeu que só consegue operar com vantagem onde é dominante, tem muita participação de mercado e liderança, como nos EUA", diz Foganholo.
Embora seja o terceiro do ranking brasileiro, fica distante de Carrefour e Grupo Pão de Açúcar. Seu faturamento ficou em torno de R$ 28,2 bilhões em 2017, muito atrás dos dois primeiros, que rondam os R$ 50 bilhões cada um.
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