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Porto Alegre, segunda-feira, 21 de maio de 2018.

Jornal do Comércio

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Saúde

Notícia da edição impressa de 22/05/2018. Alterada em 21/05 às 21h58min

Foco em Santa Maria é descobrir origem do surto de toxoplasmose

Linha de investigação trabalha com contaminação pela água ou por alimentos

Linha de investigação trabalha com contaminação pela água ou por alimentos


/JOÃO MATTOS/ARQUIVO/JC
Isabella Sander
Desde fevereiro, Santa Maria é alvo de um surto de toxoplasmose, já considerado o maior da história no Estado. Enquanto trabalha na prevenção e no atendimento a enfermos da doença, o poder público busca onde, afinal, o parasita está instalado, a fim de eliminá-lo e de evitar a contaminação de mais pessoas. Desde a tarde de ontem, um questionário detalhado sobre o perfil de cada morador contaminado começou a ser aplicado, com o objetivo de auxiliar na identificação da origem do toxoplasma.
O superintendente de Vigilância em Saúde de Santa Maria, Alexandre Streb, atribui a demora em encontrar a origem do problema à complexidade do desafio. "Nossa cidade é grande, e temos uma das redes de água mais complexas do Brasil, além de um fornecimento de alimentos vindo de muitas regiões", explica. O surto da doença já contabiliza 352 casos confirmados e 198 ainda em investigação.
A aposta está no aperfeiçoamento de instrumentos estatísticos, que trarão foco à origem do surto - são questionários elaborados pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Estado e o município, com os quais se identificará o ambiente que frequentam as pessoas que já tiveram confirmação da infecção, bem como onde se alimentam, que tipo de alimentação, quando foram contaminadas, entre outras informações. "Acredito que, se houver possibilidade de localizar a origem, será a partir daí", presume Streb.
Os dados coletados serão cruzados, para que sejam definidas questões como qual a maior probabilidade de infecção - se através da água ou de alimentos - e onde moram os enfermos. Até agora, a Secretaria da Saúde de Santa Maria aplicava um questionário simplificado, enquanto aguardava que um método mais minucioso fosse elaborado. Com isso, já foram identificadas algumas regiões do município mais afetadas pela contaminação, o que deve ser tornado público no próximo boletim epidemiológico, nesta sexta-feira.
Para combater o surto, a prefeitura de Santa Maria tem recebido apoio de membros dos Ministérios Públicos do Estado (MP-RS) e Federal (MPF), da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), do Centro Universitário Franciscano (Unifra) e de equipes da Secretaria Estadual de Saúde (SES) e do Ministério da Saúde. O MPF instaurou procedimento administrativo para acompanhar o trabalho desenvolvido pelos órgãos de saúde.
A SES apoiou a abertura de um consultório específico para atender aos casos oftalmológicos decorrentes da toxoplasmose, na Casa de Saúde (rua Riachuelo, 364, em Santa Maria). Além disso, a Vigilância em Saúde tem reforçado a fiscalização de alimentos e plantações. O departamento ganhou reforço em sua equipe, com um terço a mais de profissionais atuando, entre servidores do ministério e do Estado.
Segundo a diretora do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), Marilina Bercini, o surto está causando preocupação por atingir uma cidade grande como Santa Maria, que possui 278 mil habitantes. As ações são focadas em fiscalização e assistência aos enfermos. Na assistência, o Estado apoia com compra de medicamentos, avaliação oftalmológica e retaguarda técnica para o atendimento a gestantes, cujo risco, ao contrair toxoplasmose, é maior. Desde o início de abril, técnicos dos órgãos de saúde estaduais estão no município para ajudar na avaliação epidemiológica.
Sobre a contaminação, os órgãos de saúde trabalham com duas possibilidades: através de alimentos ou pela água. Em relação à água, a princípio, todas as 30 amostras examinadas em laboratório de referência contratado, localizado em Londrina, não apresentaram toxoplasma. Outras amostras, no entanto, foram encaminhadas, e a possibilidade não está descartada. "Procuramos outras fontes possíveis de contaminação da água, como poços artesianos e água de açude, que irriga verduras", explica Marilina.
 

Órgãos de saúde alertam para a importância de lavar verduras de forma correta e não comer carne crua

As orientações para evitar contaminação por toxoplasmose envolvem, principalmente, usar água de origem confiável, higienizar bem as verduras - deixando-as de molho em vinagre ou bicarbonato - e não ingerir carnes cruas. Também é preciso tomar cuidado ao manusear qualquer tipo de terra que possa ter contato com fezes de felinos, as quais podem conter o parasita. "Em Santa Maria, pedimos que as gestantes não comam alimentos crus", alerta Marilina.
As grávidas, que podem contaminar o feto e sofrer aborto espontâneo, devem, no pré-natal, solicitar uma sorologia a cada trimestre da gestação. "Neste momento, é mais importante ainda fazer esse controle bem próximo, independentemente de estar com os sintomas ou não", pontua a diretora do Cevs.
A toxoplasmose é causada pelo protozoário Toxoplasma gondii. A doença pode ocorrer pela ingestão de alimentos contaminados com oócitos ou pela placenta da mãe contaminada. Os sintomas são febre, cansaço, mal-estar e gânglios inflamados. O período de incubação vai de 10 a 23 dias, quando a contaminação se dá através de alimentos, e de 5 a 20 dias, quando o contato ocorre por meio das fezes de felinos.
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