Porto Alegre, quarta-feira, 30 de maio de 2018.

Jornal do Comércio

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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 25/05/2018. Alterada em 30/05 às 17h32min

Concorrência com Mercosul mina competitividade do arroz

JULIE MORESCO DA SILVA/IRGA/DIVULGAÇÃO/JC
Uma das culturas mais pujantes e tradicionais do Rio Grande do Sul, o terceiro grão mais produzido no Brasil, atrás somente da soja e do milho, enfrenta enormes desafios para continuar viável. Com quase 95% da safra colhida até meados de maio, o volume é de 7,9 milhões de toneladas de arroz - número que deve chegar a 8 milhões até o encerramento da colheita, segundo levantamento do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Esse volume expressivo, no entanto, não representa um equivalente em rentabilidade para o rizicultor. Custos elevados na lavoura, preços baixos pagos ao produtor e concorrência desfavorável com o Mercosul são as principais causas.
Ainda segundo estimativas do Irga, o volume colhido deve ser um pouco menor do que na safra anterior, que fechou em 8,7 milhões de toneladas. As desvantagens econômicas do cultivo e a possibilidade de abrir áreas para o plantio de soja, que é muito mais rentável, explicam o desânimo e a queda no setor.
Segundo o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Henrique Dornelles, o custo de produção é alto devido a fatores como o uso intenso de irrigação. Isso faz o produto gaúcho perder competitividade, especialmente com a chegada do arroz importado do Paraguai, a custo mais baixo. "O problema com o Mercosul é que o comércio não é livre. Eles vendem o arroz mais barato aqui, mas nós não podemos comprar insumos mais em conta nos países vizinhos. A energia de Itaipu, por exemplo, é 30% mais barata para o Paraguai. Os marcos regulatórios do Mercosul precisam avançar, para que haja livre comércio e não concorrência desleal", sentencia Dornelles.
Outro complicador é a carga tributária. "O governo não tem sido sensível aos nossos pedidos de revisão e redução temporária de alguns tributos, que são muito altos e pesam. Somos o maior produtor brasileiro de arroz, mas devido às taxas, a indústria prefere buscar o grão em outros países", explica.
Presidente da Associação dos Arrozeiros de Alegrete, Fátima Marchezan vem sentindo como esses problemas podem desestimular o produtor. Para ela, além das soluções macro pelas quais todos anseiam, a gestão da propriedade também tem papel fundamental. O controle financeiro, aliado aos investimentos racionais em tecnologia, garantem a produtividade na medida certa para deixar o máximo de lucratividade ao produtor. "Temos que trabalhar com o pé no chão. Não adianta ter um trator moderno e estar endividado", completa.
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