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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 25/05/2018. Alterada em 29/05 às 14h27min

Queda nas exportações e perda de lucratividade

ALEXANDRE TEIXEIRA/DIVULGAÇÃO/JC
 Uma notícia divulgada em abril pela União Europeia (UE) teve um efeito dominó no setor de proteína animal no Brasil. Devido a questões sanitárias, levantadas pelos europeus em função dos desdobramentos da Operação Carne Fraca, a UE suspendeu a importação de produtos derivados de carne, especialmente de frango, de 20 frigoríficos nacionais, 12 deles pertencentes à gigante BRF. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil é o maior exportador de frango do mundo e o bloco europeu, o seu principal cliente. Autoridades sanitárias e comerciais brasileiras já trabalham para reverter essa decisão e retomar os negócios com o Velho Mundo. No entanto, as consequências já foram sentidas por todo o setor.
“A crise no frango fez com que o produtor aloje menos pintos e aumente a oferta no mercado interno. O suíno também funciona de forma semelhante, pois é dependente do mercado russo. Os valores dessas carnes ficam mais baixos em função da maior oferta e isso pressiona o preço do boi”, explica o presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Pereira. Segundo ele, a interdependência entre as cadeias faz com que todos os setores estejam atrelados aos humores do mercado internacional e também às questões internas, como custos dos insumos para a produção. Essa instabilidade causa grande apreensão, especialmente nas indústrias e propriedades dos estados do Sul, que concentram 63,6% das aves e 69,3% dos suínos abatidos no Brasil, segundo a ABPA.
Com um rebanho estimado pelo IBGE em 218,23 milhões de animais em 2016, o setor bovino luta para crescer em meio ao ambiente conturbado. O presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados (Sicadergs), Ronei Alberto Lauxen, afirma que a recuperação do setor de carne bovina depende da retomada das exportações de aves e suínos. “Em 2017 já vínhamos com margens reduzidas para indústria e para o produtor, o que abalou o setor”, destaca. Mesmo assim, ele vê um caminho de recuperação que passa também pelo aprimoramento na sanidade e na produtividade.
Para a presidente da Associação Brasileira de Criadores de Devon, Elizabeth Cirne Lima, o controle sanitário no Brasil já é um dos mais exigentes do mundo, o que coloca o País em posição confortável para abrir mercados e exportar. O foco de concentração de produtores no momento, falando especificamente dos bovinos, é implementar uma lógica de produção industrial mais moderna, que integre o campo ao frigorífico e englobe todas as etapas do processo, desde a genética e nutrição até o abate e embarque.
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