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Jornal do Comércio

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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 25/05/2018. Alterada em 29/05 às 14h21min

Produção de grãos consolida a base do agronegócio brasileiro

TIAGO FRANCISCO/SISTEMA FARSUL/DIVULGAÇÃO/JC
Um é o principal produto de exportação do Brasil, a commodity que brota pelos campos de todo o País, mudando o perfil agrícola até mesmo de estados com grande diversificação, como o Rio Grande do Sul. Outro é o mais importante insumo para as agroindústrias que, no Sul, o transformam em proteína animal em forma de aves e suínos. Soja e milho são sinônimo de exportações e sinais positivos na balança comercial - somos o primeiro exportador mundial de soja e o segundo de milho. No campo, são culturas complementares, que se revezam sobre o solo, protegendo-o da degradação.
Em 2018, o Rio Grande do Sul deve colher cerca de 16,5 milhões de toneladas de soja, segundo estimativas da Associação dos Produtores de Soja do Rio Grande do Sul (Aprosoja-RS). É menos do que no ano passado, quando se colheu quase 20 milhões de toneladas. O clima, com seca em partes do Estado, foi o principal responsável pela quebra. A queda de produção, que poderia alarmar os produtores, não foi tão sentida no bolso. Tudo por que o preço da commodity disparou no mercado internacional e garantiu que todo mundo ficasse com as contas no azul. "A soja é a menina dos olhos do agro gaúcho. É uma cultura extraordinária, pois se adapta agronomicamente e comercialmente na realidade do produtor rural", salienta o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (Fecoagro-RS), Paulo Pires.
A maior parte desse volume gigantesco de grãos sai das propriedades diretamente para a exportação. E é justamente aí que reside a maior apreensão do setor. De acordo com o presidente da Aprosoja, Luis Fernando Fucks, os entraves já começam no déficit de armazenagem. Não há silos e armazéns suficientes para estocar a produção até que ela seja escoada. O uso dos chamados silos-bolsa tem sido uma solução emergencial dos agricultores, mas não garante um manejo adequado da safra.
No entanto, o maior problema começa quando o grão sai da propriedade. Primeiro, enfrenta longas distâncias por via rodoviária, já que os modais hidroviário e ferroviário carregam um percentual baixíssimo da produção. Depois, ao chegarem ao Porto de Rio Grande, aguardam para o embarque, já que os navios não zarpam com carga completa, em função dos problemas de calado do porto. "Nossa produtividade é alta e, enquanto a soja está supervalorizada no mercado internacional, estamos ganhando. Mas vamos ter problemas logo, se não resolvermos os entraves logísticos. Estamos perdendo em competitividade", alerta Fucks.
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