Porto Alegre, segunda-feira, 04 de junho de 2018.

Jornal do Comércio

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Indústria Têxtil

Notícia da edição impressa de 25/05/2018. Alterada em 04/06 às 18h17min

Setor têxtil e de vestuário cresce em faturamento, produção e empregos

MARCO QUINTANA/JC
O ano de 2017 trouxe sinais positivos, ainda que discretos, em aspectos como faturamento, produção, investimentos e número de empregos - e as projeções para 2018 seguem otimistas, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).
Somando cerca de 30 mil empresas no País, com um total aproximado de 1,5 milhão de trabalhadores, a área faturou R$ 144 bilhões (US$ 45 bilhões) no ano passado, contra R$ 137 bilhões (US$ 39,3 bilhões) em 2016. Em fevereiro deste ano, houve queda na produção - 4,4% em produtos têxteis e 1,7% em vestuário e acessórios - em relação a janeiro. Mas, em março, o setor voltou a apresentar desempenho positivo, no item geração de empregos, com saldo positivo de 1,8 mil vagas no mês.
Dentro das empresas, essa conjuntura permite uma visão otimista. "Este primeiro semestre está levemente melhor do que o do ano passado. A expectativa de crescimento para o ano está em torno de 5%", antecipa Rubens Magalhães Gonzales, sócio da Di Selen Confecções - uma das maiores empresas do setor de vestuário no Estado, fornecedora de redes como Renner, C&A e Riachuelo. "Diminuímos o ritmo de crescimento. Antes, se crescia de 15% a 20% em um ano. Em 2010, isso diminuiu um pouco, e depois voltou. Em 2016 e 2017, ficamos estáveis", explica o empresário.
Os números favoráveis também se explicam pelo bom desempenho recente da Renner, maior cliente da Di Selen. "Nos últimos dois anos, não sofremos tanto quanto o varejo, porque a Renner vem performando muito bem", observa Gonzales. De fato, o balanço do primeiro trimestre divulgado pela Renner evidencia o bom momento da rede - que teve, no período, um lucro líquido de R$ 111,4 milhões, 66% superior ao do primeiro trimestre de 2017, e alcançou valor de mercado próximo dos R$ 24 bilhões.
Sem fábrica própria, a Renner tem apostado na confecção nacional - o que contribui para o sucesso, na opinião de Gonzales: "Eles têm uma política firme de comprar bastante do mercado nacional. Isso é um fator de assertividade. Se você vai importar, tem que decidir com meses de antecedência. Nós, aqui, entregamos um pedido em 30 dias, a reposição dos estoques é rápida. A moda tem que estar acontecendo rapidamente".
Por outro lado, a concorrência com as indústrias asiáticas está menos acirrada. "Temos que ter produtividade e escala, e aí o nosso preço não fica tão longe do importado. Hoje, uma camisa da Ásia está cerca de 30% mais barata, mas há essa questão da agilidade (da indústria nacional)", compara Gonzales.
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