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Indústria Metalmecânica

Notícia da edição impressa de 25/05/2018. Alterada em 24/05 às 19h57min

Setor metalmecânico ainda sente efeitos da crise

VENAX/DIVULGAÇÃO/JC
Se o ano passado marcou um momento de equilíbrio, depois das quedas verificadas entre 2015 e 2016, o momento atual não sugere maior crescimento, mesmo com o alento trazido pela baixa dos juros e da inflação e pela retomada das exportações. O mercado externo tem contribuído para melhorar o desempenho de parte das indústrias do setor, na avaliação do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico e Eletrônico do Estado do Rio Grande do Sul (Sinmetal). "Estamos tentando manter os níveis de produção de 2017. As exceções são empresas que produzem peças para equipamentos agrícolas ou são vinculadas ao setor automobilístico. Com o câmbio favorável, a exportação de veículos e de máquinas agrícolas está forte", destaca o diretor executivo da entidade, José Bernardo Scapini. Mesmo fora da seara automotiva, existe perspectiva de aumento nas exportações, depois de um período de retração. "A meta estimada é de alcançarmos cerca de 6% acima da inflação, estimando a recuperação de 27% em nossas exportações das perdas dos últimos cinco anos", calcula Walter Bergamaschi, presidente da Venax, de Venâncio Aires.
Com cerca de 190 mil empregos diretos no mercado gaúcho, a área metalmecânica e eletroeletrônica é uma das mais voltadas às inovações tecnológicas. Mas o ritmo dos investimentos em novas máquinas e estruturas ainda não é o ideal. "A tecnologia evolui rápido. É necessário investir, e é uma bola de neve, um investimento puxa outro. Isso move o setor industrial, mas está muito devagar. E também está parado o investimento do governo federal em infraestrutura. Têm muitas empresas com caixa zerado. Aquelas que produzem por encomenda estão em dificuldade para conseguir negócios, e os negócios que saem são com margens baixas, porque a concorrência está acirrada", descreve Scapini.
Para o dirigente, esse período de dificuldade não deverá ser plenamente superado antes de 2020. Um dos fatores decisivos nessa perspectiva é a incerteza decorrente do contexto político, especialmente em um ano eleitoral. "A incerteza ainda é muito grande. Houve a reforma trabalhista, mas também precisamos com urgência da reforma tributária, para ter menos burocracia na implantação e no desenvolvimento das empresas", observa Scapini.

Investimentos em tecnologia são estratégicos

As exportações e a busca de novas soluções tecnológicas têm sido alguns dos caminhos trilhados pelas indústrias gaúchas para contornar as dificuldades da conjuntura econômica. Mesmo em um cenário ainda instável e imprevisível, há espaço para algum otimismo, na opinião do presidente da Venax, Walter Bergamaschi. "As empresas buscam o seu maior desafio, o acesso à tecnologia em seus processos industriais, para agregar maior produtividade e inovação constante nos produtos, podendo assim ampliar o mercado interno e externo", diz o dirigente, também diretor do Sinmetal.
À frente de uma das principais empresas do setor metalmecânico no Vale do Rio Pardo, especializada em produzir itens de consumo como fornos, fogões e freezers, Bergamaschi percebe uma movimentação significativa das outras indústrias da região no rumo da tecnologia. "Sentimos em todo o meio empresarial a intenção de centrar investimentos nessa área, com prioridade nas ferramentas de inovação da Indústria 4.0. Isso não é tendência, trata-se de uma realidade imediata. Diversas indústrias já instalam sua planta com equipamentos utilizando alta tecnologia e robótica. É um caminho sem volta. O setor produtivo que não inovar está fadado ao fracasso, principalmente o metalmecânico", prevê o empresário.
O interesse pelas novidades tecnológicas segue paralelamente ao enfrentamento dos obstáculos trazidos pela crise econômica, que foram significativos nos últimos anos. Bergamaschi lembra que o ano passado ainda trouxe números negativos, mas acredita na superação desses índices ao longo de 2018 - especialmente com o impulso no comércio exterior. "As vendas de 2017 não atingiram as metas planejadas, ficando abaixo de 2016, em cerca de 4,5% no mercado interno e de 6% nas exportações. Para 2018, com a readequação no setor energético e a melhoria do câmbio, estimamos superar as perdas anteriores com uma recuperação de mais de 5% no mercado interno e de 6% no externo", prevê Bergamaschi.
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