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Móveis

Notícia da edição impressa de 25/05/2018. Alterada em 24/05 às 20h01min

Setor moveleiro busca mercado externo

BENTEC/DIVULGAÇÃO/JC
Depois dos momentos difíceis vividos entre 2015 e 2017, alguns sinais sugerem perspectivas mais otimistas para o ano - especialmente em função de um ligeiro reaquecimento do mercado interno e da intensificação das exportações. Em fevereiro, por exemplo, as vendas das moveleiras gaúchas para o exterior atingiram US$ 14,2 milhões (cerca de R$ 49 milhões), 29,7% a mais do que em janeiro - enquanto o índice nacional foi de 23,7%.
Os dados do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (Iemi) divulgados pela Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs) apontam o Estado como o segundo maior exportador do País, atrás apenas de Santa Catarina. Com participação de 26,8% nas exportações brasileiras de móveis em fevereiro, a indústria gaúcha viu seus produtos chegarem principalmente a países como Reino Unido, Uruguai e Peru. "Procuramos incentivar a exportação. A empresa tem que ter um pezinho nesse mercado, buscar conhecer as culturas dos outros países. Hoje, é uma questão de sobrevivência", ressalta o presidente da Movergs, Volnei Benini.
Com mais de 2,7 mil indústrias, representando cerca de 11 mil empregos, o setor moveleiro gaúcho sofreu o impacto do período de austeridade econômica. "Houve demissões, mas o mercado já voltou, timidamente, a contratar", destaca Benini. Embora o ano passado tenha mostrado desempenhos melhores desde o segundo trimestre, o balanço de 2017 ainda registrou queda de 1,8% na produção industrial do Estado. "Houve investimentos em tecnologia e foram contratados profissionais para desenhar produtos, pensando nas culturas de outros países. Essa conta veio muito salgada. (Antes da crise) estávamos preparados para mais dois anos não de euforia, mas de algum crescimento", analisa o dirigente.
Neste ano, o cenário se apresenta mais promissor. O sucesso da feira Movelsul Brasil, realizada em março, em Bento Gonçalves, com estimativa de cerca de R$ 1 bilhão de negócios gerados, sugere novo impulso. "O setor voltou a se animar. Voltou a haver pedidos já na feira, o que há muito tempo não acontecia", comemora Benini. Além da feira, a melhora no consumo interno também é percebida no varejo. A empresa Bentec, de Bento Gonçalves, especializada em móveis planejados, vinha verificando baixa performance de vendas em suas 36 lojas parceiras espalhadas pelo País. Agora, o momento é outro. "Já temos muitos orçamentos em andamento, e está começando a haver fechamentos. Há dois anos, eram poucos orçamentos", compara o diretor da empresa, Henrique Tecchio.

Indústrias em momento de reinvenção

A máxima de que os períodos de crise devem ser encarados como oportunidades para a busca de novas soluções traduz bem o momento de muitas indústrias, em particular na área de produção de móveis. Depois de dois anos de retração na economia nacional, as empresas vão criando alternativas para tentar manter o ritmo de produção e recuperar o nível de emprego. O comércio externo, que havia perdido terreno em anos anteriores, voltou a aparecer como uma opção importante.
"As empresas conseguiram se voltar mais ao mercado, com estratégias diferenciadas. Foi momento de reinvenção. Surgiram opções que, por vezes, os empresários não sabiam que podiam explorar", analisa o diretor da Bentec, Henrique Tecchio, que acrescenta: "Houve empresas com queda de faturamento entre 30% e 50%. O positivo daquele momento foi essa busca de alternativas, de novos produtos para o mercado interno, que também favoreceram a competição no mercado externo".
Na Bentec, essa reinvenção se traduziu na criação de uma nova marca de produtos, a BE Mobiliário Inteligente, voltada ao comércio eletrônico. Em vendas desde o ano passado, a linha foi exposta neste ano na Movelsul e atraiu a atenção dos lojistas pela aposta na funcionalidade e no design moderno. "Em abril, fechamos a primeira exportação dessa linha. É uma alternativa ao móvel planejado", explica Tecchio.
Mesmo esperando um crescimento tímido para este ano, o empresário percebe um novo ânimo no setor, superada a pior fase da austeridade econômica. "O polo de Bento Gonçalves foi um dos que mais demitiram no setor moveleiro no País. Tentamos nos adequar, mas não deu para evitar a redução de pessoal. Agora, já temos necessidade de contratações", diz Tecchio. Para ele, outro sinal é a disposição dos empresários para voltar a investir: "Vejo as pessoas falando em comprar máquinas novas, quando há dois anos tinha gente querendo vender máquinas. Esperamos que 2019 e 2020 sejam os anos de colheita dos frutos que plantamos".
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