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Porto Alegre, segunda-feira, 28 de maio de 2018.
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Jornal do Comércio

Economia

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Paralisação

Notícia da edição impressa de 29/05/2018. Alterada em 28/05 às 21h20min

Parente apela para que petroleiros não parem

Segundo Parente, valores abaixo de mercado aumentariam dívida

Segundo Parente, valores abaixo de mercado aumentariam dívida


/JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL/JC
Em carta encaminhada ontem aos funcionários, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, pede aos empregados que façam uma reflexão se este é o momento de fazerem uma paralisação. Os petroleiros anunciaram paralisação de 72 horas, que deve começar a partir de amanhã.
No documento, Parente disse ter certeza de que todos acompanham a "situação de grave crise que atinge o País" por causa da greve dos caminhoneiros. "Não acreditamos que seja com paralisações e com pressões para redução de nossos preços. Em nosso entendimento, isso teria justamente o efeito contrário: seria um retrocesso em direção ao aumento do endividamento, prejudicando os consumidores, a própria empresa, e, em última instância, a sociedade brasileira", disse.
Mais cedo, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou que o presidente Michel Temer pediu a Parente que fizesse um apelo para que a categoria não entre em greve neste momento, quando a BR Distribuidora está reabastecendo o País. "Neste grave momento da vida nacional, convidamos todos a uma cuidadosa reflexão. Aportamos acima os aspectos que julgamos pertinentes a essa reflexão. E que tomem a sua decisão na direção do que acreditam melhor representar o interesse da sociedade e de nossa empresa", conclui o texto de Pedro Parente.
O presidente lembrou que a Petrobras enfrenta o desafio de ajustar os preços combustíveis com base nas variações de mercado internacional para evitar perdas. "Somos produtores, importadores, exportadores e distribuidores de um produto cujo preço é diretamente afetado por mudanças no dólar e também por acontecimentos globais que estão fora do nosso alcance e controle. Nestas últimas semanas, vivemos um choque nestas duas variáveis: o preço do barril do petróleo atingiu US$ 80 e o dólar chegou a custar R$ 3,77. Isso fez com que nossos preços também subissem, levando a um enorme questionamento à nossa política de preços."
De acordo com Parente, a opção de praticar preços abaixo da referência do mercado do petróleo aumentaria o endividamento da Petrobras, colocando em risco os investimentos. "Não existe alternativa sem custos, preços desconectados da realidade do mercado significam que alguém está pagando a conta, e as leis do País estabelecem que não é a Petrobras", afirmou.
O executivo defendeu a política de preços adotada pela estatal. Na avaliação de Parente, a decisão da Petrobras de reduzir, voluntariamente, os preços do diesel nas refinarias em 10% por cinco dias permitiu avanços no diálogo entre o governo e os caminhoneiros. "Continuaremos participando da solução deste problema com uma atitude construtiva como temos feito desde o primeiro momento e estamos dispostos a novas contribuições, desde que sem prejuízos para a companhia."
 

Sindicalistas dizem que carta não surtiu efeito

O diretor de Comunicação da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Alexandre Finamori, afirmou que o comunicado do presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirmando que a paralisação não vai contribuir para acabar com a crise, não surtiu efeito entre os funcionários. "A categoria está bem mobilizada", disse Finamori.
Sindicalistas da categoria realizaram manifestações ontem já em preparação à greve de advertência marcada para amanhã. Além disso, representantes da FUP se mantêm na porta de refinarias mobilizando empregados a aderir à paralisação desta semana.
A decisão de cruzar os braços na próxima quarta-feira foi comunicada pela FUP à diretoria da petroleira no sábado. A lista de reivindicações inclui a demissão de Parente, além de outros quatro pontos: a redução dos preços dos combustíveis e do gás de cozinha; a manutenção de empregos e retomada da produção interna de combustíveis; o fim da importação de derivados de petróleo; e a desmobilização do programa de venda de ativos promovido pela atual gestão da estatal. No comunicado, ainda contesta a presença de unidades das Forças Armadas em instalações da Petrobras.
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