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Porto Alegre, quarta-feira, 23 de maio de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Greve

Notícia da edição impressa de 24/05/2018. Alterada em 23/05 às 21h08min

Petrobras anuncia redução de 10% no preço do diesel

Litro do combustível na refinaria ficará em R$ 2,1016 a partir de hoje

Litro do combustível na refinaria ficará em R$ 2,1016 a partir de hoje


/MARCO QUINTANA/JC
O presidente da Petrobras, Pedro Parente, anunciou, na noite de ontem, que vai reduzir preço do diesel em 10% nas refinarias, por 15 dias. A decisão é uma resposta à greve dos caminhoneiros que dura três dias e já causa desabastecimento.
Segundo a estatal, o preço médio do diesel da Petrobras nas refinarias e nos terminais sem tributos será de R$ 2,1016 por litro a partir de hoje. Esse preço será mantido inalterado por período de 15 dias, e, após esse prazo, a companhia retomará gradualmente sua política de preços.
A redução anunciada representa menos R$ 0,2335 no litro do diesel nas refinarias. A Associação dos Caminhoneiros (Abcam) pede uma queda entre R$ 0,40 e R$ 0,60.
A Petrobras avalia que, com essa redução, haverá uma queda média de R$ 0,25 nas bombas dos postos de combustível. A medida vale apenas para o diesel. A expectativa é de que a paralisação seja suspensa, e que, nos 15 dias em que vigorar a nova tarifa, governo e caminhoneiros encontrem uma solução definitiva. Parente afirmou que "é uma medida de caráter excepcional. Não representa uma mudança de política de preço da empresa".
Pouco antes do anúncio de Parente, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou que o presidente Michel Temer havia solicitado à direção da Petrobras que encontrasse uma saída para atender aos pedidos de revisão de preços feitos pelos caminhoneiros. "Essa política (de preços) deu à Petrobras a condição que ela tem. Agora, chegou o momento em que o presidente Michel Temer resolveu fazer com que analisássemos de novo o que temos que fazer em relação a isso", afirmou o ministro.
Padilha disse que, apesar de o governo ter mudado a política da Petrobras, a presidência da estatal é um cargo de confiança do presidente da República, responsável pela indicação. "O cargo do ministro Pedro Parente é um cargo de confiança do presidente da República. E, seguramente, o presidente Michel Temer, preocupado que está com a família brasileira saberá como dialogar com o presidente Pedro Parente para a melhor solução para os interesses da Petrobras e da população brasileira. Não tenho dúvida disso." Questionado sobre se Parente corria risco de demissão, o ministro da Casa Civil respondeu que isso estava fora de cogitação.
Em seu discurso, Parente negou que a ação tenha alguma relação com a sua permanência no cargo. Ele afirmou se tratar de um "movimento de boa vontade" e disse que espera uma redução nos transtornos.
A greve dos caminhoneiros começou na última segunda-feira e gera desabastecimento em vários setores. Nesta quarta-feira, postos de gasolina e aeroportos afirmaram estar começando a sofrer com a falta de combustíveis.
"Estamos oferecendo à sociedade e aos consumidores a redução, desde que as demais etapas transmitam a redução", disse o presidente da Petrobras. Mais cedo, houve reunião entre os grevistas e o governo, porém sem acordos. O presidente Michel Temer disse que pediu uma trégua de três dias; os grevistas, porém, não aceitaram. Na terça-feira, os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício Oliveira, acordaram a redução do Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre o diesel.

Caminhoneiros dão prazo até amanhã para atendimento de reivindicações

Reunião no Palácio do Planalto debateu os pedidos da categoria

Reunião no Palácio do Planalto debateu os pedidos da categoria


ANTONIO CRUZ/ABR/JC
O movimento de paralisação dos caminhoneiros deu ao governo até amanhã para que seja apresentada uma proposta de redução do preço do combustível. Até lá, caminhões continuarão parados. Se nenhuma proposta considerada adequada for apresentada, o movimento será ampliado, e motoristas prometem paralisação total a partir de sábado. A informação foi dada pelo presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, que se reuniu com a cúpula do governo para negociar o tema.
O movimento dos caminhoneiros participou de uma reunião no Palácio do Planalto na tarde desta quarta-feira. No encontro, o presidente Michel Temer pediu "trégua de uns dois ou três dias no máximo" aos caminhoneiros que estão paralisando serviços, entrega de combustível e abastecimento de supermercados em todo o País, por conta de uma greve pela redução do óleo diesel.
O movimento, porém, rejeitou a proposta, e os caminhoneiros deram dois dias para que o governo traga uma proposta para redução do preço dos combustíveis. Até sexta-feira, segundo Fonseca Lopes, o movimento de paralisação continuará normalmente nos estados, mas será permitido tráfego de medicamentos, carga viva e perecíveis. "Mas se na sexta-feira não apresentarem nada, vai parar tudo", disse o presidente em entrevista após a reunião no Palácio do Planalto. Ao decidir falar, Temer não sabia da resposta já dada pelos representantes do setor que, naquele momento, já haviam rejeitado a suspensão do movimento como pedira o governo e decidido pela continuidade da paralisação.
O presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, reclamou que o não apresentou nenhuma proposta aos caminhoneiros na reunião. "O governo veio mais justificar a impossibilidade de atender às reivindicações da categoria", disse. "Ele sentiu o peso do movimento, que está tomando conta do País, e jogamos a responsabilidade para eles, porque eles foram avisados há mais ou menos um mês."
Segundo Bueno, o governo confirmou que a Cide do diesel será zerada, e não haverá reoneração da folha para o setor de transporte. "Mas isso só é insuficiente. Representa cinco centavos no preço, se for repassado."
Já em relação ao pedido de retirada do PIS/Cofins sobre o diesel, o representante dos caminhoneiros disse que o governo informou não estar preparado para responder ao pedido e ficou de apresentar uma proposta nesta quinta-feira. O mesmo se aplica ao pedido de escalonamento em três meses dos reajustes do diesel. "Sobre a política de preços da Petrobras, disseram que tem um gestor lá. A Petrobras parece que não é do Brasil. Tem uma pessoa que é o gestor e (a resposta) depende dessa pessoa, e é isso que vão conversar agora." É possível que um representante da estatal participe da reunião desta quinta-feira.
Diante desse resultado, a greve continuará, segundo informou o presidente da CNTA. "Pela minha leitura, a categoria não se desmobiliza por causa dessa reunião", afirmou. "A categoria não está disponível para promessas em vão, abertas."
Questionado sobre os prejuízos que a paralisação dos caminhoneiros traz à população, ele respondeu que a pergunta deveria ser dirigida aos ministros. "O governo deixou a situação chegar nesse ponto crítico, agora precisa dar solução."
 

'Governo precisa de milagre', diz presidente de entidade

Para o presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Rio Grande do Sul (Fecam-RS), André Luis Costa, para que interrompa a paralisação da categoria, o governo precisa de "um milagre", e o milagre "ainda demorará um pouquinho". As medidas propostas pela União, como a suspensão da cobrança da Cide (que gera diferença de R$ 0,05 por litro de diesel), não diminuíram o ânimo dos profissionais. "O preço do diesel e esse reajuste quase automático foram só a gota d'água. O problema é muito mais complexo do que isso", argumenta o presidente.
Uma das demandas da entidade levada ao ministro Eliseu Padilha é a criação de um índice nacional de remuneração do frete, que leve em conta os custos dos insumos e responda mensalmente à elevação nos preços pagos pelos motoristas. A entidade é contra, porém, uma tabela de preços, como a proposta após o último grande movimento dos caminhoneiros, em 2015, por engessar o setor. "O índice faz o mercado flutuar, segue livre, mas com um regulador", argumenta.
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