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Porto Alegre, domingo, 27 de maio de 2018.
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Economia

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Energia

Notícia da edição impressa de 28/05/2018. Alterada em 25/05 às 18h58min

Projetos eólicos gaúchos em xeque

CLAITON DORNELLES /JC
Jefferson Klein
O leilão de energia marcado pelo governo federal para agosto teve uma boa procura de projetos eólicos a serem instalados no Estado (foram inscritos 99 empreendimentos, que somam 2.681 mil MW de potência instalada, o equivalente a cerca de 70% da demanda gaúcha). Apesar do expressivo número, o presidente do Sindicato das Empresas de Energia Eólica do Rio Grande do Sul (Sindieólica-RS), Guilherme Sari, adianta que o momento é pouco favorável para novas iniciativas dessa natureza na região. O Estado está superando limitações que tem no setor de transmissão de energia, mas tem que enfrentar uma forte concorrência de complexos nordestinos que são, hoje, mais competitivos.
JC Empresas & Negócios - Vários projetos eólicos gaúchos não puderam disputar recentes leilões de energia por causa de atrasos em obras de transmissão que eram de responsabilidade da Eletrosul e agora estão sendo repassadas para a Shanghai Electric. Essa questão ainda será um problema para o certame que será disputado em 31 de agosto?
Guilherme Sari - O problema do Rio Grande do Sul, uma época, era o ambiental, foi resolvido, daí foi a conexão, que está se resolvendo, e agora é o leilão em si. O certame em si é altamente competitivo, no limite, com preços muito baixos, e o Estado, nesse cenário, pode não se mostrar tão atraente como alguns projetos no Nordeste. Acredito que haverá condições de conexão, mas estamos em um momento complicado no sentido de competitividade. Os investidores estão dando muita importância para o mercado no Nordeste. A verdade é que os grandes players globais estão localizados lá.
Empresas & Negócios - O fator preponderante que faz os empreendimentos nordestinos serem mais competitivos é a característica do vento daquela região?
Sari - É o vento. Lá se atingem valores 15% a 20% superiores (aos verificados no Rio Grande do Sul). Estamos falando de regularidade de vento, no Nordeste como um todo, mas os maiores mercados ainda são Rio Grande do Norte, Piauí e Bahia. O Rio Grande do Sul é um estado produtor, com alta capacidade, não há dúvida, mas como o sistema elétrico é interligado nacionalmente, faz pouca diferença produzir no Sul ou no Nordeste.
Empresas & Negócios - A meta da modicidade tarifária do modelo do setor elétrico, que tem como princípio fazer com que o consumidor final pague a menor tarifa possível, também influi na competitividade dos projetos eólicos?
Sari - Com a política da modicidade tarifária, acaba a concorrência sendo pelo preço. Obviamente, tem questões políticas envolvidas também e o Nordeste tem muita força pelo número de estados. Tudo isso conta para uma diferenciação. O Rio Grande do Sul, nesse ponto, fica um pouco isolado.
Empresas & Negócios - Dentro desse cenário, quais são as opções para as futuras iniciativas eólicas no Estado?
Sari - O mercado de energia regulado vem em uma tendência de diminuição de valores, com empresas globais tomando conta. Falando de Rio Grande do Sul, a perspectiva é que se pense outros caminhos. Há o mercado livre (formado por grandes consumidores) e diferentes, como o de autoprodução, que é o caso da Honda (que tem um parque eólico em Xangri-Lá para atender ao consumo de unidade do próprio grupo). Tem muitos consumidores querendo contratar energia de projetos de fontes renováveis, pois faz bem para a marca das empresas.
Empresas & Negócios - O leilão regional seria uma alternativa para tentar equacionar esse desequilíbrio entre Sul e Nordeste?
Sari - Eu prefiro chamar de leilão descentralizado. É uma bandeira que vale a pena ser discutida. Onde está a energia? No Centro-Oeste, há biomassa (matéria orgânica), no Rio Grande do Sul pode ser eólica, pequenas centrais hidrelétricas e térmicas, no Nordeste seria solar e eólica. Hoje, o Rio Grande do Sul é importador de energia, mas tem uma ampla capacidade de geração. A gente pode se tonar um estado exportador de energia. Um leilão descentralizado, nesse sentido, para nós faria toda a diferença.
Empresas & Negócios - Mas, a ideia do leilão regional não sofreria críticas por ferir a isonomia da concorrência e poder prejudicar a modicidade tarifária?
Sari - Com certeza. Isso afeta o interesse de outros estados que são exportadores de energia. Obviamente que haveria uma situação de interesses distintos nessa questão.
Empresas & Negócios - O setor eólico no Brasil já está consolidado ou ainda há espaço para crescer?
Sari - Tem espaço para crescer. Chegamos a um número importante, a faixa de 13 mil MW no Brasil, mas há espaço para crescer. A gente ainda está chegando ao nível de 10% da matriz elétrica nacional.
Empresas & Negócios - Qual seria o percentual saudável de participação na matriz?
Sari - As renováveis, fontes solar e eólica, poderiam chegar a 30% desse mercado.
Empresas & Negócios - No horizonte de quantos anos?
Sari - Em uns 15 a 20 anos, até por que há uma demanda crescente de energia. Após a crise, a tendência é voltar a crescer. A fonte hídrica deve diminuir seu potencial e as térmicas também estão reduzindo.
Empresas & Negócios - Apesar da perspectiva de crescimento no País, a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) faz projeções que indicam que o setor irá "tirar o pé do acelerador". Tendo aumentado cerca de 2 mil MW a cada ano, nos últimos três anos, a perspectiva é de que esse patamar diminua nos próximos ciclos. O que explica essa expectativa?
Sari - Entram vários fatores. A crise econômica que o Brasil enfrentou e que está melhorando agora pesa muito na contratação de energia. Mas, com certeza a energia solar está ocupando um espaço também. Eu acho que essas duas fontes (eólica e solar) vão continuar crescendo, mas de uma maneira mais orgânica.
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