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Porto Alegre, segunda-feira, 07 de maio de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Comércio Exterior

Notícia da edição impressa de 08/05/2018. Alterada em 07/05 às 22h40min

Entidades querem maior comércio com a Argentina

Fiergs, Fecomércio e Farsul anunciaram a criação do órgão, que já deve promover missões empresariais

Fiergs, Fecomércio e Farsul anunciaram a criação do órgão, que já deve promover missões empresariais


/MARCELO G. RIBEIRO/JC
Guilherme Daroit
Um dos principais parceiros comerciais do Rio Grande do Sul, a Argentina terá uma nova frente de negociação com os empresários gaúchos. A Câmara Empresarial Argentino-Brasileira do Rio Grande do Sul (Ceab-RS), lançada ontem na Capital, é vista pelo país vizinho e pelas entidades empresariais do Estado como uma forma de aparar arestas que dificultam o comércio entre as duas regiões, e já deve promover missões empresariais nos dois países no segundo semestre.
A criação da Ceab-RS segue a abertura de mais de uma dezena de entidades semelhantes nos estados brasileiros nos últimos meses, criadas com apoio do governo argentino. Discutida inicialmente em março entre as entidades gaúchas e a Embaixada Argentina no Brasil, a câmara ainda deve levar mais algum tempo até se concretizar. A partir do lançamento de ontem, algumas empresas e pessoas físicas serão convidadas a integrarem a associação, e discutirão a criação de um Estatuto, que deve estar pronto ainda neste ano.
No segundo semestre, porém, já há dois eventos atribuídos à nova organização: uma missão empresarial do setor argentino de alimentos ao Rio Grande do Sul, e a retribuição da visita por parte de delegação da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs) ao país vizinho. Além da Fiergs, a Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado (Fecomércio) e a Federação da Agricultura do Estado (Farsul) também são membros honorários da Ceab-RS, e liderarão a entidade em formato de rodízio.
O embaixador argentino no Brasil, Carlos Alfredo Magarinõs, ressaltou a reativação dos centros em um momento em que ambas as economias passam por reformas. "A Argentina está buscando a inserção na economia mundial, não temos medo disso mesmo que gere déficits comerciais em um primeiro momento", argumentou o diplomata. Em 2017, por exemplo, a Argentina teve déficit histórico com o Brasil, negativo em mais de US$ 8 bilhões. Para o embaixador, os países devem se unir para buscar mercados maiores, citando como exemplo o crescimento da classe média na Ásia. "Nosso desafio é esse, não brigar por outras coisas, mas construir empresas fortes para competir nesses mercados", defendeu, salientando o papel das entidades empresariais no processo.
"Apostamos em uma agenda robusta de ações conjuntas com foco no incremento do comércio e dos investimentos entre ambas as regiões", afirmou o coordenador do Conselho de Comércio Exterior (Concex) da Fiergs, Cezar Müller, salientando a importância da Argentina para as empresas gaúchas. Em 2017, o país foi o segundo principal destino das exportações do Rio Grande do Sul (atrás da China), com US$ 1,87 bilhões em vendas, e o principal fornecedor para o Estado, que comprou mais de US$ 2 bilhões em produtos argentinos. Müller destaca, entretanto, que a relação é mais importante ainda ao notar que 90% do fluxo é de produtos industrializados.
Já o presidente da Fecomércio, Luiz Carlos Bohn, ressaltou a proximidade geográfica como gatilho para o desenvolvimento de troca de serviços entre as duas regiões, inclusive no turismo, e defendeu o Ceab-RS como uma casa para discutir essas questões. O vice-presidente da Farsul, Fábio Avancini Rodrigues, seguiu na mesma linha, criticando "assimetrias" que prejudicam a exportação de produtos agrários gaúchos, como barreiras fitossanitárias. "Essa câmara poderá executar de forma adequada essas situações, que poderão ser discutidas e resolvidas", defendeu o dirigente.
Representando o Piratini, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Evandro Fontana, saudou a iniciativa e colocou a pasta à disposição para sediar os encontros da entidade. "Temos vários pontos que nos unem, e podemos trabalhar juntos", afirmou o secretário, lembrando que já há intercâmbio entre o Rio Grande do Sul e províncias argentinas na discussão sobre iniciativas como a abertura de free shops na fronteira, entre outras.

Embaixador não vê crise cambial argentina afetando os negócios

Em oito dias, o Banco Central argentino subiu três vezes os juros, passando a taxa básica de 27,25% para 40% ao ano. O peso se desvalorizou cerca de 15% desde o início do ano. O embaixador da Argentina no Brasil, Carlos Alfredo Magariños, argumenta que o ocorrido não é diferente do visto em outras economias, e não prevê mudanças no comércio com o Brasil.
Jornal do Comércio - As notícias da semana são de dificuldades na Argentina. O que pode ser dito aos empresários brasileiros sobre isso?
Carlos Alfredo Magariños - O que aconteceu na Argentina não é diferente do que aconteceu nos outros países emergentes, e tem origem no aumento da taxa de juros nos Estados Unidos. A Argentina teve outro tipo de desenvolvimento, a volatilidade financeira na Argentina teve outras características do que em outras economias, mas a situação está sendo controlada com as instituições. O Banco Central tem suficiente capacidade para encaminhar essa situação da volatilidade. O importante é que a economia argentina está crescendo, a inflação está baixando, o emprego está aumentando, e essa será a tendência que irá continuar nos próximos anos. O intercâmbio comercial com o Brasil continuará com o mesmo dinamismo. Mas espero que a Argentina exporte um pouco mais do que está exportando ultimamente.
JC - Como avalia o intercâmbio com o Rio Grande do Sul? Os principais volumes são no setor automotivo, que sofre contestações do governo argentino quanto ao saldo da balança comercial.
Magariños - Isso é válido para todo o Brasil. O setor automotivo tem participação muito importante no comercio bilateral. Mas vejo crescendo em importância o agronegócio, com pequenas empresas que estão tentando exportar. Acho que há grande oportunidade no setor de serviços, com a assinatura próxima do acordo para o fim dupla tributação (anunciado em 2017 e em discussão no Congresso argentino), que vai reduzir os impostos para os exportadores de serviços. Temos esperança de que essas câmaras terão muito trabalho concreto, promovendo missões comerciais, encontros, gerando maior confiança e mais oportunidades de negócios. Há um grande potencial nas pequenas e médias empresas, o Rio Grande do Sul também tem empresas muito interessantes. Temos que terminar as brigas sobre um mercado ou outro e pensar nos maiores mercados do mundo.
JC - Como está o acordo do Mercosul com a União Europeia? As brigas internas dentro do Mercosul não atrapalham?
Magariños - Espero que seja assinado rapidamente. Dependemos da boa vontade de todos os membros do Mercosul e da União Europeia, mas estou convencido que vamos assinar esse acordo proximamente. Temos que terminar com as dúvidas, e dar um passo adiante. Esses acordos levam muito tempo para que se complete a implementação. Vai haver tempo suficiente para fazer as mudanças que a indústria e o comércio precisam para se tornarem mais competitivos. Não acho que seja uma boa ideia continuar demorando nisso. Temos 20 anos de negociação, quanto tempo mais vamos negociar?
JC - Qual a importância do Rio Grande do Sul para a Argentina?
Magariños - É uma grande importância. Tem identidade cultural com a Argentina, tem liderança nas trocas comerciais binacionais. Não posso imaginar melhor plataforma para a Argentina projetar sua potencialidade no Brasil do que o Rio Grande do Sul.
 
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