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Porto Alegre, sábado, 19 de maio de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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CINEMA

Alterada em 19/05 às 17h47min

Filme japonês Shoplifters vence Palma de Ouro em Cannes

Obra do cineasta japonês Hirokazu Kore-Eda levou a Palma de Ouro

Obra do cineasta japonês Hirokazu Kore-Eda levou a Palma de Ouro


LOIC VENANCE/AFP/JC
Folhapress
O filme Shoplifters, dirigido pelo cineasta japonês Hirokazu Kore-Eda, foi o grande vencedor do Festival de Cannes deste ano. A obra levou a Palma de Ouro, principal prêmio da mostra, na noite deste sábado (19), na França.
Drama de mensagem humanista, Shoplifters é a história de uma casal pobre no Japão que acolhe uma menina que parece sofrer maus-tratos de seus pais.
O título em inglês se deve ao fato de que o pai ensina seus filhos – incluindo a recém-acolhida Lin –  a furtar itens de supermercado. Mas o título que talvez o defina melhor é o dado na França: Une Affaire de Famille: com esse filme, Kore-Eda questiona o que forma uma família.
Segunda honraria mais importante, o grande prêmio do júri foi para BlacKkKlansman, do americano Spike Lee. A obra trata de um policial negro que se infiltra na organização Ku Klux Klan. O filme, dirigido pelo maior cronista das tensões raciais entre os cineastas americanos, atribui a Donald Trump responsabilidade no acirramento do ódio em seu país.
Capharnaüm, da libanesa Nadine Labaki, levou o prêmio do júri. A obra, que era tida como a favorita para levar o prêmio principal, conta a história de um garoto pobre que move um processo contra os pais por causa de todas as agruras que sofreu.
Neste ano, quem presidiu o júri foi a atriz australiana Cate Blanchett. Ela e os demais integrantes do júri instituíram para esta edição uma Palma de Ouro especial a Le Livre D'Image, colagem visual lotada de referências e mensagens dirigida pelo octogenário Jean-Luc Godard.
Os jurados também deram o prêmio de direção ao polonês Pawel Pawlikowski por seu trabalho de enquadramentos rigorosos em Cold War, história de amor entre dois músicos contada por meio de elipses no tempo.
Nas categorias de atuação, a cazaque Samal Yeslyamova levou como melhor atriz por Ayka, filme no qual interpreta uma imigrante do Quirguistão que vive agruras em Moscou.
Como ator, o premiado foi o italiano Marcello Fonte, que faz o franzino dono de um pet shop depauperado em Dogman, de Matteo Garrone. Na obra, ele se vê obrigado a tomar uma atitude contra um arruaceiro violento que atormenta a sua vizinhança.
A italiana Alice Rohrwacher (Lazzaro Felice) e o iraniano Jafar Panahi (3 Faces) dividiram o prêmio de roteiro. O longa europeu, de tintas surrealistas, narra a história de uma comunidade de agricultores explorados no interior do país peninsular. Já a obra de Panahi é uma crítica ao conservadorismo centrada na figura de uma jovem atriz impedida de frequentar ao conservatório por decisão de seus pais.
Foram escolhas carregadas de significado: Panahi é um preso político em seu país de origem, e Rohrwacher é uma das únicas três mulheres que competem em Cannes.
Numa edição que teve o tema do assédio e da participação feminina como mote dos debates, a atriz italiana Asia Argento foi quem trouxe à tona o nome de Harvey Weinstein. Ela afirma ter sido estuprada pelo produtor durante o festival de 1997. "Ele nunca mais será bem-vindo aqui", disse Argento, estendendo os punhos.
Além de Blanchett, fizeram parte do júri as atrizes Léa Seydoux e Kristen Stewart, a diretora Ava DuVernay e a cantora Khadja Nin. Completam o time dos jurados os diretores Denis Villeneuve, Robert Guédiguian e Andrey Zvyagintsev, além do ator Chang Chen.
A presidente do júri abriu sua fala mencionando os dois diretores desta competição que não compareceram a Cannes por estarem presos em seus respectivos países: o iraniano Jafar Panahi e o russo Kirill Serebrennikov.
Entre os curtas, o premiado foi o australiano All These Creatures, de Charles Williams, que gira em torno de um adolescente que lida com lembranças de uma infestação. O chinês On The Border, de Wei Shujun, ganhou menção especial na categoria.

Brasil levou três prêmios paralelos

O prêmio Câmera de Ouro, dedicado a filmes de diretores estreantes, foi para Lukas Dhont, que dirige Girl, produção belgo-holandesa sobre uma menina transgênero que sonha em se tornar uma bailarina. O filme também ganhou o prêmio da crítica na seção Um Certo Olhar.
O Brasil não participou da competição oficial neste ano, mas obras que têm o país como um dos coprodutores levaram prêmios em outras seções.
Na Um Certo Olhar, o misto de ficção e documentário Chuva É Cantoria na Aleia dos Morto, da brasileira Renée Nader Messora e do português João Salaviza, levou o grande prêmio do júri. O filme acompanha a jornada espiritual de um jovem da etnia krahô em sua aldeia no cerrado tocantinense.
Quem levou o principal prêmio na Um Certo Olhar foi Border, do diretor iraniano-dinamarquês Ali Abassi, que mistura elementos de realismo social, suspense noir e mitologia nórdica..
Diamantino, coprodução entre Brasil, França e Portugal foi o principal vencedor da seção paralela Semana da Crítica. O filme de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt tem como personagem principal um jogador de futebol inspirado em Cristiano Ronaldo.
O curta nacional O Órfão, de Carolina Markowicz, ganhou a Queer Palm, prêmio dedicado a produções com temática LGBT.
Na seção Quinzena dos Realizadores, o longa nacional Los Silencios, de Beatriz Seigner, perdeu o prêmio principal para Climax, jornada erótica de um grupo de dançarinos dirigida pelo franco-argentino Gaspar Noé.
A crítica também elegeu seus melhores filmes, espalhados em todas as mostras de Cannes.
Da competição escolheu Burning, de Lee Chang-dong.
Na mostra Semana da Crítica o vencedor do prêmio da Fipresci foi One Day, da húngara Zsófa Szilagyi, sobre uma mulher de vida atribulada que tem de lidar com o marido adúltero.
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