Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, sábado, 19 de maio de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

COMENTAR | CORRIGIR

CINEMA

19/05/2018 - 10h30min. Alterada em 19/05 às 11h11min

Coprodução Brasil-Portugal com temática indígena é premiada em Cannes

Produtores e elenco protestaram por demarcação de terras indígenas no festival

Produtores e elenco protestaram por demarcação de terras indígenas no festival


LOIC VENANCE/AFP/JC
Há algo da magia de Piripkura - o resgate do espírito da floresta - no belo filme do lisboeta João Salaviza e da paulista Renée Nader Messora que passou aqui em Cannes, integrando a seleção oficial na mostra Un Certain Regard. Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos acompanha um índio craô, no norte do Brasil. Ele se embrenha na floresta, tem sonhos cheios de presságios, verdadeiros pesadelos. Ihjãc é seu nome e ele precisa realizar o rito fúnebre do pai, para se reconciliar com o mundo. Essa poesia não passou despercebida pelo júri presidido pelo ator Benício Del Toro e ontem Chuva foi lembrado na premiação de Um Certo Olhar.
Na exibição oficial do filme a equipe já portara cartazes de protesto. "Demarcação já!", "Pelo fim do genocídio", "Marco territorial, não!". Ontem, o grito de "Demarcação já!" ecoou no palco da Salle Debussy e, quando o diretor pediu o apoio da imprensa mundial para divulgar o que ocorre no Brasil, as palmas ecoaram ritmadas. A premiação virou protesto. O russo Sergei Loznitsa, prêmio de direção por outro documentário, Donbass, não estava presente, mas enviou um documento alertando para as condições sub-humanas em que está preso na Rússia de Vladimir Putin, por um crime que não cometeu, o cineasta ucraniano Oleg Sentsov. O diretor artístico de Cannes, Thierry Frémaux, inflamou o cerimonial ao pedir um minuto de aplauso, não de silêncio, por Sentsov.
O 71º Festival de Cannes vai chegando ao fim. Neste sábado (19), o júri presidido pela atriz Cate Blanchett outorga a cobiçada Palma de Ouro. Quem vai levar? É um júri predominantemente feminino, e com mulheres que têm se destacado pelo ativismo. A cineasta Ava DuVernay, a cantora e compositora Khadjia Nin, a atriz Kristen Stewart. Nesses 11 dias que durou o festival - hoje é o 12º -, elas aproveitaram todos os espaços para reivindicar direitos. De negros, gays, trans. E paridade entre homens e mulheres. Há expectativa de que o Palmarès espelhe essa militância. Mas como? Os filmes foram predominantemente realizados por homens. Thierry Frémaux já disse que não cede à pressão por uma seleção de gênero. Escolhe os filmes pela qualidade. São 21 concorrentes e apenas três são assinados por mulheres. A libanesa Nadine Labaki, de Capharnaüm, e a italiana Alice Rohrwacher, de Lázaro Feliz, podem aspirar a recompensas.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia